NOTÍCIA

Software livre: ame-o ou deixe-o?

Se você acompanha o noticiário sobre
tecnologia, deve ter reparado em notícias contraditórias
sobre o sucesso do software livre↳Open source71 conteúdosComo o Open Source Está Liberando o Poder da Automação para TodosDev (Back & Front) · out 2025Código aberto: programadores criam software da NASA sem saberDev (Back & Front) · abr 2021N8N: O que é a ferramenta open source que está revolucionando a automação em TI?Dev (Back & Front) · dez 2025Ver tudo em Dev (Back & Front) → no mercado. Se de um lado temos
notícias indicando o sucesso deste tipo de iniciativa –
os vultuosos investimentos da IBM no Linux↳Linux34 conteúdosKali Linux em um Servidor VPS: como, quando e por que usar?DevSecOps · dez 2024Construindo um Windows Service ou Linux Daemon com Worker Service & .NET Core – Parte 2Dev (Back & Front) · jul 2020Criando uma WebApi utilizando .NET, Linux e VSCodeDev (Back & Front) · ago 2019Ver tudo em DevSecOps →, próximos a
US$ 1 bilhão, são citados como o maior exemplo -,
do outro as últimas semanas têm sido férteis
em notícias aparentemente negativas.

Vale lembrar que o StarOffice da Sun deixou de
ser totalmente grátis (vou contar a história completa
deste produto em um futuro artigo), a Intel Capital vendeu sua
participação na Conectiva e a VA Linux passou a
se chamar VA Software (e desenvolver também para Windows).

A leitura de análises publicadas na imprensa
também não tem sido muito esclarecedora: os críticos
afirmam, ironicamente, que as únicas empresas a ganhar
dinheiro com o software livre são as empresas de hardware,
porque deixam de pagar royalties sobre o sistema operacional que
usavam antes (Windows nos PCs, Unix nos mainframes).

Enquanto isso, os analistas do campo oposto afirmam
que o software livre veio para ficar, que sua adoção
em massa é apenas uma questão de tempo, e explicam
algumas atitudes do lado “não-livre” como conseqüência
do sucesso do software livre. Entre as atitudes citadas, aparece
a pressão sobre os preços do software comercial
e a iniciativa da Microsoft em “abrir” o código-fonte
do Windows para grandes usuários e universidades.

Fica-se com a impressão que nenhum dos lados
pode ser totalmente honesto: assim como o Brasil da ditadura militar,
só é possível amá-lo, ou deixá-lo.
Ou você é a favor, ou é contra. Simples demais
para ser um retrato fiel da realidade. A experiência nos
ensina que em tecnologia não existe totalmente certo nem
totalmente errado, como as análises "fervorosas"
ou "religiosas" querem nos fazer crer. A verdade madura
está sempre no meio do caminho.

Para captar melhor a real situação,
é preciso recorrer a resultados de pesquisa. Mesmo com
a presença de uma margem de erro, resultante do uso de
amostras (para manter o custo da pesquisa viável), os dados
disponíveis revelam características interessantes:
a figura foi construída a partir de sete edições
do relatório BRASIL InfoCorp, que contém informações
sobre o número de empresas que usam diversas categorias
de produtos.

Os dados selecionados revelam que a participação
do Linux no Brasil, ao longo dos últimos três anos,
foi crescente, mas apresenta um índice menor de crescimento
nos últimos tempos. As várias linhas indicam a participação
em função do tamanho das equipes de profissionais
de informática das empresas. Qualquer extrapolação
dos dados resulta em previsões apontando para uma estabilidade
nos períodos subseqüentes.

Uma análise mais detalhada dos dados, segmentando
os dados da pesquisa pela atividade econômica das empresas
e/ou organizações pesquisadas, revela uma fortíssima
presença do Linux no setor de serviços educacionais
(escolas técnicas e universidades), que foi o pioneiro
na adoção do Linux. Esses números revelam
que o pico de utilização do Linux neste setor atingiu
63% em abril de 2001. Em abril de 2002 seu índice tinha
retrocedido para 50%.

A situação não é tão
cor de rosa, nem tão preta, pelo menos por enquanto. Gostaria
de concluir observando que o mercado de Tecnologia da Informação
depende de inovação: através dela somos obrigados
a substituir computadores e versões de software, garantindo
receita à indústria.

Através da inovação é
que surgem também novas categorias de produtos enquanto
outras são varridas do mapa. E este é um ponto muito
pouco citado, em relação ao software livre: o modelo
de licenciamento é uma inovação, mas o modelo
de desenvolvimento cooperativo não foi capaz de gerar software
contendo inovação tecnológica.

Linux equivale funcionalmente ao Unix, criado há
mais de 30 anos. Suas interfaces gráficas também
emulam outras já existentes. E a disponibilidade de ambientes
integrados de desenvolvimento é celebrada como novidade.
O que explica, por sua vez, a dificuldade de criar aplicativos
por parte dos desenvolvedores que não participam diretamente
da criação do software livre.

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