Falha de segurança afeta centenas de sites de E-Commerce
Enquanto todos estão atentos às falhas de segurança
de rede, nos sistemas operacionais e servidores, tal como
o servidor Web da Microsoft, um outro tipo de falha de segurança
atinge em cheio o E-Commerce nacional, gerando uma situação
que beira o caos: a falha de programação.
As empresas tem abusado consideravelmente no
corte de custos, cortando onde não deviam : na qualificação
profissional de seus funcionários. Um programador de sistemas
client/server é um programador client/server, não web, mas
as empresas tem aproveitado profissionais de outras áreas
de programação para o desenvolvimento web, ou até mesmo pego
autodidatas em desenvolvimento web para realizar o desenvolvimento,
gerando o caos.
Isso porque a arquitetura da web é consideravelmente
diferente das demais arquiteturas conhecidas por um programador
e difere justamente no controle da segurança. Um programador
VB ou um profissional autodidata, com poucas excessões, não
está acostumado com as checagens de segurança que precisam
ser feitas em uma aplicação web, nem tem noção da gravidade
de não realizá-las. Assim sendo, o programador pode até fazer
a aplicação funcionar, porém para uma aplicação web isso não
é suficiente. Um programador não especializado no desenvolvimento
web além de fazer a aplicação perder escalabilidade, sacrificando
os servidores (o que é menos grave, já que o prejuizo disso
é da própria empresa), deixa grandes brechas em seu código
para que ocorra uma invasão do site.
Estas falhas de desenvolvimento geram brechas
de segurança muito mais graves do que as que tem custado pequenas
fortunas às empresas. Basta analisar as últimas brechas de
seguranca noticiadas tanto para ambiente Microsoft como para
ambiente Linux : Quantas pessoas teriam conhecimento técnico
para explorá-las ? Muitas brechas de segurança exigem um grande
conhecimento de redes e muitas vezes também de programação
para poderem ser exploradas.
Isso não acontece com as falhas de programação
das quais estou falando. Qualquer um que tenha lido algum
pequeno texto explicativo sobre as mesmas consegue entrar
em muitos bancos de dados de sites de E-Commerce conhecidos
nacionalmente. Basta utilizar alguns truques em caixas de
entrada de dados para obter dados do banco de dados ou até
mesmo destruí-lo. A simplicidade da falha e o volume de sites
afetados tornam a falha gravíssima. Caixas de login são o
principal (mas não único) alvo. O invasor – Não posso nem
ao menos chamá-lo de hacker, pois não precisa da qualificação
técnica que este tem – através de truques na caixa de login,
pode logar-se em um site como se fosse outro usuário qualquer,
utilizando o recurso “alterar cadastro” que todo site disponibiliza
para obter informações pessoais sobre outros usuários e até
mesmo alterá-las.
A situação torna-se ainda mais grave devido
a um bug no excelente (sem trocadilho, é muito bom) software
de desenvolvimento da Macromedia, o Ultradev : A criação de
um login no Ultradev é feita automaticamente, sem que o pseudo-programador
precise utilizar código. Porém esta criação automática já
trás em seu código uma falha de segurança que torna o login
vulnerável a qualquer invasor na Web. Com certeza milhares
de incautos estão com seus sites on-line e dormem confiantes
de que tem um serviço seguro.
Se isso não bastasse, a reação das empresas
à falha é mais um fator agravante do problema. Selecionei
20 empresas, algumas muito conhecidas, e as avisei da existência
da falha em seus sites. Algumas simplesmente não responderam.
Nenhuma se interessou em uma consultoria para checagem de
segurança de seu site e apenas 1 (sim, 1, 5%) conseguiu resolver
o problema sem ajuda.
A corrida pela colocação de serviços on-line
tem levado as empresas a fazerem sites cada vez mais rapidamente,
levando ao ar sites minimamente funcionais. A primeira coisa
que é cortada do cronograma de projeto (se é que chega a entrar)
é a checagem de segurança da aplicação desenvolvida.
Que as empresas cortem custos em sua mão de
obra interna, é aceitável. Mas isso deve ser feito sabiamente,
contratando-se uma consultoria externa para que, depois da
aplicação pronta, possa haver uma análise do produto desenvolvido
e possam ser feitas correções, especialmente no tocante a
segurança.
Este assunto não é novo. Há um ano um programador
foi preso por tentar explorar esta falha, mas o assunto não
ganhou a devida repercursão, foi noticiado pelo jornal “estado
de S.Paulo”, a notícia pode ser encontrada em www.estado.estadao.com.br/suplementos/info/2001/04/02/info034.html
e em www.estado.estadao.com.br/suplementos/info/2001/04/02/info022.html
.
Mas nada disso abalou as empresas, que continuam
deixando os dados de seus usuários a mercê de qualquer invasor.
Pode-se fazer mais uma tentativa.
Às empresas, fica minha recomendação de utilizarem
consultorias externas para checarem a segurança de seus sites.
Todo projeto web, sem excessão, deve passar pela etapa de
checagem de segurança. A minha empresa, Búfalo Informática,
passou a realizar este serviço e a fornecer um atestado de
segurança para a programação do site.
Aos usuários só posso recomendar que não usem
E-Commerce, até que eles comprovem serem realmente seguros.
Cobrar das empresas que obtenham o atestado de segurança que
mencionei acima pode ser um bom passo.
Aos programadores, que conscientizem-se de
que a arquitetura web é diferente das demais e que precisa
ser cuidadosamente estudada para que seja possível desenvolver
uma solução realmente escalável e segura.






