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22 mai, 2014

Quatro modos de conversão do conhecimento

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Segundo Nonaka e Takeuchi (2008), o conhecimento é criado apenas pelos indivíduos, pois uma organização não pode criar conhecimento por si mesma sem os indivíduos.

Carvalho (2012) reforça a declaração acima quando afirma que o conhecimento sempre começa com um indivíduo e que as relações que um indivíduo estabelece com outro promovem a troca de alguma forma de conhecimento tácito, como um know-how ou uma crença.

De acordo com Nonaka e Takeuchi (2008), a criação do conhecimento se inicia com a socialização e passa através dos quatro modos de conversão do conhecimento, formando uma espiral. Segundo eles, o conhecimento é amplificado através dos modos de conversão como descrito abaixo.

  1. Socialização: Compartilhar e criar conhecimento tácito através de experiências diretas.
  2. Externalização: Articular conhecimento tácito através do diálogo e da reflexão.
  3. Combinação: Sistematizar a aplicar o conhecimento explícito e a informação.
  4. Internalização: Aprender e adquirir novo conhecimento tácito na prática.

Conforme mencionado anteriormente, a primeira conversão do conhecimento acontece com a socialização, onde ocorre a conversão do conhecimento tácito para o conhecimento tácito. Em seguida, quando um grupo de indivíduos se comoverem em torno do mesmo conhecimento, que ainda é tácito, a tendência é que as conversas, discussões e reflexões levem a uma externalização do conhecimento, ou seja, é a cristalização do conhecimento tácito de cada um na criação de um novo conceito. Neste momento, ocorre a conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito.

Segundo Nonaka e Takeuchi (1997, apud CARVALHO, 2012), a chave para a criação do conhecimento encontra-se nessa conversão, pois é através dela que são criados os conceitos explícitos a partir do conhecimento tácito. Contudo, esse processo não é simples. Para os autores Nonaka e Takeuchi (1997, apud CARVALHO, 2012), a eficácia e a eficiência dessa conversão dependem do cumprimento de três etapas:

  • Metáfora: Nessa etapa, são feitas associações livres entre conceitos, abstratos ou não, nas quais se forma uma rede de novos conceitos. Esse processo criativo e cognitivo revela incoerências e contradições devido às associações de diversos conceitos, porém a partir dessa diversidade um novo conceito é esboçado.
  • Analogia: Nessa etapa, as contradições originadas na etapa da metáfora são harmonizadas através de um processo de associação mais estruturado e lógico que se baseia nas semelhanças estruturais e/ou funcionais entre duas coisas. Nesse processo, o novo conceito desprende-se dos anteriores e ganha autonomia, tornando-se explícito.
  • Modelo: Após um novo conceito tornar-se explícito, ele pode ser finalmente modelado, isto é, transformado em modelo lógico em que não ocorram contradições e os conceitos e preposições sejam expressos em linguagem sistemática e lógica coerente.

Dando continuidade à conversão do conhecimento, Carvalho (2012) explica que, quando um grupo de indivíduos explicitou o conhecimento por meio de um novo conceito, é de responsabilidade da organização disponibilizar esse conhecimento explícito de modo que todos os outros grupos sejam capazes de fazer combinações desse conhecimento explícito com outros que já existem em seu ambiente interno e externo. Dessa forma, eles poderão combinar os conjuntos de conhecimentos explícitos e sistematizar cada conceito em sistema de conhecimento. Neste momento, ocorre a conversão do conhecimento explícito em conhecimento explícito. De acordo com Carvalho (2012), esse processo acontece com extrema frequência nas organizações, pois ocorre uma troca e combinação de conhecimento por meio de documentos, telefonemas, e-mails, reuniões etc. Neste contexto, Carvalho (2012) menciona que é importante perceber que as redes de comunicação computadorizadas e as bases de dados são ferramentas que podem facilitar muito todo esse processo.

