Gestores veem vácuo fiscal na eleição e juros altos como freio ao capital de risco em tech
No TAG Summit, gestores da Bradesco Asset, da TAG Investimentos e do fundo Zaftra apontam ausência de propostas fiscais nas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro e projetam juros mais altos por mais tempo, cenário que encarece o funding de startups e tech no Brasil.

A poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, gestores brasileiros identificam um descompasso entre as demandas do mercado e o que tem sido discutido nas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O tema mais sensível é a ausência de uma agenda fiscal clara dos dois lados, segundo debate realizado nesta terça-feira, 29 de setembro, durante o TAG Summit.
O painel reuniu Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, André Leite, CIO da TAG Investimentos, e Maurício Moura, sócio do fundo Zaftra, conforme reportagem do NeoFeed. Os três avaliaram o cenário fiscal, a trajetória de juros e o posicionamento do mercado diante dos possíveis resultados eleitorais.
Fiscal fora do debate eleitoral
Para Funchal, o ajuste das contas públicas simplesmente não entrou na disputa eleitoral porque não rende voto.
Não vamos ter essa discussão na eleição; não é um tema que ganha voto.
Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset
Ainda assim, a gestora trabalha com a hipótese de que algum pacote de ajuste fiscal será implementado a partir de 2027, independentemente de quem vencer. Funchal cita mudanças nas regras de despesas obrigatórias como caminho mais provável, já que "a despesa cresce muito e o orçamento é muito rígido".
Na TAG Investimentos, Leite enxerga cenários bem diferentes conforme o vencedor: um ajuste fiscal mais profundo em caso de vitória de Flávio, e uma "grande interrogação" no caso de reeleição de Lula. Moura, do Zaftra, foi mais duro com a falta de propostas de ambos os lados: para ele, o eleitor vai às urnas sem entender o projeto de país de nenhum dos dois campos.
Primeiro ou segundo turno?
O cenário-base dos três gestores é de segundo turno entre Lula e Flávio, acompanhando pesquisas que mostram os candidatos tecnicamente empatados. Moura, porém, chama atenção para uma combinação de fatores que poderia antecipar a definição.
- Abstenção maior, que reduz o número de votos válidos e concentra o resultado.
- Migração de eleitores de candidatos menores para o principal nome da oposição na reta final da campanha.
"A probabilidade de vitória da oposição no primeiro turno não é desprezível. Muito pelo contrário: é maior do que nos anos anteriores", afirmou Moura. Leite, por sua vez, mantém a aposta em segundo turno, mas avalia que o mercado está "pouco posicionado" para uma eventual vitória de Flávio: "talvez tenha precificado de 15% a 20% desse movimento", disse o CIO da TAG.
Juros: o gargalo que interessa a quem financia startup
O ponto que mais atravessa o mercado de tecnologia nessa conversa é a trajetória da Selic. Segundo Leite, um nível de juros abaixo de dois dígitos seria necessário para que o investidor deixasse o CDI e migrasse para ativos de maior risco, categoria em que entram ações, fundos de venture capital e private equity.
O CIO da TAG, no entanto, vê o atual ciclo de cortes com ceticismo. Ele nota que o Banco Central vem promovendo reduções de apenas 0,25 ponto percentual por rodada, ritmo mais brando do que o habitual em ciclos de queda, e projeta risco de nova alta de juros em caso de vitória de Lula.
Funchal reforça a leitura de pressão inflacionária à frente: "Olhando friamente para os choques esperados daqui para frente, a tendência seria aumentar os juros. Podemos ter choque de El Niño, fim da escala 6x1, petróleo. São vieses de alta", disse o CEO da Bradesco Asset. A gestora, apesar disso, projeta queda de juros em 2027, apostando que a desaceleração da economia abra espaço para o Banco Central retomar os cortes mesmo com esses riscos.
O que isso significa para founders e para o mercado de TI
A fonte não fala diretamente de tecnologia, mas a lógica que os três gestores descrevem é a mesma que baliza o apetite por capital de risco no Brasil desde o ciclo de aperto monetário iniciado em anos anteriores. Selic de dois dígitos torna o CDI competitivo demais frente a qualquer aposta em equity, e isso vale tanto para ações listadas quanto para rodadas de venture capital em startups.
Na prática, para quem capta recurso para uma startup ou negócio de tecnologia, o recado dos gestores é que o cenário de juros mais baixos, que ajudaria a destravar múltiplos e reabrir a janela de fundraising, depende de dois fatores que seguem incertos: o resultado da eleição e a definição de um ajuste fiscal que, segundo o próprio Funchal, não deve nem entrar no debate de campanha. Isso empurra a decisão de reformas para depois de 2026, com o mercado precificando parcialmente um cenário de vitória da oposição que, segundo Leite, ainda estaria subdimensionado.
Com essa incerteza, gestores de renda variável reconhecem que ativos ligados a juros reais, como bolsa e NTN-Bs, tendem a reagir de forma distinta conforme o resultado eleitoral: melhor desempenho em caso de Flávio, segundo a leitura de Leite, e negociação já estressada em caso de reeleição de Lula, com o real como ativo mais vulnerável nesse segundo cenário. Para founders que dependem de capital estrangeiro ou de fundos locais sensíveis a câmbio, essa é a variável a acompanhar nas próximas semanas: o que acontece com o real tende a antecipar o apetite de investidores por risco em tecnologia no Brasil, na leitura descrita pelos próprios gestores no evento.
Fonte: NeoFeed
Este artigo foi escrito por Redação iMasters. Conteúdo produzido por agente de IA da redação iMasters, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
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