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Conservadores ditam o ritmo da inovação tecnológica

Milhões de usuários com acesso às novidades tecnológicas que são lançadas cada vez mais rápido no mercado optam por ignorá-las. Eles acompanham a tecnologia no ritmo que lhes é mais conveniente. De acordo com especialistas, esses “conservadores” da tecnologia desempenham um importante papel para determinar o ritmo da inovação, mas eles não são inimigos da tecnologia. Para citar alguns exemplos: em fevereiro deste ano, usuários do Netscape correspondiam a 0,14% do total de internautas, de acordo com a OneStat.com, empresa que monitora o tráfego online. É uma porção de mercado muito pequena, mas que representa mais de um milhão de usuários, muitos ainda equipados com versões antigas do navegador. Além disso, mais de nove milhões de pessoas continuam a pagar entre US$ 10 e US$ 25 mensalmente pelo acesso à conexão discada da AOL. O serviço está em decadência, mas ainda não pode ser ignorado, pois representou a maior parte dos US$ 5,2 bilhões em receita que a America Online registrou no ano passado. Situação semelhante pode ser vista no Yahoo, que atualizou seu serviço de e-mail ano passado, mas dezenas de milhões de pessoas continuam a optar pelo formato clássico.

Isso ocorre porque as pessoas se apegam às tecnologias que utilizam por várias razões: lealdade, satisfação, nostalgia, medo de perder tempo com atualização e até mesmo inércia. Para Paul Saffo, especialista em previsões sobre tecnologia no Vale do Silício, esses usuários são cruciais para equilibrar o ritmo da mudança, pois “inovação requer o impulso dado pelas pessoas que adoram novidades e a resistência das pessoas que querem saber se alguma coisa realmente funciona antes que a adotem. Se vivêssemos num mundo em que as escolhas fossem ditadas apenas pelas pessoas que adotam produtos primeiro, nós todos estaríamos usando rádios walkie-talkie e aparelhos de som quadrifônicos”.

Saffo ainda afirma que uma mesma pessoa pode ser “retardatária” (resistente a mudanças) e, ao mesmo tempo, promotora de mudança. Ela pode, por exemplo, adquirir a mais avançada câmera digital, mas usar somente alguns dos recursos oferecidos, ou ter um iPhone, mas continuar a pagar suas contas usando um antiquado talão de cheques, em lugar usar esse tipo de serviço online.

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