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Site que inaugurou a web completa 35 anos: as lições do The Project

Site publicado em 6 de agosto de 1991 no CERN completou 35 anos neste mês. O nome dele é The Project. Além disso, ele carregava um bloco de HTML.

Site que inaugurou a web completa 35 anos: as lições do The Project
Imagem: Redação iMasters

Site publicado em 6 de agosto de 1991 no CERN completou 35 anos neste mês. O nome dele é The Project. Além disso, ele carregava um bloco de HTML tão enxuto que cabia em uma única tela. O autor era Tim Berners-Lee, físico britânico. Para quem escreve código, essa data merece atenção. Afinal, poucos projetos sobrevivem a três trocas de framework, quanto mais a três décadas e meia de história.

Site com HTML puro: o que o CERN publicou em 6 de agosto de 1991

Berners-Lee atuava como contratado do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear. Ele queria resolver um problema bem delimitado. Os pesquisadores precisavam trocar documentos entre máquinas e sistemas diferentes. Por isso, ele combinou a ideia de hipertexto com protocolos que já existiam.

O resultado era uma página sem estilização alguma. Não havia imagens, scripts ou recursos dinâmicos. Ou seja, tudo se resumia a texto e links. Esses links respondiam a perguntas diretas, como o que existe por aí e como eu posso ajudar. Assim, o primeiro site funcionava como documentação e índice ao mesmo tempo.

O NeXTcube de Steve Jobs virou o primeiro Site web do mundo

A máquina que hospedava a página era um NeXTcube. Ela vinha da NeXT Computer, empresa que Steve Jobs fundou em 1985, depois de sair da Apple. Portanto, o primeiro servidor web do planeta rodava em um equipamento de nicho.

O hardware vendeu pouco. Em compensação, o sistema operacional deixou marca profunda. O NEXTSTEP ficou conhecido pela interface gráfica e pelo ambiente de desenvolvimento. Inclusive, foi esse ambiente que permitiu montar servidor e navegador em poucos meses. De fato, a stack inteira coube em um único computador de mesa.

ENQUIRE: o protótipo de 1980 que quase ninguém cita

A web teve um ancestral direto. Em 1980, ainda em um contrato temporário no CERN, Berners-Lee criou o ENQUIRE. O protótipo já conectava documentos por referências cruzadas. Depois disso, ele deixou o instituto e passou anos em uma empresa de computação na Inglaterra. Em seguida, voltou ao CERN como efetivo.

A proposta formal da web saiu em 1989. Segundo o próprio autor, bastou unir hipertexto, protocolo de transmissão e DNS. Ou seja, a inovação nasceu da composição de peças prontas. Esse ponto interessa a qualquer pessoa técnica. Afinal, boa parte das arquiteturas relevantes surge exatamente assim.

30 de abril de 1993: a licença que fez a web explodir

Nessa data, o CERN liberou o código fonte da World Wide Web em domínio público. A decisão derrubou qualquer barreira de licenciamento. Por causa disso, a adoção disparou em poucos meses.

Já em 1994, a rede somava mais de 10 mil servidores e cerca de 10 milhões de usuários. No mesmo período, o Mosaic popularizou a navegação gráfica e tirou a web dos laboratórios. Atualmente, o número de pessoas conectadas passa de 5 bilhões. Em resumo, a licença aberta rendeu mais do que qualquer estratégia de lançamento renderia.

A marcação que já nascia semântica em 1991

Três características explicam a robustez daquele documento. Primeiro, a marcação usava apenas tags estruturais. Segundo, o conteúdo mantinha hierarquia clara sem depender de folha de estilo. Terceiro, cada link trazia texto descritivo de verdade.

Hoje chamamos isso de boa prática de acessibilidade e de SEO. Portanto, aquela página cumpria em 1991 recomendações que muitos times ainda perseguem. Vale a comparação com um componente moderno qualquer. Em geral, ele depende de build, bundler e meia dúzia de bibliotecas para exibir um parágrafo.

O seu deploy de hoje aguenta 35 anos?

A lição prática cabe em poucas linhas. Projetos simples envelhecem melhor. Além disso, HTML semântico continua legível décadas depois. Por isso, vale pesar cada dependência nova pelo custo de manutenção futura.

Berners-Lee entregou um MVP no sentido literal do termo. Ele resolveu um problema real com o menor artefato possível. Depois, deixou a comunidade estender o resto. Enquanto isso, muitos projetos atuais nascem pesados e são descontinuados antes do segundo aniversário.

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