Enquanto você navega pela Internet visitando sites, preenchendo formulários, enviando e-mails você nem imagina que alguns arquivos estão aterrissando e levantando voo do seu computador. E muito menos imagina que a cada decolagem eles podem estar levando na bagagem lembranças como seus dados pessoais, quais os softwares estão instalados em seu PC, quais as últimas compras que você fez pela web, senhas, etc… O pior pode acontecer em sites em que não se conhece a sua idoneidade. Já pensou nos seus dados bancários voando por aí e pousando em mãos sabe-se lá de quem? Isto é pura invasão de privacidade seguida de furto. Mas que arquivos são estes?
Alguns são chamados de cookies. Nome dado para estes arquivos que entram em operação a partir do primeiro momento em que o internauta visita um website, clica em um banner ou acessa seu e-mail. Por que e para que eles servem? Já reparou em alguns sites que identificam o seu nome e senha quando você torna a visitá-lo? Pois é, existe um cookie em seu computador. Estes arquivos estão sempre de prontidão, realmente de stand by só à espera de uma ação sua. Entrou em um site “tal”, pronto, o cookie deste site “tal” já identifica quem você é e já pode executar a ordem que lhe foi dada quando da sua programação. Há uns cinco anos foi divulgado que uma das versões de um dos mais populares programas de correio eletrônico entrava em contato com os servidores da empresa que o desenvolvia à revelia do usuário. Programa este que era oferecido gratuitamente na compra dos antigos modems para acesso discado.
Será que aí está o porquê da gratuidade do software? Os dados pessoais do internauta começam a servir como moeda de troca. Neste específico caso seus executivos disseram que não. Este foi um fato no qual descobriu-se a comunicação “clandestina” B2C. Ou seria na verdade C2B? E o que acontece com os internautas que nem imaginavam (imaginam) que este tipo de coisa pode acontecer? Tipo de coisa esta tipificada no código penal em seu artigo 285 como evasão de informação à revelia de seu dono.
Não foi à toa que mais uma vez no “timing”, Bill Gates lançou uma nova versão do Internet Explorer que de acordo com a configuração efetuada pelo usuário, o navegador passou a avisar com mais detalhamento sobre os cookies que estão tentando aterrizar.
Sinais dos tempos? 1984? George Orwell? Bem, hoje na Inglaterra já existe um sistema de câmeras públicas no qual já estão registrados todos os rostos da população. Pode-se achar um determinado indivíduo na multidão num piscar de olhos. Um pouco mais é verdade: 10 minutos. Este sistema realiza o reconhecimento dos traços do rosto com precisão de 99,9%.
É necessário então se fazer uma analogia com o mundo virtual – Será que aquele indivíduo e/ou aquela comunidade e/ou bairro, etc., está(ão) conectado(s)? Fazendo o quê? O que eles costumam comprar? Vamos cruzar as informações e perfis obtidos em seus computadores e traçar uma estratégia de venda para ele(s). Será a regionalização dos mercados em um mundo globalizado no qual se saberá quando acabou o leite em uma determinada casa. As geladeiras também já estão conectadas à web. Ao mesmo tempo em que isto pode ser confortável, pode ser bem mais perigoso do que se pode imaginar.
Situação hipotética:
Após cruzarem-se os dados coletados em um poderoso banco de dados são tomadas as decisões.
– Xiii!!! O fulano está sem saldo no banco! Então não vamos vender para ele nem dar crédito.
– Por quê?
– Porque já é a “enésima” vez que isto acontece neste ano. Ele vai dar o calote.
Aí é que mora o perigo. Onde estará a privacidade do cidadão? Em um futuro bem próximo no qual aparentemente tudo estará conectado à Internet, tudo se conectará com tudo e a todos.
Logo, as medidas de segurança no mundo virtual devem ser tomadas da mesma forma que são tomadas no mundo real. Ou você atende a porta sem olhar no olho mágico? Mesmo olhando já está difícil.







