Notebook de R$ 1,8 mil ainda é inviável, diz Pauta
Para Arlindo Damian, presidente-executivo da companhia, redução do preço máximo dos desktops contemplados pelo PC para Todos não deve surtir grandes impactos
A extensão dos recursos de financiamento propostos pelo Computador para Todos para notebooks de até R$ 1,8 mil – conforme anúncio realizado ontem pelo Ministério da Ciência e Tecnologia -, representa ainda uma oferta impraticável no mercado nacional. A opinião é de Arlindo Damian, presidente-executivo da Pauta, distribuidora credenciada pelo programa do governo federal a partir de sua marca própria de PCs.
“Um notebook com preço de venda a R$ 1,8 mil teria de custar por volta de R$ 1,3 mil a R$ 1,4 mil na fábrica, e isso não é viável”, ressalta o executivo, que argumenta: “Hoje, trabalhamos com um custo de produção na faixa de R$ 1,8 mil, com os equipamentos disponíveis ao consumidor por R$ 2,3 mil a R$ 2,4 mil”.
Já em relação à redução no valor dos desktops contemplados pelas linhas de crédito, a iniciativa não deve gerar impactos significativos, na opinião de Damian, por conta da série de incentivos do governo – como, por exemplo, a isenção de PIS e Cofins na venda de PCs de até R$ 4 mil, conforme determinado pelo Plano de Aceleração de Crescimento (PAC) – que já propiciaram uma queda dos custos dos equipamentos.
Nas contas do executivo, a indústria consegue produzir um equipamento, atualmente, por volta de R$ 600, chegando a cerca de R$ 850 com o monitor. “Com isso, a medida começou a permitir a venda de computadores mais sofisticados a partir dos mesmos benefícios”, observa Damian, que complementa: “Se o consumidor pode comprar uma mercadoria mais cara, não é justo que também tenha acesso ao mesmo recurso de financiamento”.
Com as novas diretrizes do Computador para Todos, a Pauta descontinua a oferta de sua linha mais sofisticada de PCs por meio da medida. No entanto, os equipamentos, que chegam ao consumidor pelo preço médio de R$ 2,2 mil, continuam a ser contemplados pela isenção de PIS e Cofins.
Aposta mantida
Com a expectativa de atingir uma regularidade de 7 mil peças produzidas ao mês, até o final do ano – atualmente, a produção mensal de peças chega a 4,5 mil mensais -, a Pauta está em negociação com governos estaduais e entidades para a inauguração de uma nova fábrica no País. De acordo com Damian, a companhia está com um projeto pronto para apresentar ao estado de Santa Catarina. Em seguida, deve partir para ações nos demais estados da região Sul.
“Inicialmente, a unidade de fabricação terá capacidade para montagem de 30 mil PCs ao mês, mas a idéia é que esse número chegue a 100 mil, a longo prazo”, estima o presidente-executivo. Para isso, a distribuidora conta com um financiamento de R$ 2,5 milhões pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Desse total, R$ 2 milhões serão destinados à criação da fábricante, enquanto o restante está reservado ao treinamento de mão-de-obra. A construção da nova fábrica está prevista para ter início em 2008.
*Silvia Noara Paladino é reporter do ResellerWeb e da revista CRN
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Redação iMasters




