Google adota URL google.com/goto nos resultados de busca e complica o scraping de SERP
Confirmada pelo Google, a mudança troca links diretos por redirecionamentos server-side. Entenda o impacto em ferramentas de rank tracking e na análise de tráfego.

O Google confirmou ao Search Engine Roundtable que está liberando o uso de uma URL de passagem, google.com/goto, dentro dos resultados de busca. Na prática, ao passar o mouse sobre um resultado orgânico, em vez de ver o link direto para o domínio de destino, o usuário passa a ver uma URL do próprio Google que redireciona para o site. O recurso vinha sendo testado desde julho de 2026 e agora aparece em vários navegadores.
A declaração oficial foi lacônica. Um porta-voz disse à publicação:
Temos um longo histórico de implantação de medidas técnicas contra formas em evolução de abuso, e regularmente tomamos providências para proteger nossos serviços e usuários.
Porta-voz do Google, ao Search Engine Roundtable
Apesar do tom genérico, o alvo é bem claro para quem trabalha com dados de busca: dificultar o scraping automatizado da SERP por ferramentas de terceiros e por empresas de IA↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI →.
O que muda por baixo do capô
Até agora, o link de um resultado orgânico apontava diretamente para a URL da página de destino, renderizada no HTML↳HTML45 conteúdosA importância do HTML e CSS para quem trabalha com UI Design e Design SystemProduto & UX · dez 2024Como hostear seu site HTML gratuitamente com GitHub PagesDev (Back & Front) · jun 2025SQL Server – Como criar um versionamento de código das suas Stored Procedures em HTML e com comentários da alteraçãoData · nov 2020Ver tudo em Dev (Back & Front) → da SERP. Um scraper conseguia ler o HTML, extrair o href de cada resultado e reconstruir o ranking sem seguir link nenhum. É assim que rank trackers e coletores de dados operam há anos.
Com o google.com/goto, o link exposto no HTML deixa de ser o destino final e passa a ser um redirecionamento server-side controlado pelo Google. Segundo Derek Perkins, da Nozzle, citado na reportagem, o Google "vem testando medidas anti-bot que eliminam todos os links client-side em favor de redirecionamentos server-side google.com/goto".
O ponto técnico que ele levanta é o que dói:
Os links goto não podem ser decodificados, então os provedores terão que seguir os redirecionamentos. Isso funciona em testes de pequena escala, mas o Google provavelmente vai tornar isso difícil, já que cada SERP tem centenas de links para decodificar.
Derek Perkins, Nozzle
Traduzindo: antes bastava ler o HTML uma vez por consulta. Agora, para saber qual é o domínio por trás de cada posição, o coletor precisaria disparar uma requisição HTTP adicional para cada link e ver onde o redirect termina. Uma página de resultados com dezenas ou centenas de links vira dezenas ou centenas de requisições extras por consulta rastreada. É um multiplicador brutal de custo, latência e chance de ser bloqueado por IP.
Perkins afirma ter visto o comportamento em "quase 100% de rollout entre vários provedores de IP residencial", com um gráfico mostrando o salto na proporção de SERPs que usam exclusivamente o goto ao longo dos cerca de quatro meses de teste.
Por que o Google está fazendo isso agora
O contexto não é acidental. O Roundtable liga a mudança à disputa judicial do Google com a SerpApi, empresa de scraping de resultados que, segundo a matéria, o Google processou e vem tendo dificuldade de vencer no tribunal. Se não dá para barrar por via legal, barra-se por engenharia: encarecer o scraping a ponto de inviabilizá-lo em escala.
O segundo alvo são as empresas de IA que raspam a SERP para alimentar modelos e produtos de resposta. Aqui entra a leitura de GEO: o Google está protegendo o índice que sustenta seus próprios AI Overviews e o AI Mode enquanto tenta cortar o acesso barato de concorrentes ao mesmo material. É uma jogada de guerra de dados, não de qualidade de busca.
Vale registrar o ceticismo do próprio autor da reportagem, Barry Schwartz: ferramentas de terceiros "vão se adaptar; elas sempre se adaptam". Historicamente, cada camada anti-bot do Google foi contornada. A diferença desta vez é o custo estrutural imposto, não um simples obstáculo de parsing.
O que isso significa para quem faz SEO no Brasil
Aqui é preciso separar dois efeitos com naturezas diferentes.
| Aspecto | Antes | Com google.com/goto |
|---|---|---|
| Link no HTML da SERP | URL direta do destino | Redirect server-side do Google |
| Custo para coletar ranking | 1 requisição por consulta | 1 + N requisições (uma por link) |
| Quem sente | Rank trackers, coletores, IA | |
| Clique do usuário final | Vai ao site | Passa pelo goto e vai ao site |
Para o clique do usuário, nada muda na experiência: ele digita, clica e cai no site. O ponto de atenção é o referrer. Redirecionamentos podem alterar ou mascarar a informação de origem repassada ao servidor de destino, o que, dependendo de como o Google implementar, tem potencial de bagunçar atribuição em logs de servidor e em ferramentas que dependem do referer HTTP. A fonte não detalha esse comportamento, então fica como ponto a monitorar, não como fato confirmado.
O impacto direto e mensurável recai sobre ferramentas de acompanhamento de posição. Se o seu processo de SEO↳SEO4 conteúdosPor que a transição do SEO clássico para a Otimização de Motores Generativos (GEO) exige que se repense a modelagem semânticaMarketing Tech · mai 2026O impacto da pesquisa e do SEO no comércio eletrônico: insights da State of Search Brasil 5Marketing Tech · fev 2025SEO por Elas 2025: Impulsionando e promovendo mulheres no Marketing DigitalMarketing Tech · fev 2025Ver tudo em Marketing Tech → no Brasil depende de rank tracker (Nozzle, e por tabela qualquer coletor que leia SERP), é razoável esperar, nas próximas semanas:
- Aumento de custo dos provedores, possivelmente repassado no preço.
- Latência maior na atualização das posições.
- Lacunas ou instabilidade nos dados enquanto os fornecedores reescrevem os coletores.
A recomendação prática, medindo antes e depois: compare a cobertura de keywords rastreadas e a frequência de atualização do seu painel de rank tracking desta semana contra a de um mês atrás. Se cair, não é problema do seu site, é o goto batendo no seu fornecedor. E confira se os dados de origem no seu servidor (via logs ou GA4) continuam consistentes com o que o Google Search Console reporta, já que o Search Console usa dados do próprio Google e não depende de scraping, permanecendo a fonte mais confiável de posição e cliques orgânicos.
O que fica em aberto
O Google não explicou detalhes de implementação, prazo de rollout completo nem se o formato do goto será rotacionado para dificultar ainda mais a decodificação. Também não há palavra sobre efeito em referrer ou em ferramentas de analytics do lado do publisher. Para quem depende de dados de terceiros, a estratégia defensável é diversificar as fontes de medição, priorizar dados de primeira mão (Search Console, logs, GA4) e tratar rank trackers como sinal complementar, não como verdade única, enquanto o mercado de scraping recalibra.
Fonte: Search Engine Roundtable
Este artigo foi escrito por Sabrina Santos, colunista de SEO do iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters e validação técnica de Tiago Rosa. Saiba como produzimos no expediente.











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