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O futuro do livro já chegou e as editoras ainda não perceberam

Gutenberg construiu um dos mais fantásticos dispositivos da história. O livro impresso do famoso alemão recebeu e reproduziu, nos últimos 500 anos, com poucas modificações, infinitos softwares: da Bíblia ao Alcorão; da Divina Comédia ao Almanaque do Biotônico Fontoura.

A revolução digital quebrou este paradigma. As “instruções” antes impressas nas páginas dos livros, agora são binárias e podem ser lidas por qualquer dispositivo digital. O meio deixa de ser a mensagem. Aliás, não importa mais o meio; a mensagem é ubíqua, multiforme e se adapta ou pelo menos busca desesperadamente adaptar-se ao meio. É a inversão do vetor de McLuhan. Após séculos de escravidão, a mensagem libertou-se do meio.

Neste novo cenário, surgiram e continuam surgindo uma infinidade de dispositivos que agora são o suporte deste conteúdo flexível, fluído e não mais limitado por átomos, mas sim por bits: computadores, notebooks, e-readers, tablets, smartphones e uma infinidade de outros aparelhos e neologismos como netbooks e phablets. Sim, eu disse phablets!

Alguns deles, como os e-readers, já nascem com uma função claramente transitória, fazendo uma ponte entre velhas e novas soluções, assim como foram os saudosos palmtops! Muitos estão maravilhados com o universo dos tablets, mas eles também são uma ponte para soluções que já estão chegando: telas flexíveis, dispositivos interativos de realidade aumentada e “a Internet das coisas”.

Em relação ao conteúdo, ocorre também o mesmo “deslumbramento adolescente”. As pessoas estão impressionadas com livros e revistas para tablets que mais lembram um projetor de slides, onde a cada “toque mágico”, um novo diapositivo (slide) é exibido! Outro dia ouvi em uma grande editora: “mas nosso livro é interativo! O personagem X mexe os olhinhos [sic]”. Sério que vocês acham que isto é o futuro?

Desculpem, mas em 1974 meu pai já fazia isto comandando um velho projetor e sincronizando cada novo slide com o som que saia de um disquinho vermelho de vinil que contava a história de João e Maria.

É neste contexto que o mercado editorial, temeroso em perder o bonde da história – como ocorreu com o mercado fonográfico -, se faz a pergunta mais importante e crucial desde Gutenberg: eBook? Web? Aplicativo?

Vocês devem ter visto inúmeras soluções – algumas boas, outras nem tanto – que tentam responder à estas perguntas. Algumas focam a solução nos dispositivos (iPad x Kindle), outras em sistemas operacionais (iOS x Android), em modelos de negócios (soluções fechadas x soluções abertas), em formatos (ePub x ePub3 x iBook x KF8) e outras são uma mistura de todas estas opções – o que gera milhões de possibilidades… Alguns autores já usam o termo BApp ( eBook + App) para classificar soluções híbridas que estão aparecendo no mercado.

Não sou o portador do Santo Graal e nem guru da pós-modernidade, mas a Web é a resposta para a maioria destas perguntas. A “Open Web Platform”, formada por tecnologias, serviços e formatos que orbitam ao redor do HTML5, permite soluções que dão “nova vida” ao conteúdo: plasticidade, organicidade, modularidade, interatividade e, o que é melhor, ubiquidade!

Leia o livro, ouça o livro, converse com o livro, rabisque o livro, brinque com o livro, estique o livro, amplie o livro, mergulhe no livro, compartilhe o livro, mude o livro, seja co-autor do livro, traduza o livro, projete o livro como um holograma, vista o livro ! Não são apenas metáforas, são ações reais que estão ao alcance do leitor no mundo digital e muitas delas já podem ser experimentadas hoje.

Ao contrário de alguns “neo-chatos”, que clamam, proclamam e comemoram o fim do impresso, eu acredito que conviveremos com ele por bastante tempo. Mas é inevitável atestar a velocidade exponencial com que as mudanças estão se anunciando.

Esta decisão rumo ao futuro não é só uma questão de tecnologia. É uma questão de posicionamento estratégico onde inovação, consolidação, diferencial competitivo, custos e eficiência são as palavras chave.

Marketing & Digital Publishing na Soyuz Sistemas e Sócio na Flatschart Consultoria LTDA, empresas com as quais participou do desenvolvimento e implantação de projetos pioneiros nas áreas de Open Web Platform e Marketing Semântico no Brasil. É autor do livro HTML5 - Embarque Imediato, uma das primeiras publicações em português sobre o assunto e coautor do livro OpenWeb Platform. Atua como colunista do portal iMasters e é professor convidado dos mais importantes cursos de MBA do Brasil (FGV, FIA, Trevisan)

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