Gerência de Projetos Dev & TI

21 abr, 2014

A sociedade baseada no conhecimento

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Acompanhe a série sobre conhecimento: Mas afinal o que é conhecimento? e Criação do conhecimento nas organizações.

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Vivemos na Era da Informação e do Conhecimento, um mundo novo, onde o trabalho físico é feito pelas máquinas, cabendo ao homem à tarefa para a qual é insubstituível: ser criativo, ter ideias.

A era da informação há algumas décadas vem sendo superada pela onda do conhecimento. Como o aumento da quantidade de informação disponibilizada pelos meios informatizados vem crescendo exponencialmente, agora, a questão está centrada em como gerir esse mundo de informações e retirar dele o subsídio para a tomada de decisão. Desenvolver competências e habilidades na busca, tratamento e armazenamento da informação transformam-se num diferencial competitivo dos indivíduos nas corporações (SANTOS, 2006).

Não basta ter uma grande quantidade de informação, é necessário que essa informação seja tratada, analisada e armazenada de uma forma que todas as pessoas envolvidas tenham acesso sem restrição de tempo e localização geográfica, e que essa informação agregue valor às tomadas de decisão (SANTOS, 2006).

É extremamente importante que haja um ambiente de trabalho integrado, no qual os processos fluam e sejam administrados de forma transparente, que as tarefas e as atividades a serem desenvolvidas pelas equipes tenham uma gestão centralizada, porém compartilhada (SANTOS, 2006).

É necessário que o desenvolvimento de um determinado projeto seja organizado e disponibilizado para uma posterior consulta e fonte de pesquisa para projetos futuros, ou seja, é necessário criar um meio que resgate a memória e o bem maior de qualquer organização, que é o conhecimento gerado pelas pessoas que fazem parte dessa organização. É preciso ter um ambiente colaborativo, e posteriormente uma gestão do conhecimento que flui nesse ambiente de colaboração (SANTOS, 2006).

A tecnologia da informação (TI) tem um papel significativo na criação desse ambiente colaborativo e posteriormente a uma gestão do conhecimento. No entanto, é importante ressaltar que a tecnologia da informação desempenha seu papel apenas promovendo a infraestrutura, pois o trabalho colaborativo e a gestão do conhecimento envolvem também aspectos humanos, culturais e de gestão (BARONI et al, 2004).

Os avanços da tecnologia da informação têm contribuído para projetar a civilização em direção a uma sociedade do conhecimento. A análise da evolução da tecnologia da informação de acordo com Baroni et al (2004) é da seguinte maneira:

Por 50 anos, a TI tem se concentrado em dados – coleta, armazenamento, transmissão, apresentação – e focalizado apenas o T da TI. As novas revoluções da informação focalizam o I, ao questionar o significado e a finalidade da informação. Isto está conduzindo rapidamente à redefinição das tarefas a serem executadas com o auxilio da informação, e com ela, à redefinição das instituições que as executam. Drucker (1990, p. 82, apud BARONI et al, 2004, p. 213).

Hoje, o foco da Tecnologia da Informação mudou, tanto que o termo TI passou a ser utilizado como TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação. E, dentro desse universo, novas ideias como colaboração e gestão do conhecimento poderão ser edificadas, porém, mais uma vez, é importante enfatizar que nenhuma infraestrutura por si só promoverá a colaboração entre as pessoas, essa atitude faz parte de uma cultura que deverá ser disseminada por toda a organização, é necessário uma grande mudança de paradigma (MELO et al, 2006, p. 19).

Figura 1. Evolução do conhecimento entre a era industrial e a era da informação.conhecimento

 Fonte: Carneiro (2004)

Cruz (2002) classifica as diversas fases da tecnologia da Informação em ERA: (a) a era do papel, (b) a era do suporte eletrônico, (c) a era virtual, (d) a era da internet e (e) a era das tecnologias cognoscitivas.

Atualmente, vive-se a “Era das Tecnologias Cognoscitivas”. Mas o que são as Tecnologias Cognoscitivas? Segundo Cruz (2002), são tecnologias que possuem capacidade para “aprender” com cada evento, cada situação da qual participam em que as ações e as decisões tomadas por tecnologias com tal capacidade serão fruto do reconhecimento do seu próprio saber.

A prosperidade das nações, das regiões, das empresas e dos indivíduos depende de sua capacidade de navegar no espaço do saber. A força é conferida de agora em diante pela gestão ótima dos conhecimentos, sejam eles técnicos, científicos, da ordem da comunicação ou derivem da relação “ética” com o outro. Quanto melhor os grupos humanos conseguem se constituir em coletivos inteligentes, em sujeitos cognitivos, abertos, capazes de iniciativa, de imaginação e de reação rápidas, melhor asseguram sucesso no ambiente altamente competitivo que é o nosso. Nossa relação material com o mundo se mantém por meio de uma formidável infraestrutura epistêmica e de software: instituições de educação e formação, circuitos de comunicação, tecnologias intelectuais com apoio digital, atualização e difusão contínua dos savoir-faire… Tudo repousa, a longo prazo, na flexibilidade e vitalidade de nossas redes de produção, comercial e troca de saberes. (LEVY, 2011b, p. 19).

De acordo com Nonaka e Takeuchi (2008), em uma economia em que a única certeza é a incerteza, a fonte certa de vantagem competitiva duradoura é o conhecimento. As empresas bem-sucedidas são as que criam consistentemente novos conhecimentos, disseminam-no amplamente pela organização e o incorporam rapidamente em novas tecnologias e produtos. Essas atividades definem a empresa “criadora de conhecimento”, cujo negócio principal é a inovação constante.

Referências:

BARONI, Rodrigo et al. Memória Organizacional. In: SILVA Ricardo Vidigal; NEVES, Ana. Gestão de Empresas na Era do Conhecimento. São Paulo: Editora Serinews, 2004.

CARVALHO, Fábio. Gestão do Conhecimento. São Paulo: Editora Pearson. 2012.

CRUZ, Tadeu. Gerência do Conhecimento. São Paulo: Editora Cobra, 2002.

LEVY, Pierre. A Inteligência Coletiva: Por uma antropologia do ciberespaço. Tradução de Luiz Paulo Rouanet, São Paulo: Edições Loyola, 8ª. Edição 2011b. O original é de 1994 (L´intelligence collective. Por une anthropologie du cyberspace).

MELO, Adolfo Menezes Takahashi de et al. O uso de sistemas colaborativos no ambiente corporativo. 2006.154 f. Monografia (apresentada ao final do curso de graduação em Ciência da Computação) –  Faculdades Associadas de São Paulo – FASP, São Paulo.

TAKEUCHI, Hirotaka; NONAKA, Ikujiro. Gestão do Conhecimento. Tradução por Ana Thorell. São Paulo: Editora Bookman, 2008.