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Crime eletrônico em época de festas

Ao
fim de mais um ano temos a época das festas, compras, pesquisas,
viagens, mensagens, scraps, tweets, férias e inúmeras outras atividades
que são fomentadas. Com a Internet, o relacionamento entre pessoas
passou a se dar também na forma de bits, da entrega de um cartão natalino
(e-card) à compra de presentes.

Neste
cenário, somado ao crescimento exponencial do comércio eletrônico, que
deverá atingir 1,63 bilhão este ano, a preocupação dos especialistas é
alertar o consumidor e pessoas em face dos golpes, fraudes e crimes
praticados pela Internet ou se valendo de informações nela publicadas.
Surgem inúmeras “listas de cuidados”. Porém, ignoram os informativos
que o crime eletrônico é mutante e que as técnicas usadas há um ano
podem não mais serem as de hoje em dia.

Deste
modo, apresentamos com um pouco mais de profundidade, cuidados que
pessoas devem ter no uso da Internet na época de festas, de modo a não
se tornarem vitimas fáceis de criminosos digitais e suas modernas
técnicas.

1. Pishing (Pescaria de senhas): Se receber e-mails estranhos, sequer abra!

Nesta
época é comum o envio de e-mails natalinos e gifts cards eletrônicos.
Ao contrário do que pregam, para não se clicar em arquivos em anexo às
mensagens, a orientação aqui é, se possível, sequer exibir ou ler o
e-mail. Crackers têm utilizado técnicas de páginas dinâmicas onde a
simples “exibição” do e-mail pode conduzir ao download transparente de
um backdoor ou malware, que permitirá o controle total da máquina.

E-mail
não é tudo! Tome cuidado com o Twitter, pois criminosos digitais estão
criando mensagens
com urls maliciosas embutidas. O efeito é o mesmo dos e-mails, porém as pessoas que usam o Twitter nem sempre possuem a mesma preocupação.

Ainda,
esqueça esta história de que você não pode clicar em arquivos
executáveis. A verdade é que você não pode clicar em qualquer arquivo
que desconheça, ainda que um simples arquivo de texto. Um arquivo .pdf,
por exemplo, pode conter código embutido que violará sua privacidade
informática rapidamente e de forma imperceptível.

2. E-commerce: “Cadeado” e “Https” não significam segurança.

A
dica sempre passada aos internautas que almejam comprar pela Internet na
época de festas é: “observe um ‘cadeadozinho’ na barra de status do seu
navegador e verifique se a URL da página onde você vai
fornecer seus dados apresenta um protocolo ou os dizeres ‘https//’.
Isso não quer dizer nada hoje em dia! O crackerismo avançado tem se
valido de “fake digital ceritificates” para
falsear aspectos visuais muito informados por sites e empresas como
característicos de “certificado digital” ou “segurança da transação”.
Assim, o site pode até ter esses elementos visuais,
mas o certificado é falso ou, muita vezes, vencido. A dica é abrir o
certificado e constatar dados de validade, a autoridade que o expediu e,
principalmente, para quem foi expedido.

No
mais, valem as dicas básicas de jamais acessar sites de e-commerce por
links, não realizar compras pela internet de lan houses, utilizar
ferramentas que detectam monitoradores de teclado, keyloggers,
testar a segurança do site digitando inicialmente dados incorretos,
observar os processos do sistema em execução, e principalmente, 
verificar o CNPJ da empresa que mantém o site e optar sempre por
compras onde se paga somente no recebimento. Comprar de pessoas
físicas? O risco é seu.

Ainda,
é possível, nos Correios, em caso de compras via Sedex a cobrar, abrir a
mercadoria na frente do atendente, para se constatar eventual fraude,
bloqueando o pagamento no ato (mediante insistência e jeitinho
brasileiro).

3. Páginas comprometidas: jamais aceite, concorde ou pressione “ok” ou “run” em caixas de diálogo ou janelas pop-up de sites.

Como
dito, o crime eletrônico não é mesmo do ano passado e não será o mesmo
o ano que vem, ao passo que se no ano passado o usuário precisava
abrir o anexo de um e-mail para se infectar, hoje basta acessar seu
site favorito. Sim, criminosos digitais avançados utilizam técnicas de
“code injection” e implantam dentro de um site autêntico, um comando ou
instrução maléfica, que pode infectar o computador do usuário (ou
milhões de usuários) que o acessar.

