Due diligence sem IA é comprar ativo sem laudo
Nenhum comitê de M&A no Brasil mede se a empresa alvo é citada por ChatGPT, Gemini ou Claude. Essa lacuna já é passivo técnico, e existe um jeito de medi-la em uma semana.
Leia em 30 segundos: comitês de M&A brasileiros fecham aquisições em 2026 medindo tudo (jurídico, trabalhista, tributário, LGPD↳LGPD14 conteúdosComo utilizar a LGPD com o objetivo de conformidade e inovação?Gestão Dev & TI · out 2021LGPD coloca pressão inédita nos responsáveis pela tecnologia das empresasData · ago 2021Proteção de dados: LGPD é sancionada e começa a valerData · set 2020Ver tudo em Gestão Dev & TI →) exceto a posição da empresa alvo nas respostas de assistentes de IA↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI →. Isso é um ativo sem laudo. Proponho tratar visibilidade em IA generativa como linha de due diligence, com protocolo de oito verificações que roda em cinco dias úteis com duas pessoas. Sem norma, sem consenso, mas reprodutível.
Pergunta 1: qual é o problema?
Um caderno de due diligence de aquisição de software no Brasil, com 212 páginas cobrindo governança, contratos, LGPD e propriedade intelectual, não tem uma linha sobre ChatGPT, Gemini, Claude ou Perplexity. O índice não é ruim: é o padrão do mercado. E é exatamente esse padrão que já não corresponde ao comportamento do comprador que ele tenta precificar.
Pergunta 2: por que isso acontece agora?
O comprador projeta receita para cinco anos usando instrumento de dez anos atrás. O TIC Domicílios 2025, do CGI.br (9 de dezembro de 2025), apurou que 32% dos usuários de internet no Brasil já usaram alguma ferramenta de IA generativa, cerca de 50 milhões de pessoas, em amostra de 27.177 domicílios e 24.535 pessoas ouvidas entre março e agosto de 2025. Parte dessa fatia é decisor B2B que pergunta à máquina antes de pedir proposta, o mesmo comportamento de busca zero-clique que já documentei em outro texto: 60% das pesquisas B2B terminam sem clique.
O peso setorial fecha a conta. A Pesquisa de Fusões e Aquisições de 2025 (3º trimestre) da KPMG Brasil, de 14 de janeiro de 2026, mostra Tecnologia da Informação liderando com 415 operações entre janeiro e setembro de 2025, 278 delas com private equity ou venture capital. Internet somou 91 operações, 56 com PE ou VC. O levantamento da Merc Group sobre o 1º trimestre de 2026 (28 de maio de 2026) estima cerca de 256 operações no período, com tecnologia e SaaS respondendo por aproximadamente 36% do valor agregado. É exatamente o setor onde o cliente pergunta à IA antes de comprar, e é exatamente o setor onde o caderno de diligência não pergunta nada sobre isso.
Pergunta 3: o que fica de fora, na prática?
O guia Corporate M&A 2026 da Chambers, capítulo Brasil (21 de abril de 2026), descreve os blocos padrão: marca e propriedade intelectual, ativos web, tráfego orgânico, contratos, pessoas-chave. Cada um tem um par não escrito na camada de máquina que o caderno tradicional ignora:
- Marca registrada virou marca invisível se o mention rate em IA for próximo de zero. Paga-se ágio por reconhecimento que só existe em pesquisa declarada.
- Tráfego orgânico estável pode conviver com share of voice zero em IA. Isso é receita em declínio que ainda não apareceu na série histórica.
- Fundador com autoridade citável e empresa sem entidade reconhecida é um risco de earn-out: se o motor cita a pessoa e não a companhia, a saída do fundador leva o único ativo de citação embora.
Aqui entra um cuidado que já defendi antes: reconhecimento não é recomendação. Uma marca pode aparecer quando a pergunta cita seu nome e desaparecer quando a pergunta descreve só a categoria. Isso tem sustentação parcial no paper What Gets Cited: Competitive GEO in AI Answer Engines (arXiv, 25 de maio de 2026), que indica relevância temática e posição na lista como principais determinantes de citação, com preço explícito e timestamp recente ajudando de forma consistente. E há um alerta sobre promessa de fornecedor: o estudo GEO: Generative Engine Optimization, apresentado na KDD 2024, reportou ganhos de visibilidade de até 40% com citações e trechos textuais, benchmark de cerca de 10.000 consultas. Uma replicação posterior, o C-SEO↳SEO4 conteúdosPor que a transição do SEO clássico para a Otimização de Motores Generativos (GEO) exige que se repense a modelagem semânticaMarketing Tech · mai 2026O impacto da pesquisa e do SEO no comércio eletrônico: insights da State of Search Brasil 5Marketing Tech · fev 2025SEO por Elas 2025: Impulsionando e promovendo mulheres no Marketing DigitalMarketing Tech · fev 2025Ver tudo em Marketing Tech → Bench, confirmou pouco disso: só três de 54 casos mostraram efeito positivo significativo, nenhum envolvendo as táticas originais. Número de efeito prometido por fornecedor não sobrevive à replicação com a folga que o material comercial sugere. O que sobrevive é a medida do estado atual, não a promessa de quanto ele sobe.
Pergunta 4: como isso vira cláusula, não slide?
O protocolo que rodo em auditorias da Brasil GEO tem oito verificações, cinco dias úteis, duas pessoas: inventário de perguntas de compra, mention rate por motor, share of voice contra concorrentes, reconhecimento contra recomendação, consistência de entidade, colisão de homônimo, alucinação verificável e rastro de fonte. Cada resultado encontra instrumento contratual que já existe: ajuste direto de preço para o que tem custo estimável (divergência de entidade, colisão de homônimo), earn-out atrelado a métrica de visibilidade quando o método vira anexo do contrato, declarações e garantias específicas para alucinação em item regulado, escrow para o que é reversível mas lento, plano de cem dias para o resto.
Uma ressalva importante: pesquisa da AWS, reportada pelo Valor Econômico em 3 de setembro de 2026, aponta a dificuldade de medir retorno de investimentos em IA como desafio corrente das empresas no Brasil. A dificuldade é real, mas não é argumento contra medir, é argumento contra prometer retorno. Diligência mede estado, não promete ROI, e por isso essa linha é viável agora, enquanto promessa de retorno de visibilidade ainda não é.
Procurei prática documentada de due diligence de IA no Brasil e não encontrei nenhuma, nem em checklist de grande consultoria, nem em relatório de transação público. Essa ausência é o ganho de informação desta coluna: ou o mercado ainda não chegou lá, ou a linha não vale o esforço. Fico com a primeira leitura, pelo custo assimétrico. Rodar as oito verificações custa uma semana de duas pessoas. Descobrir depois do closing que o motor recomenda o concorrente custa o ciclo inteiro de investimento.
Se você está do lado comprador, vendedor ou assessor de uma transação em curso, faça o diagnóstico gratuito de 30 minutos antes de fechar o caderno. É rápido, é de baixo atrito e evita comprar ativo sem laudo.
Fonte: Visibilidade em IA na due diligence: o ativo sem laudo
Esta coluna é assinada por Alexandre Caramaschi e escrita com inteligência artificial calibrada no acervo público do autor, com revisão editorial humana antes da publicação. Saiba como produzimos no expediente.







