TI de Salto 3: novo livro conta histórias de brasileiras que estão revolucionando a TI

Apesar de não percebemos cotidianamente, nossa linguagem reflete aspectos culturais que foram construídos durante décadas. Quem já se questionou, por exemplo, sobre o uso comum do termo “menino do TI” ou “menino da computação” para se referir ao profissional do setor de tecnologia da empresa que resolve questões técnicas? Ao utilizarmos a expressão utilizando uma pessoa do gênero masculino, acabamos refletindo uma questão social.
De acordo com o IBGE, há uma enorme disparidade entre mulheres e homens nos cursos de graduação em áreas de exatas. Em 2019, somente 13,3% dos alunos de Computação e Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) eram mulheres.
Também segundo o IBGE, com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), no mercado de trabalho, somente 20% dos profissionais do setor de tecnologia são mulheres. Essa porcentagem é ainda menor se considerarmos as posições de liderança nos empreendimentos na área.
A pesquisa CIO Survey 2020, realizada pela KPMG em parceria com a Harvey Nash, indicou que apenas 16% das empresas de tecnologia da América Latina têm mulheres ocupando os postos mais altos de comando.
E com a mentalidade de sempre recorrer ao “menino do TI”, os brasileiros acabam não percebendo que pessoas do sexo feminino estão buscando espaço no setor de tecnologia e propondo soluções para problemas reais tanto quanto os homens. Há mulheres desenvolvedoras, que atuam com blockchain, nuvem, Big Data↳Big data16 conteúdosResolvendo desafios de Big Data com Ciência de Dados na UberData · abr 2019Segurança “Data-Driven”: como big data e IA estão redefinindo a detecção de ameaças em tempo realDevSecOps · jan 2026USP lança MBA em Inteligência Artificial e Big DataAI · mar 2024Ver tudo em Data →, cibersegurança↳Segurança171 conteúdosCibersegurança no Brasil: 6 passos para sair da estagnaçãoDevSecOps · jul 2025O papel do CISO para transformar a cibersegurança em uma alavanca de reputação para as empresasDevSecOps · mar 2024Itaipu Parquetec e Exército Brasileiro realizam exercício de cibersegurança em BrasíliaDev (Back & Front) · set 2025Ver tudo em DevSecOps → e mais.
Para justamente dar luz a essas brasileiras e incentivar outras tantas jovens a estudarem esses temas, a empresária Sylvia Bellio está lançando no dia 08 de março de 2023, na Livraria da Vila, em São Paulo, o volume 3 do livro TI de Salto. Fundadora da itl.tech, empresa de infraestrutura de TI, e única mulher no país a fazer parte do conselho de empresas parceiras da Dell, a organizadora da publicação reúne grandes histórias femininas que estão interligadas com o desenvolvimento tecnológico do Brasil.
“As mulheres são minoria no setor de tecnologia e isso não significa que a contribuição delas é pequena, muito pelo contrário. A ideia do livro, que está chegando na terceira edição, é exaltar grandes trajetórias de pessoas que venceram o preconceito, o machismo, a desconfiança e até a autossabotagem para prosperarem e contribuírem com o desenvolvimento de novas tecnologias e, consequentemente, com o desenvolvimento do país”, argumenta Sylvia.
O pioneirismo das mulheres
TI de Salto: Volume 3 tem depoimentos, relatos, reflexões e contribuições de 22 mulheres (além de Sylvia) que fazem ou fizeram parte do mercado de tecnologia↳Leia tambémConfira quem são as 20 mulheres para seguir no mercado de tecnologiaDev (Back & Front) · mar 2023.
Beatriz Rinn, presidente da Blue Route e diretora de Tecnologia da Informação (CIO) na Cisa Trading S/A, iniciou a carreira como desenvolvedora de softwares. Com MBA em Blockchain Development, ela narra que sempre se interessou por matemática, lógica e desenvolvimento, áreas que sempre foram estereotipadas como masculinas.
Beatriz conta como trabalhou na implementação de sistemas de comércio exterior e como a partir da automação conseguiu transformar processos e deixar muito mais eficientes tarefas naturalmente burocráticas.
“Nas minhas equipes, identifiquei o potencial e dei oportunidade para inúmeras profissionais que atuavam em áreas não relacionadas a tecnologia. Ser capaz de enxergar o verdadeiro potencial daqueles ao seu redor é uma competência essencial para qualquer executivo e tenho muito orgulho de ter investido nestes talentos que hoje são analistas de negócios, desenvolvedoras e gestoras de times de tecnologia”, conta no livro.
A executiva Claudia Ferraz, que tem mais de 30 anos de carreira em tecnologia da informação, é outra mulher que contribuiu para o estabelecimento de importantes ferramentas tecnológicas que temos atualmente. Considerada o futuro de centenas de processos, a Inteligência Artificial (IA) é uma das “minas de ouro” da economia moderna e tem se popularizado cada vez mais por causa de plataformas como o ChatGPT.
