Anthropic vai pagar US$ 11,6 bilhões à Akamai por infraestrutura de CPU para agentes de IA
O maior contrato da história da Akamai aposta em capacidade de CPU, não GPU, para sustentar agentes de IA da Anthropic ao longo de sete anos.

A Akamai revelou na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, que a Anthropic vai pagar US$ 11,6 bilhões ao longo de sete anos por capacidade de nuvem da empresa, segundo reportagem do TechCrunch. É o maior contrato da história da Akamai e mais de seis vezes o tamanho de um acordo anterior entre as duas empresas, de US$ 1,8 bilhão, noticiado pela Bloomberg em maio deste ano.
O compromisso não é blindado: de acordo com o registro da Akamai junto a reguladores, ele depende de a empresa cumprir prazos de entrega e metas de disponibilidade do serviço, e qualquer uma das partes pode encerrar o acordo sob certas condições. Ainda assim, o volume dá uma medida do quanto a Anthropic segue devorando capacidade computacional para sustentar seus modelos e produtos.
Por que CPU, e não GPU
O detalhe que separa este contrato da onda de investimentos bilionários em GPU é o tipo de chip envolvido. A Akamai não detalhou para que a Anthropic vai usar a capacidade, mas o TechCrunch aponta que a demanda por CPUs (os chips de uso geral que rodam código e navegam na web) tem crescido conforme agentes de IA↳Agentes de IA42 conteúdosOpera passa a integrar ChatGPT, Claude e outros agentes de IADev (Back & Front) · mar 2026Operações mais inteligentes, decisões mais rápidas: o impacto da IA agêntica na rotina de TIAI · abr 2026Adobe aposta em orquestração de agentes de IA: o que muda para devsDev (Back & Front) · abr 2026Ver tudo em AI → assumem mais tarefas.
Isso importa para quem constrói sistemas de agentes: treinar e servir inferência de modelos grandes é jogo de GPU, mas orquestrar um agente que executa ferramentas, roda sandboxes de código, navega páginas e chama APIs é, na prática, um problema de CPU e I/O. Um agente que abre um navegador headless, executa um script Python↳Python56 conteúdosVSCode + Python + Alexa: Desenvolva e teste skills para alexa localmente com pythonDev (Back & Front) · out 2025Dominando decoradores em Python: um guia completo com exemplosDev (Back & Front) · jan 2025Desenvolvimento de software: diferenças entre Python, JavaScript e JavaGestão Dev & TI · nov 2024Ver tudo em Dev (Back & Front) → ou faz parsing de uma página HTML consome computação de propósito geral, não tensor cores. Se a curva de adoção de agentes segue subindo, times que hoje só planejam custo de GPU para inferência podem estar subestimando o gasto real: a camada de execução ao redor do modelo pode pesar tanto quanto o modelo em si.
A Akamai vem historicamente do mundo de CDN e entrega de conteúdo, com rede de borda distribuída globalmente. Reposicionar essa infraestrutura para workloads de agente de IA é coerente com o que a própria empresa vem sinalizando ao mercado: computação mais próxima do usuário final, útil tanto para servir conteúdo quanto para rodar as tarefas leves e frequentes que caracterizam um agente em produção.
Como funciona o retorno financeiro do lado da Akamai
A Akamai não vai faturar nada com o acordo neste ano. Segundo os executivos, em call com investidores na quinta-feira, a expectativa é de US$ 150 milhões a US$ 300 milhões em receita em 2027 (começando no segundo semestre), chegando a um ritmo anual de cerca de US$ 1,7 bilhão até o fim de 2028.
Para construir essa capacidade, a Akamai espera gastar cerca de US$ 5,5 bilhões, e está adicionando US$ 1,7 bilhão ao capex deste ano só para comprar componentes como memória antecipadamente, provavelmente para se proteger de gargalos de fornecimento.
O warrant que inverte a lógica dos deals circulares
O ponto mais incomum do acordo é a estrutura financeira. Como parte do contrato, a Akamai emitiu à Anthropic um warrant, ou seja, o direito de comprar ações a um preço fixado, referente a ações preferenciais sem direito a voto conversíveis em 7,7 milhões de ações ordinárias, até cerca de 5% do capital em circulação da Akamai, a US$ 111,33 por ação.
Cerca de 2% desse total vira exercível assim que a Anthropic fizer o primeiro pagamento do contrato. O restante está atrelado a gastar mais: cada US$ 3 bilhões adicionais comprometidos com os serviços de nuvem da Akamai destrava mais aproximadamente 1%. Na prática, isso significa que o acordo pode crescer até US$ 9 bilhões a mais, chegando a cerca de US$ 20 bilhões no total, se a Anthropic seguir escalando o consumo.
É a primeira vez que a Akamai atrela um warrant a um contrato de nuvem, e o TechCrunch nota que isso inverte o padrão mais comum nos chamados "deals circulares" de IA, em que fornecedores (fabricantes de chip e provedores de nuvem) investem diretamente nos laboratórios de IA que compram seus produtos. Aqui é o contrário: quem fornece a infraestrutura é quem dá uma fatia potencial ao cliente, crescente conforme o cliente gasta mais. A AMD usou estrutura parecida com a OpenAI no ano passado, atrelando warrants a marcos de compra de chips.
A Anthropic não é estranha a esse tipo de arranjo: Amazon, Google, Microsoft e a própria AMD já investiram ou se comprometeram a investir na empresa ao mesmo tempo em que vendem chips ou capacidade de nuvem a ela. Em dezembro do ano passado, o CEO Dario Amodei disse ao New York Times que a Anthropic não participa desses acordos "na mesma escala que alguns outros players", uma ressalva que ganha peso justamente num contrato deste tamanho.
A reação do mercado foi imediata: as ações da Akamai subiram até 17% no after-hours de quinta-feira, segundo o Wall Street Journal.
O que fica em aberto para quem constrói infraestrutura de IA
Para times de engenharia no Brasil que dependem de nuvem americana para treinar, fazer fine-tuning ou servir agentes de IA, o episódio reforça dois pontos práticos. Primeiro, a economia da infraestrutura de agentes não é só sobre GPU: se CPU e memória viram gargalo (a própria Akamai está comprando memória adiantado por precaução), o custo de rodar orquestração de agente em escala pode subir independentemente do preço de inferência do modelo. Vale revisar contratos de nuvem e cotações pensando na camada de execução das ferramentas do agente, não só no provedor de modelo.
Segundo, a proliferação de warrants e participações cruzadas entre fornecedores de nuvem, fabricantes de chip e laboratórios de IA concentra ainda mais poder de precificação nesse punhado de empresas americanas. Isso não muda o código que um dev escreve amanhã, mas explica por que a volatilidade de preço e disponibilidade de capacidade de IA tende a continuar alta: quando cliente e fornecedor viram sócios um do outro, o incentivo para consumo cresce, e quem paga a conta no fim da cadeia é quem usa a API.
A cláusula de rescisão condicional do contrato, ligada a metas de entrega da Akamai, também é um lembrete de que mesmo compromissos bilionários como este não são garantia de capacidade: dependem de execução operacional que ainda está por vir nos próximos sete anos.
Fonte: TechCrunch
Este artigo foi escrito por Redação iMasters. Conteúdo produzido por agente de IA da redação iMasters, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
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