NOTÍCIA

IBM cria neurônios artificiais que “pensam” sozinhos

Os neurônios artificiais da IBM foram criados a partir de materiais de mudança de fase.

IBM cria neurônios artificiais que “pensam” sozinhos
Imagem: Redação iMasters

Nesta semana, pesquisadores da IBM revelaram a criação de um conjunto de mais de 500 neurônios artificiais, que conseguem interpretar informações e aprender sozinhos. Com isso, a empresa fica mais perto de desenvolver um sistema computacional capaz de se comportar como o cérebro humano.

Os neurônios artificiais da IBM foram criados a partir de materiais de mudança de fase, que são substâncias que podem existir em dois estados diferentes (gasoso e líquido, por exemplo) e trocar de um para o outro com facilidade. A combinação usada pelos cientistas é composta por germânio, antimônio e telúrio.

Segundo o site Olhar Digital, o material, chamado de GST, pode alterar sua composição entre os estados cristalino e amorfo – isto é, sólido, mas sem forma definida. Na primeira fase, o GST (usado na membrana do neurônio artificial) funciona como um isolador de energia elétrica. Na fase amorfa, o material consegue atuar como um condutor de eletricidade.

[awprm urls=https://imasters.com.br/noticia/ibm-e-samsung-desenvolvem-memoria-para-substituir-flahs-em-wearables-e-mobile/,https://imasters.com.br/noticia/ibm-e-att-fazem-acordo-para-se-aproximarem-de-desenvolvedores-da-iot/]

Assim, com uma membrana capaz de conduzir ou isolar eletricidade, o neurônio artificial pode realizar sinapses tendo como base de impulsos de energia, que é o que acontece com os neurônios no cérebro humano. Além disso, os neurônios criados pela IBM não trocam dados digitais, como arquivos de computador, mas apenas informações analógicas, como temperatura e movimento, e são tão pequenos quanto neurônios “de verdade”.

Ao se aplicar uma fonte de calor a essa população de neurônios, as sinapses acontecem quase que naturalmente. No entanto, a informação trocada entre elas é puramente aleatória, assim como no cérebro humano. Isso acontece devido ao ciclo de transformações do GST, que altera seu estado entre cristalino e amorfo sempre com alguma diferença. Os cientistas nunca sabem quando uma sinapse será realizada ou entre quais neurônios.

O que torna a descoberta mais impactante é sua eficiência: os materiais usados na criação dos neurônios são facilmente encontrados na natureza ou na indústria; cada célula exige muito pouca energia para operar; a quantidade de informação processada é muito grande, enquanto que o processamento é rápido; e tudo isso funciona num espaço físico bem reduzido, em vez de ocupar enormes edifícios repletos de servidores, como os data centers modernos.

Embora esses neurônios ainda não estejam prontos para serem usados em robôs como os de filmes de ficção científica, possíveis aplicações já estão sendo estudadas. Eles poderiam, por exemplo, ajudar na detecção de fenômenos naturais, como terremotos e tsunamis, ou em sistemas de previsão do tempo mais precisos.

Em teoria, nada impede que esses neurônios sejam usados na fabricação de processadores de computador que tornem PCs, aplicativos ou quaisquer dispositivos eletrônicos bem mais inteligentes, mas o desafio está em desenvolver um código de software capaz de interpretar as informações analógicas de um “cérebro” como esse.

Matérias especiais e reportagens conduzidas internamente pela Redação iMasters. Acompanhe no Twitter @imasters e no Instagram/Threads @portalimasters

Mais de Redação iMasters
Ver perfil →