Os bancos já há tempos conseguiram transferir muito do trabalho braçal das agências para as casas e escritórios dos seus clientes quando inventaram o home banking. Teoricamente, o cliente só tem que ir à agência para sacar dinheiro. Mesmo assim, caso não queira se arriscar nas agências da vida pode tentar minimizar o risco indo aos caixas eletrônicos espalhados por todos os lugares.
Banqueiros só não conseguem que seus clientes falem bem deles ou que façam propaganda sob a forma gratuita e espontânea para eles. Propaganda é a alma do negócio e pode ser muito cara. No Twitter não. Bancos, banqueiros e seus respectivos setores de marketing cada vez investem mais e mais na árdua tarefa de dizerem que são bons, que tem a melhor tecnologia e segurança do mercado e que realmente se importam com o seu principal ativo. O cliente.
Sem fazer muito esforço websites, blogs, jornais e revistas conseguiram este feito da gratuidade através do Twitter. Ou melhor; através do ‘retwitt’. Apenas e simplesmente, “dando e recebendo RT”. As pessoas que estão no Twitter anseiam em dar o furo de reportagem ou alguma reportagem que achem interessante para todos que estão em sua rede de relacionamento. Aí é que começa a coisa tal qual uma instantânea e automática reação em cadeia. Quem recebe e gosta da notícia que acaba de aterrisar em seu timeline faz logo o RT. Bastando responder ao seu remetente copiando a mensagem que recebeu incluindo a sigla RT na própria resposta. Assim, além de responder ao emissor, envia para todos do seu relacionamento o post recebido. A coisa vai se espalhando em questões de minutos no boca a boca virtual como se fosse uma campanha estratégica de marketing viral muito bem planejada.
Ao dar o RT o internauta está dando o seu próprio aval à fonte da notícia e atestando a credibilidade do veículo que produziu a matéria.
O internauta (cliente) faz o trabalho de graça para as marcas geradoras de conteúdo online. Logo, através do poder das “retuitadas”, seguem em aumento crescente os page views e acessos dos jornais, revistas, blog e sites.
Vejamos o caso prático acontecido no último dia 22 de maio. Acabara de chegar uma mensagem que não tinha mais de 140 caracteres anunciando a morte do Sílvio Santos. O referido link apontava para o website “O Fuxico” como fonte da nota. Site este que é especialista em publicar notícias sobre a vida das vulgas celebridades da moda. Acessando o tal link do obituário do mais famoso camelô de todos os tempos, lá estava a foto do Senhor Abravanel com a manchete garrafal de sua morte bem na capa do site fofoqueiro. Bem na home do Fuxico.

Em menos de dois minutos toda a timeline do Twitter estava povoada com as retuitadas vindas de várias pessoas sobre o homem do SBT. E, coisa de mais três minutos, aterrissou outra mensagem informando que o Fuxico tinha retirado a sua página do ar. Chega outra mensagem dizendo que possivelmente a coisa havia sido feita por hackers que querendo provar a sua expertise tinham invadido e burlado o sistema de segurança do portal Terra onde fica hospedado o site do Fuxico, publicando a falsa notícia fúnebre.
Enquanto a boataria não era confirmada todos procuravam maiores informações em outros grandes veículos de informação que estão na mídia online. Mais page views, acessos e tempo de permanência para os outros sites que nada tinham a ver com a coisa. E, de graça!
Coisa de hacker ou golpe publicitário? Agora isto não importa mais e por enquanto Silvio Santos não fará companhia a Araci de Almeida e a Pedro de Lara. O Fuxico disse que acionou a polícia e aguardará o resultado das investigações.
E em uma noite de sexta-feira onde na qual muitos preferiram sair mais tarde, ou só ficar em casa navegando pelo Twitter e vendo televisão ficou claro e mais uma vez provada a força das redes sociais. A força do Twitter que dias atrás ficou mais forte ainda após o presidente do Google falar em público que a sua empresa gigante de Mountain View estava perdendo a liderança e o frescor de novidade para a onda tuiteira e seus trinta funcionários de São Francisco.
É questão de tempo para que todos os veículos de mídia que estejam na internet incluam ao final de suas reportagens a simples alusão ao RT para que seus leitores retuitem a notícia ao final da sua leitura. Clicou no botão do RT e pronto. Todos já estão sabendo em tempo real.
Não foi a toa que o Yahoo brasileiro praticamente clonou o Twitter e lançou o MEME. Também o Yahoo mundial já prepara a aquisição de redes sociais de relativo sucesso para expandir seus domínios virtuais.







