Invasão canadense
A ATI, empresa desenvolvedora dos chips gráficos
mais poderosos do planeta, planeja sua entrada no Brasil, oferecendo
melhores opções aos micreiros e com queda de preço.
A decisão deve causar dor de cabeça na concorrente
Nvidia, mais popular no mercado nacional mas que perdeu a liderança
tecnológica em 2002.
Nessa semana, Joe Judge, representante de Vendas
da empresa para a América Latina, está no Brasil
para acertar os últimos detalhes com os integradores e
montadoras nacionais. A aposta da empresa é no mercado
de chips integrados de vídeo, presentes nas placas-mãe
conhecidas normalmente como ”on-board”. Alguns possíveis
parceiros seriam a Asus, MSI e Biostar, que já utilizam
o processador da ATI em seus produtos no exterior.
– Mais de 90% dos micros vendidos no Brasil têm
chips de vídeo e áudio integrados na placa-mãe
– diz Paul Ayscough, diretor de Marketing Corporativo mundial
da ATI, em entrevista ao JB. Ele esteve em São Paulo no
final de 2003 para iniciar a ”operação Brasil”.
Ela é centrada no Radeon 9100 IGP, chip
que integra as placas-mãe e que apresenta, segundo sites
especializados, o dobro da performance da NForce 2 concorrente
e é até mais rápida do que a placa de vídeo
GeForce FX 5200, que aos poucos se torna o padrão dos novos
micros nacionais.
A ATI é mais conhecida dos brasileiros pelas
placas de vídeo All-in-wonder que, com controle remoto
e entrada para TV, DVD e videocassete, permitem transformar o
PC em um gravador multimídia digital. Mas, a responsável
pela virada sobre a adversária californiana foi a Radeon
9700.
No começo da década, o PC entrou
na era do 3D. Toda aplicação gráfica (games,
programas multimídia) passou a usar a terceira dimensão,
aproximando o real do virtual. A grande responsável pela
popularização da tridimensionalidade foi a Nvidia,
que com sua família GeForce trouxe chips poderosos que
realizavam grande parte do trabalho gráfico, aliviando
o peso da CPU. Um Pentium ou Athlon de 2 GHz era exagerado para
surfar na internet ou usar o Office, mas uma placa de vídeo
3D tornou-se necessária para as exigências gráficas
da exibição de vídeos de qualidade, novos
sites e jogos.
Entre 2000 e 2002, as primeiras gerações
das GeForce (256, 2, 3 e 4) reinaram absolutas, em dupla imbatível
com os drivers de vídeo Detonator, que incrementavam o
desempenho e jogavam poeira nos lançamentos da ATI.
Mas, em julho de 2002, o cenário se inverteu.
A empresa canadense lançou a Radeon 7000, que instantaneamente
dobrou o poder de processamento gráfico dos computadores
domésticos – em comparação com a GeForce
4 Ti 4600, a mais rápida na época. A placa usava
o chip conhecido por R300, fruto de dois anos de trabalho com
uma companhia que havia sido adquirida pela ATI em 2000, a ArtX.
Ela havia sido responsável pelo desenvolvimento do chip
gráfico Dolphin (golfinho), que até hoje equipa
o videogame GameCube, da Nintendo.
Como em toda grande história, a sorte e
a ironia do destino desempenharam papéis preponderantes.
Na mesma época, a Nvidia era personagem principal da revista
Wired, num perfil de seu presidente, Jen-Hsun Huang. Ele garantia
que a empresa se tornaria a ”nova Intel”, afirmando a necessidade
de chips gráficos poderosos no PC e que a próxima
geração da GeForce, com o chip NV30, representaria,
em breve, um salto tecnológico.
A Nvidia apostou na troca da tecnologia de 0,15
para 0,13 mícron, garantindo mais transistores na mesma
pastilha de silício – maior poder e menor preço.
Mas sabia que mudava para um esquema ainda em amadurecimento.
A fábrica encarregada de produzir os chips, Taiwanese Semiconductor
Manufacturing Company, só conseguia fazer um ou dois processadores
utilizáveis em 10 tentativas.
A economia prevista não aconteceu e o atraso
foi inevitável. O cenário se aperfeiçoou
para a ATI, que apostando na tecnologia de 0,15 mícron
no R300 conseguiu lançar um chip rápido e que se
beneficiou do atraso da produção da concorrente.
O lançamento da NV30, sob o nome GeForce
FX 5800, não aconteceu antes de fevereiro de 2003. Na comparação,
ela tinha comportamento estranho, ultrapassando pouco a Radeon
9700 Pro em alguns testes e ficando bem atrás em outros.
Mas o que surpreendeu foi o barulho – a placa trazia um cooler
gigantesco, que ocupava outra baia traseira do gabinete para a
exaustão do calor.
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Redação iMasters






