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Bluetooth descobre os “eus” mais íntimos no Bracarense

Sábado, fim de manhã ensolarada no Leblon e saindo da praia quando eu e minha mulher tivemos uma luminar e corriqueira idéia. Qual?

– Vamos ali no Bracarense?

– Oi? (disse ela)

– No Braca, tomar um chopp.

– Já é. Só se for agora.

Por sorte ainda tinham umas mesas vazias. Dirceu a postos na melhor choperia do bairro. Vai começar a brincadeira.

Papo vai, papo vem e chegam amigos também vindos da praia que logo vão sentando. Resolvo mostrar algumas fotos de Salvador a eles. A beleza da terra de Oxum é tão grande que eles pedem que eu mande as fotos para o celular deles via Bluetooth. OK.

Preparo o envio dos arquivos e ativo o rastreio de outros dispositivos perto do meu telefone. Surpresa! Nova brincadeira inventada.

Começam a aparecer os mais esquisitos nomes para risadaria geral da mesa. “Doido”,”ElDiablo”, “Danadona”, “Tarado90”, “Gostosura”, “Vaca”, etc. e tal. Ah, havia nomes como “W510” e outros modelos de aparelhos que também apareceram.

Ficamos a olhar para os outros tentando descobrir quem era quem. E, à medida em que as mesas iam fechando e pagando a conta, fazíamos novo rastreio para ver qual era o nome que estava faltando na nossa lista. Sim, pois todos os nomes encontrados já estavam devidamente anotados no guardanapo do bar. E tome chopp dourado.

Aí é que a coisa ficou mais engraçada. Víamos as pessoas irem embora e simplesmente não acreditávamos em seus nomes de, quem sabe, seus supostos eus mais íntimos que escondem seus mais profundos desejos e emoções. E como é moda dizer, seus avatares.

A suposta “Danadona” saiu de mão dada com um sujeito bem apessoado. Mas ainda restou a dúvida. Será ela a tal ou será ele. Temos que investigar. Rápido! Rápido!

– Como? Como?

– Manda uma foto pro celular da “Danadona” e vamos ver quem é.

Pimba! Foto enviada. O sujeito bem apessoado pega o telefone do bolso e começa a olhar para a tela sem entender P.N.! A Danadona era ele. Mas vai ver que ele estava apenas guardando o celular da mulher. Aí seria ela então. Fica os dois então.

Depois dessa só tomando um submarino. Chopp + Steinhagger, para os leigos.

Olha, vou te falar que foi muito difícil conter a gargalhada. E assim passamos a tarde no Braca jogando conversa fora e descobrindo quem era quem.

Vez por outra faço isso quando viajo a trabalho pelo Brasil e saio para jantar sozinho, depois de largar o notebook no hotel. Fui fazendo um compêndio dos nomes mais engraçados encontrados por cidades e regiões. Vamos lá:

Região Sul: Chucrute, Leiteira, Vaca, Adolf, Astrovenga, Maçarico,…

Região Sudeste: Fora os que já citei acima tem também Patricinha, Bondenervo, Ciciolina, Surfista, Roliça…

Região Nordeste: Cabra, Cabradapeste, Vaca, Kengona. Bodão, Retado, Viradonosaci, Jegão…

Centro-Oeste: Kandango, Vaca, Dólar, Puta, Comichão, Votao, Cotó…

Ainda não estive no Norte. Mas estou louco para conhecer a Selva. A fauna eu estou vendo aqui e agora.

Interessante é perceber que tal qual novela da Globo, “Vaca” está em tudo o que é canto. O bicho vaca das novelas chega a ganhar até R$ 700,00 por capítulo. Como é o caso da vaca de Caminho das Índias que é uma bovina superstar e ainda é alimentada por estrelas globais que ficam felizes em vê-las e recebê-las em casa ou no trabalho. As vacas de Paraíso devem ganhar menos porque são muitas e estão sempre em rebanho no pasto. Já as “Vaca” encontradas nos celulares,…, nem me atrevo a perguntar qual é o seu faz-me mugir. Aliás, o faz-me rir.

Imagine então esta mesma situação em uma mesa de negócios para fechar um mega contrato. O executivo raposa velha olha na cara de todos que ali estão e sutilmente inicia a varredura Bluetooth a partir do seu celular. Olha na tela e,…processando…, aguarde,….. Começa a suar frio ao ver o resultado.

A sua direita estão seu diretor financeiro, diretor jurídico e seu CSO. À esquerda estão o advogado da outra parte interessada e seu preposto estrangeiro.

O resultado pisca na tela:

“Kengona”, “Taradao”, “Cotofeliz”, “Velhosafado” e “Vaca”. Olha ela aí.

Olha de novo para a tela do celular e em seguida olha para todos e diz:

– Senhores há uma cláusula aqui que gostaria que meu jurídico analisasse um pouco mais. Vamos adiar a tomada de decisão. A reunião está encerrada.

E pensa assim: “Qual será o Bluetooth do meu advogado? Minha mulher e filhas?”.

– Aaahhhh aquele que foi embora era o “W510”. É. Pois é. Tinha cara mesmo. Vamos para o Jobi?

Então, caro leitor, veja que a transformação tecnológica é diária e ninguém mais consegue acompanhar seus meandros. Portanto cuidado com o seu Bluetooth ativado e público a todos. Cheque a configuração do seu aparelho e da sua privacidade, pois o destino da minha próxima viagem pode ser a sua cidade.

PS. Essa vaca da novela ganha bem, heim.

Esta é uma peça de ficção. Qualquer semelhança é mera coincidência.

é formado em processamento de dados e já atua no mercado de TI há 15 anos. É especializado em segurança da informação e gestão de riscos.

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