Golpe envolvendo Bitcoin gera prejuízo de R$ 250 milhões no Brasil
Golpe com bitcoin causa prejuízo de cerca de R$ 250 milhões a 40 mil pessoas no Brasil.
A megaoperação Patrik cumpriu mandados de prisão preventiva contra suspeitos de crimes financeiros ligados ao uso da moeda digital Kriptacoin. A investigação apurou uma movimentação de R$ 250 milhões obtidos nos golpes aplicados em cerca de 40 mil pessoas. Foram encontrados ainda, oito carros de luxo que agora estão apreendidos no estacionamento do Departamento de Polícia Especializada em Brasília.
Com a divulgação da operação que prendeu pessoas ligadas diretamente à empresa Wall Street Corporate, assim como algumas empresas laranjas, o número de vítimas pode crescer ainda mais. Os criminosos são acusados por crimes de organização criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e uso de documentação falsa, além do crime de pirâmide financeira.
“Hoje foram presas apenas as pessoas de maior relevância. Sabemos que outras pessoas podem estar envolvidas, mas precisamos antes avaliar a conduta delas”, afirmou o coordenador de Repressão a Crimes contra o Consumidor, Ordem Tributária e Fraudes (Corf), delegado Wisley Salomão.
A investigação avança em parceria com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O advogado da Wall Street Corporate, João Paulo Todde, ressaltou que todas as informações que circulam sobre o caso na mídia não passam de “meras especulações”. O que há, segundo ele, são “apenas denúncias” relacionadas à um “nicho de investigação”.
Todde não se posicionou sobre o fato de alguns de seus clientes terem sido investigados anteriormente pela polícia. “Esses processos foram apurados e já foram respondidos. É importante não vincularmos uma coisa à outra”, afirmou o advogado. Ele também afirmou que a operação de seus clientes era chamada de “sistema de marketing multinível” – uma forma de remuneração que é usada para manter as vendas de produtos e serviços, no qual o retorno financeiro é direcionado não só ao profissional que realizou a venda, como também sua linha patrocinadora. “São informações técnicas que as pessoas acabam desconhecendo e replicando de forma indevida”.
Pirâmide
O procurador justifica que no começo, toda pirâmide dá um pouco de rentabilidade para alguns, deixando-os esperançosos em à ponto de reinvestir o que ganharam. Partindo dessa estratégia, e tentando conquistar a confiança das vítimas, os criminosos permitiam saques diários de até R$ 600,00. “Em seguida, os saques passaram a ser permitidos apenas semanalmente, mas depois, disseram ter havido ataques cibernéticos contra o sistema, como uma forma de justificar a suspensão dos saques”.
Ao começarem a suspeitar e reclamar, as vítimas foram acusadas de já estarem sob investigação por suspeitas de envolvimento com fraudes. Quando alguma pessoa reclamasse das condutas suspeitas, eles (criminosos) bloqueavam essa pessoa do grupo de Whatsapp, sob a justificativa de que eles (as vítimas que já demonstravam desconfiança) estavam sendo investigadas, suspeitas de fraudes”, afirmou Binicheski.
Esquema
A investigação apontou que os próprios operadores da moeda davam a cotação diariamente. “Prometiam renda desde que, inicialmente, o investidor deixasse o dinheiro um ano aplicado. Prometiam renda de 1% ao dia e ainda mais renda se cada um dos investidores trouxesse novos investidores, o que flagrantemente caracteriza uma pirâmide”, acrescentou o procurador em uma entrevista coletiva na Polícia.
Uma das vítimas chegou a aplicar quase R$ 200 mil, e ao tentar resgatar os valores aplicados, foi ameaçada pelos membros da empresa
Suspeitas foram reforçadas ao constatarem que alguns dos envolvidos possuíam várias identidades, criadas no estado de Goiás, disse Binicheski. “Foi aí que tivemos a plena certeza de que havia um golpe em curso”, afirmou. Segundo investigadores, indícios foram encontrados, mostrando que os criminosos planejavam anunciar uma “maxidesvalorização” da moeda. “As pessoas ficariam zeradas em seus créditos”, concluiu o procurador.
É recomendado pela promotoria que as vítimas do golpe busquem seus direitos contratando um advogado. “A promotoria não vai trabalhar para fazer ressarcimento dessas pessoas. Quem investiu vai ter de procurar advogado e entrar na Justiça para processar essas pessoas. Ao final do processo criminal, esse dinheiro vai servir para essas questões”.
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Redação iMasters