Neste sentido, Claudia trabalhou com IA em 1990 e chegou a ter um time só de mulheres para implantar Business Intelligence em 1991. “Outro dia me perguntaram qual a minha esperança para daqui a cinco anos sobre mulheres na transformação digital. Respondi que esperava que falássemos somente sobre transformação digital, que o gênero da pessoa de TI não importasse, e sim a tecnologia”, diz.
Regina Santangelo é Head de Tecnologia e Operações, é pós-graduada em Gestão de TI e tem experiência em transformação digital. Relembrando a própria história, ela narra que fez curso técnico em Processamento de Dados no final da década de 80, quando o assunto ainda estava a algumas décadas de virar essencial para qualquer tipo de empreendimento.
Tendo uma jornada de bastante luta e persistência, no livro ela dá algumas dicas para que as mulheres batalhem por seu espaço: “Se prepare, fortaleça seu networking, tenha coragem de atravessar a rua, ensine e aprenda, seja persistente e ame o seu trabalho e tenha uma metodologia de gestão” estão dentre os conselhos.
Quebrando tabus
A introdução de TI de Salto: Volume 3 é de Rosandra Silveira, que tem 25 anos de experiência em posições de liderança e há 12 anos é executiva sênior em grandes empresas de tecnologia.
Na abertura do livro, ela afirma como apesar do evidente crescimento na inserção de mulheres em empreendimentos que atuam com tecnologia↳Leia tambémTI de Salto: livro reúne histórias inspiradoras e marcantes de brasileiras que atuam com tecnologiaDev (Back & Front) · ago 2022, ainda há uma grande disparidade de representação e de salário. Rosandra escreve que esse cenário é resultado inclusive de uma espécie de “preconceito biológico”.
Durante muito tempo, se imaginou que mulheres têm em sua programação genética a predisposição para atuar em áreas de cuidado humano e por isso se interessariam menos por assuntos de exatas. Na verdade, o que pesquisas feitas com crianças mostram é que não há essa discrepância de interesses. O que acontece é que a sociedade acaba reproduzindo estereótipos de gênero que afetam as meninas, que enxergam desde pequena que tecnologia é “coisa de menino”.
“Enquanto estereótipos de gênero persistirem incrustados em nossa cultura, esses sentimentos não desaparecerão”, defende Rosandra.
Fernanda Presidio Neubert, que é fundadora de uma empresa com quinze anos de mercado oferecendo soluções de Cloud, revela outro lado cruel não só do mercado de trabalho e do setor de tecnologia, mas também da sociedade: o machismo.
Em um relato intimista, ela lembra de uma empresa consorciada que era composta por um quadro 90% masculino. Ela narra que além do preconceito de gênero, que a afetava por ser uma mulher, ela ainda sofreu com a xenofobia pelo fato de ser nordestina.
“Além de lutar para construir uma empresa, precisei lidar com eles. É nisso que eu vejo que está a maior diferença: o homem não tem que superar essa barreira adicional, de se provar capaz apenas pelo fato de ser um homem”, conta.
A própria organizadora de TI de Salto: Volume 3, Sylvia Bellio, também é exemplo negativo de como as mulheres precisam quebrar diferentes barreiras para ganhar o respeito e receber tratamento igualitário. Ela realizou curso de eletrônica na adolescência e era a única mulher da turma, e já naquela época se questionava se não havia algo errado.
Na fase adulta e já como uma grande executiva, ela continuou sofrendo na pele essa dificuldade e até passou por situações de sexismo em reuniões executivas. Foi justamente essa vivência e o entendimento de que é preciso criar um repositório de narrativas femininas do setor de tecnologia que ela decidiu criar a série TI de Salto, que a essa altura já narra a história de quase 70 brasileiras.
Sylvia faz questão de ressaltar que todos os grandes enredos são cercados não só de muita luta, estudo e dedicação, mas também o apoio de outras grandes fontes de inspiração como mães, avós, amigas, tias, filhas e outras mulheres que serviram de exemplo.
“Além de inspirar outras pessoas mostrando grandes histórias, a nossa ideia é fazer com que as pessoas virem agentes de transformação da nossa realidade. Eu acredito que é preciso um esforço coletivo para conscientizar a sociedade sobre a importância de termos e respeitarmos as mulheres nesses espaços historicamente masculinos. Afinal de contas, é uma relação básica, pois sem as mulheres estamos perdendo uma enorme força criativa capaz de criar soluções tecnológicas que nós nem imaginamos”, finaliza.
Serviço:
Livro: TI de Salto: Volume 3
Organizadora: Sylvia Bellio
Editora: Árvore Digital
Data de lançamento: 08/03/2023
Local: Livraria da Vila
R. Pamplona, 1704 – Jardim Paulista, São Paulo – SP
Horário: 17:00 às 21:00
Linux 7.3 chega antes da hora no Ubuntu 26.10 e Rust avança no terminal
Linux 7.3 é a base do Ubuntu 26.10 Stonking Stingray, ainda que essa versão do kernel siga sem lançamento oficial. A distribuição partiu de uma release






Redação iMasters





