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A Internet é a resposta. Qual era mesmo a pergunta?

Todo mundo estava feliz e satisfeito com a publicidade, o marketing direto e as várias formas de comunicação de massa quando, sem ser convidada e sem pedir licença, surgiu a tal “rede mundial” e todos os seus serviços, que até hoje pouca gente sabe quais são.

A Internet e os outros produtos de comunicação digital (CD-ROM, DVD-ROM, multimídia, realidade virtual, videogames, WAP, P2P, ICQ etc.) às vezes parecem como sexo para adolescentes: ninguém sabe o que é direito mas todo mundo fala sobre e quer fazer. E, por mais insatisfatória que seja a experiência, fazem questão de contá-la para todo mundo em detalhes. E isso acontece porque, como o sexo para adolescentes, a internet é uma experiência nova, digital, diferente de tudo que já foi feito antes em termos de comunicação. A TV lembra, na maior parte de sua comunicação, teatros e tribunas, que são conhecidas desde que o mundo é mundo. O jornal e as revistas usam papel, que, desde crianças, ao manipular o Tio Patinhas, sabemos como funciona. Já para a comunicação digital não existem parâmetros, referências ou estruturas conhecidas. Assim, como não há — com perdão da má palavra — paradigmas, faz-se de tudo e tudo é lindo, lindo, lindo, um desbunde. Falar em qualidade é, seguramente, mudar de assunto.

A entrada dos computadores nas comunicações causou três “revoluções” em um período de pouco mais de dez anos, virando empresas de cabeça para baixo, desempregando e abrindo espaço para novos profissionais. Primeiro foi a desktop publishing, ou editoração eletrônica, que substituiu todo o processo de design gráfico que vinha sendo feito, com poucas modificações, desde a invenção da tipografia móvel pelo velho Gutenberg. Depois foi o vídeo digital, que substituiu as câmaras de tubo e o processo de edição usando fitas magnéticas e gerações. Agora é a internet que chega para deixar todo mundo confuso. Não é à toa que ela provoque tantas reações apaixonadas.

A chegada da internet, na realidade, tem muito pouco a ver com a informática e não pode ser comparada com a transformação causada pela entrada dos Macintoshes coloridos nos estúdios em 1986 (eu sei, você não é dessa época, mas saiba que livros inteiros como esse já foram feitos sem computador). A editoração eletrônica e o vídeo digital nada mais são que meras extensões de um processo que todo mundo estava acostumado a fazer: troca-se a Letraset pelas famílias de letras de computador, o aerógrafo pelo Photoshop e o resto continua igual. Já para a internet tudo muda: ao fazermos criação digital não estamos aprendendo a falar outra língua, estamos aprendendo outra forma de comunicação. E aí não dá para traduzir um texto em alemão para linguagem de surdo-mudo. Até dá, mas o resultado é pobre.

A internet não será a última revolução, pelo contrário: de agora em diante elas tendem a ser cada vez mais constantes e volumosas. Vêm aí a TV interativa, o papel digital e a wireless broadband. Depois disso, nem o céu será o limite.

é professor-doutor de Comunicação Digital da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP há 19 anos. Trabalha com internet desde 1994 e já foi diretor de algumas das maiores agências de publicidade do país. Hoje é consultor em inovação digital, com clientes no Brasil, EUA, Europa e Oriente Médio. Autor do livro "Enciclopédia da Nuvem", em que analisa 550 ferramentas e serviços digitais para empresas. Mantém o blog www.luli.com.br, em que discute e analisa as principais tendências da tecnologia. Escreve a cada duas semanas no caderno "Tec" e na Folha.com.

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