Arquitetura de Informação

12 mar, 2019

Integrar redes sociais será tiro no pé, diz especialista sobre Facebook

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A afirmação foi feita por Ricardo Becker, especialista em Continuidade de negócios e Recuperação de desastres. Recentemente, Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook anunciou que a plataforma seria alterada para gerar mais segurança nas relações interpessoais e no compartilhamento de dados.

Mas isso, segundo Ricardo, é um “tiro no pé”. “O que o Zuckerberg anunciou não terá, na minha visão, um resultado positivo. Ele sugeriu implementar criptografia também no armazenamento de dados. Se realmente fizer isso, o modelo atual de negócios do Facebook desaba, pois eles vendem justamente informações mineradas acessando dados dos usuários para gerar anúncios publicitários e conteúdos direcionados ao perfil de interesse e consumo de cada usuário”, afirmou Becker.

Zuckerberg, presidente-executivo do Facebook, afirmou durante evento na última semana, que irá integrar Messenger (Facebook), WhatsApp e Direct (Instagram) em apenas uma plataforma para conversas. A troca de mensagens terá foco em interações privadas, criptografia, segurança, interoperabilidade e armazenamento seguro. A ideia é acabar com o foco em publicações públicas e dar mais relevância às comunicações privadas criptografadas.

Ricardo Becker afirma que “essa ação pode criar uma cadeia de reações negativas com relação ao investimento em publicidade e links patrocinados, fato que também enfraqueceria a gestão financeira do Facebook enquanto empresa. Além disso, implementar criptografia no armazenamento e na comunicação entre usuários não aumenta conformidade com a GDPR [General Data Protection Regulation] e a LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados] e aumenta a dificuldade em situações onde a empresa será acionada judicialmente para entregar dados em investigações e repasse de dados”, reforçou Becker.

Dados vazados do Facebook

O anúncio de Mark Zuckerberg surge um ano após o polêmico escândalo de violação à privacidade e uso irregular de dados da rede, cujo acesso chegou a mais de 2,6 bilhões de pessoas em 2019. Em março do ano passado, denúncias mostraram que a empresa Cambridge Analytica, consultoria política contratada pelo staff de Donald Trump, obteve dados sigilosos de mais de 50 milhões de usuários do Facebook e direcionou propaganda sem autorização com o uso dessas informações pessoais. As investigações sugerem que isso teria ajudado a eleger o presidente dos Estados Unidos em 2016.

No discurso da última semana, Zuckerberg ainda afirmou que a empresa está disposta a ser banida de países que se recusam a permitir o funcionamento do recurso de segurança, como a China. “Acredito que ele tenha feito o anúncio apenas como forma de dizer que a empresa está comprometida com a privacidade dos dados de usuários. Para acalmar usuários, para acalmar o mercado. Mas não irá colocar tal ação em prática sem antes construir um novo modelo de negócios, alinhado com a mesma rentabilidade que o Facebook tem hoje, ou ainda maior”, concluiu Becker.