Segundo Carvalho (2012), a combinação é um processo que viabiliza a disseminação do conhecimento dentro da organização, porém para que isso aconteça com sucesso é necessário que haja a internalização do conhecimento. Isso quer dizer que a organização deve processar o conhecimento explícito e capacitar o indivíduo de modo que ele seja capaz não só de assimilar esse conhecimento, como também de incorporá-lo ao seu conhecimento tácito. Essa fase do processo descreve o modo de conversão do conhecimento explícito em conhecimento tácito.

Carvalho (2012) recomenda que nesta etapa da criação do conhecimento sejam elaborados manuais e documentos para o processamento do conhecimento explícito, ao passo que programas de treinamento e estágios ajudam na capacitação do indivíduo, em que mais importante é o estabelecimento de uma comunicação clara e direta para o processo como o todo.

Silva, Soffner e Pinhão (2004) a respeito dos modos de conversão do conhecimento:

  • DE TÁCITO PARA TÁCITO: Socialização – processo de criar conhecimento tácito comum a partir da troca de experiência.
  • DE TÁCITO PARA EXPLÍCITO: Externalização – processo de articular conhecimento tácito em conceitos explícitos. Geralmente essa articulação é efetuada através de metáforas, analogias, conceitos, hipóteses ou modelos.
  • DE EXPLÍCITO PARA EXPLÍCITO: Combinação – processo de agregar conhecimentos explícitos, novos ou já existentes, num sistema de conhecimento como um conjunto de especificações para um novo produto ou serviço.
  • DE EXPLÍCITO PARA TÁCITO: Internalização – processo de incorporar conhecimento explícito em tácito. Está geralmente relacionado com aprender fazendo.

 Figura 1. Quatros processos de conversão do conhecimento.

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Fonte: NONAKA e TAKEUCHI (1995, apud SILVA E NEVES, 2004, p. 188)

De acordo com Carvalho (2012), podemos considerar que a Figura 3 e os quatro modos de conversão do conhecimento como sendo o modelo SECI (Socialização, Externalização, Combinação e Internalização) de Nonaka e Takeuchi. Ele ainda enfatiza que é de suma importância deixar claro que a dinâmica desse modelo não é nem em linha reta e nem é em círculo, mas ela acontece em espiral.

 Figura 2. Espiral do Conhecimento.

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 Fonte Nonaka e Takeuchi (1997, apud SCHONS e COSTA, 2008)

Além dos modos de conversão do conhecimento, há os “níveis ontológicos”, os quais Carvalho (2012) entende como sendo as entidades criadoras de conhecimento: (a) o indivíduo, (b) o grupo, (c) a organização e (d) a interorganização. Observando essa sequência, pode-se identificar uma progressão do conhecimento tácito para o explícito, porém o movimento de espiral pressupõe uma volta constante, e portanto tal progressão não ocorre em linha reta.

Referências:

CARVALHO, Fábio. Gestão do Conhecimento. São Paulo: Editora Pearson. 2012.

CRUZ, Tadeu. Gerência do Conhecimento. São Paulo: Editora Cobra, 2002.

SILVA, Ricardo Vidigal da; SOFFNER, Renato; PINHÃO, Carlos. A Gestão do Conhecimento. In: SILVA Ricardo Vidigal; NEVES, Ana. Gestão de Empresas na Era do Conhecimento. São Paulo: Editora Serinews, 2004.

SCHONS, Cláudio Henrique e  COSTA, Marilia Damiani. Portais corporativos no apoio à criação de conhecimento organizacional: uma abordagem teórica. Data Grama Zero, Revista de Ciência da Informação, v.9,  n.3 , 2008. Disponível em: http://www.dgz.org.br/jun08/Art_02.htm

TAKEUCHI, Hirotaka; NONAKA, Ikujiro. Gestão do Conhecimento. Tradução por Ana Thorell. São Paulo: Editora Bookman, 2008.