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Do chip ao agente: a verdadeira arquitetura da IA

Do chip ao agente: a verdadeira arquitetura da IA
Imagem: Cezar Taurion

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Mas isso é uma simplificação enorme. Um modelo de IA é apenas um componente de um sistema muito maior. Não existe uma única arquitetura universal de “stack de IA”, mas é útil pensar no ecossistema em camadas para entender onde estão os custos, as capacidades e, principalmente, onde o valor econômico pode ser criado e capturado.

Na base estão hardware, energia e infraestrutura física: aceleradores, memória, redes de alta velocidade, data centers e sistemas de refrigeração. Sem essa infraestrutura, não existe IA em escala. NIST, inclusive, trata os data centers como elemento crítico da infraestrutura necessária para treinamento e inferência.

Acima está a infraestrutura computacional: cloud, clusters, armazenamento, orquestração, serving e sistemas de inferência. É nessa camada que uma parte importante da economia começa a aparecer. O custo de executar modelos em escala depende não apenas do modelo, mas também de memória, utilização dos aceleradores, networking, software e eficiência energética.

Então chegamos aos modelos: LLMs, modelos multimodais, de visão, áudio, geração de imagens e modelos especializados. É a camada que recebe a maior atenção pública, mas está longe de representar todo o sistema.

Ao lado dela existe uma camada transversal de dados e conhecimento: bases estruturadas e não estruturadas, documentos, histórico transacional, conhecimento corporativo e mecanismos de recuperação. Um modelo poderoso não elimina a necessidade de dados relevantes, atualizados e adequadamente integrados ao contexto da aplicação.

Depois vêm as aplicações. É aqui que a capacidade do modelo começa a ser transformada em trabalho concreto: atendimento, programação, análise, busca, automação, copilotos e sistemas especializados.

Os agentes acrescentam outra dimensão: podem planejar etapas, utilizar ferramentas, acessar sistemas e executar ações com diferentes graus de autonomia. Por isso, não são simplesmente “aplicações com LLM”; introduzem requisitos adicionais de segurança, identidade, autorização e controle.

E existe uma camada que atravessa todas as demais: governança e operação. Segurança, identidade, privacidade, avaliação, observabilidadeObservabilidade11 conteúdosObservabilidade para APIs: os desafios e benefícios dessa abordagemDev (Back & Front) · jan 2025Falhas em Observabilidade afetam os Apps e a Segurança das OrganizaçõesDev (Back & Front) · nov 2023ADK Java 1.0: O Google quer que você pare de gambiarra Python no seu backendMarketing Tech · abr 2026Ver tudo em DevSecOps , auditoria, gestão de custos, compliance e supervisão humana não são acessórios colocados no final. Fazem parte da engenharia do sistema. O NIST, por exemplo, estrutura a gestão de riscos de IA ao longo de desenvolvimento, implantação, operação, monitoramento e avaliação.

Essa visão muda a forma como devemos pensar a economia da IA. O modelo não determina sozinho o valor econômico da tecnologia. Um modelo tecnicamente extraordinário pode gerar pouco valor se seu custo de inferência for elevado, se não tiver acesso aos dados adequados, se não estiver integrado aos processos da organização ou se não puder operar com segurança e confiabilidade.

Da mesma forma, um modelo menor pode gerar enorme valor quando combinado com dados proprietários, workflows bem definidos, integração com sistemas existentes e conhecimento de domínio.

Isso ajuda a explicar por que considero simplista transformar a evolução da IA em uma corrida para descobrir qual será “o modelo mais inteligente”.

A questão economicamente mais relevante é onde o valor está sendo criado, quais são os custos para capturá-lo e quem efetivamente consegue capturá-lo?

A própria economia da inferência está mostrando que eficiência de hardware, memória, networking, software e otimização de modelos pode ser tão importante quanto aumentar a capacidade bruta do modelo.

O futuro da IA não será decidido apenas por quem construir o melhor modelo, mas por quem conseguir combinar modelo, infraestrutura, dados, aplicações e governança de forma eficiente, confiável e economicamente sustentável. O modelo é importante, não é o Stack, e certamente não é toda a economia da IA.

É CEO da Litteris Consulting. Profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70, com educação formal diversificada, em Economia, mestrado em Ciência da Computação e MBA em Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como CIO Magazine, Mundo Java, além do iMasters, e apresenta palestras em eventos e conferências de renome. É autor de sete livros que abordam assuntos como Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado, Cloud Computing e Big data.

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