Nos últimos anos, a exposição, a presença e a participação do Brasil em eventos e instituições internacionais cresceram de forma muito significativa. O próximo desafio será liderar algumas dessas organizações.
Entretanto, olhando especificamente para o uso da TI, a chamada “Sociedade da Informação” (conforme definições das Nações Unidas), nossa posição está aquém de muitas nações com nível de desenvolvimento econômico inferior ao nosso: até hoje, não foi possível construir um consenso a respeito de qual deva ser a ‘agenda digital’ do país.
Na prática, vários níveis e órgãos de governo implementaram diversas iniciativas isoladas, como, por exemplo, os Telecentros, programas de informatização de pequenas empresas, incentivos à formação de novos profissionais com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador… sem que ninguém se preocupasse em ter uma linha mestra que harmonizasse esses investimentos.
Talvez a área mais esquecida pelos órgãos governamentais seja a da educação fundamental. A maioria dos laboratórios criados nas escolas funciona na prática como lan-houses gratuitas, onde os alunos se divertem, mas não se beneficiam dessas instalações para a melhoria do seu aprendizado escolar.
Atrás desse vácuo, a iniciativa privada acaba se mobilizando: todo um subsetor dentre as empresas de TI está sendo gerado, com empresas especializadas na aplicação da TI na educação.
Essas empresas trabalham junto a prefeituras, associações de bairro, de classe (como a Assespro) e outras, muitas vezes viabilizando os negócios por meio de ONGs.
O sucesso dessas empresas e ONGs leva não apenas a formar cidadãos aptos a participar da Sociedade da Informação, mas à melhoria efetiva da qualidade da educação fundamental: diversos prefeitos e secretários que implementaram esses programas viram melhorar as notas médias de suas redes escolares municipais nos exames de avaliação, promovidos pelas secretarias estaduais de educação.
Ao mesmo tempo, na medida em que esse tipo de iniciativa ganha escala, de forma silenciosa, o país poderá efetivamente usar a vantagem competitiva, no cenário global, que advém do fato de possuir a quinta maior população do mundo: ninguém duvida que, quanto mais bem qualificada seja nossa população, melhor será nosso futuro. Até mesmo os políticos são unânimes em afirmar que o futuro do país depende da educação.
Esse consenso e o movimento em andamento devem ser comemorados, mas ainda temos que construir uma ‘agenda digital’ que nos permita saldar nossa dívida com o gigante citado no título: a geração que hoje frequenta as salas de aula do ensino fundamental.
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