A
detecção é complexa, pois o site é realmente autêntico, mas possui
um pequeno fragmento de código malicioso. A orientação é, após acessar
o site, jamais cliqcar ou confirmar instruções que surgirem em uma caixa
de diálogo ou janelas pop-up
na tela. Na dúvida, force o fechamento do site. Configure seu browser para não executar scripts ActiveX ou para
perguntar antes de qualquer execução.

E
se o site realmente usa “pop-ups” para interagir com os
usuários? Azar o dele, por não contar com uma equipe competente de
webmasters.

4. Superexposição: ninguém quer saber para onde você vai viajar nestas férias!

Ninguém
entra em comunidades sociais senão para se expor não é mesmo? O fato é
que a brisa das festas potencializa esta conduta automatizada dos
brasileiros de “superexposição”. Resultado? Engenheiros sociais e
crackers estelionatários utilizam estas informações para o crime.

Este
ano tivemos contato com casos onde o criminoso utilizou fotos do
TweetPic para tentar extorquir a família de
uma adolescente. Em outro caso, o cidadão postou no Twitter que iria viajar, e sua casa foi assaltada!

A dica é reduzir informações de seu paradeiro nas festas ou não fotografar
lugares em que se encontra. Pense que o criminoso digital pode estar
neste exato momento capturando as informações para aplicar um golpe.

Jamais
viaje para pousadas, chalés, ou apartamentos que reservou na praia sem
antes checar os dados físicos do proprietário, ou com base em meros
contatos via e-mail. Você pode pegar quilômetros de estrada e ainda dar
de frente com criminosos. Em locais desconhecidos, cuidado ao acessar
internet de hotspots ou redes wireless desprotegidas; o que a princípio
pode parecer uma falha da segurança de TI do local pode ser, na verdade,
um roteador ou TAP preparado especialmente para capturar dados de
turistas, inclusive financeiros. Criptografe seu disco rígido nas
férias, para que em caso de roubo ou furto, dados não possam ser lidos
facilmente. Existem excelentes ferramentas disponíveis na Internet.

5. Derrubar sistemas: tem época melhor?

Por
fim, a última recomendação vai para os administradores de serviços de
TI, profissionais de segurança e hackers éticos. Temos identificado a
criação de inúmeros “Malware exploitation Kits” confeccionados especificamente para o Natal! Assim, estas ferramentas
podem desde apenas farejar dados confidenciais a até mesmo executar um
DOS (Denial of Service) nos servidores, tirando serviços, bancos de
dados e sites do ar. Milhares de sites sofrerão varreduras. Isto é um
fato! Seu site ou serviço será testado e sabatinado à diversas técnicas
de intrusão. E onde você estará neste momento? Em casa, comendo
panetone? Infelizmente, ser hacker ético ou profissional de segurança
implica em não ter direito a férias em momentos em que todos podem
assim gozá-las.

Para
os administradores de e-commerce, sabe-se que a época de Natal é o pico
de fraude de crédito. Então, audite os dados dos clientes que se
cadastram em seu site e desconfie de cadastros duplicados ou
inconsistências de padrões de consumo. Para não ter problemas judiciais
relativos a compras indevidas mediante furto de “id”, registre o IP
(Internet Protocol) de conexão dos consumidores e detecte conexões fora
do “padrão”.

A
dica é reforçar o monitoramento, testar agora seu plano de recuperação e
continuidade, analisar logs e conhecer as técnicas e
ferramentas crackers anunciadas para a época. Sabe-se
que é uma tradição cracker trabalhar em épocas onde ninguém está
trabalhando, e se você realmente pensa que pode desligar-se dos seus
sistemas nesta época, sinto muito, e prepare-se para a multa da quebra
do SLA (Acordo de nível de serviço)!

Com
estes cuidados adicionais, aliado ao que comumente é ponderado por
empresas de segurança e sites de tecnologia, usuários e empresas
poderão acrescentar um grau a mais de segurança nas relações de fim de
ano envolvendo, de alguma forma, a tecnologia da informação, o que,
embora não mitigue, poderá reduzir significativamente a possibilidade
de se tornarem vítimas das novas técnicas cracker, e o pior, bem na
época das festas.

é CEO da LegalTech. ITIL Foundation Certificate in IT Service Management. Advogado e Analista de Tecnologia da Informação. MBA em Gestão de TI, Especialização em Direito Eletrônico, VP da Associação Brasileira de Forense Computacional. Professor da Pós em Segurança da Informação do SENAC-Sorocaba, da Pós em Direito Eletrônico da Unigran-Ms. Professor da Pós em Computação Forense da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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