Enquanto houver separação entre o observador e a coisa observada, haverá divisão – Krishnarmuti.

Um mundo mais conectado é muito mais dinâmico do que um menos conectado.
Um mundo mais povoado nos leva a problemas mais complexos e mais urgentes, o que acelera ainda mais a taxa de velocidade das mudanças.
Um mundo hiper-povoado e hiper-conectado acelera a demonstração de problemas, pois o que estava mais oculto na era cognitiva impressa/eletrônica está vindo à tona com força na nova era digital.
A escola atual foi concebida para um mundo com uma alta taxa de imobilidade, de repetição e de baixa criatividade.
Um mundo da linha de montagem, baseado na hierarquia piramidal, na qual o paciente, o consumidor e o aluno, entre outros, não tinham tanta voz. Estamos passando, basicamente, para um mundo no qual o cidadão tem mais voz do que no passado e isso muda, como toda revolução cognitiva, a maneira que estamos no mundo.
Um mundo com taxa maior de mobilidade nos condiciona a uma escola mais criativa, pois o mundo pede mais inovação.
Não é o mercado que nos leva a uma nova escola, mas o novo mundo, no qual o mercado também está inserido, que nos coloca nesse impasse!
O ciclo dos produtos se reduziu, bem como o da duração de uma empresa – buscar sempre um novo paradigma é preciso.
Mudar ou morrer!
A escola, que é uma ferramenta humana para se viver melhor, deve ajudar a sociedade a formar um novo perfil de aluno, que possa ser mais adaptado a esse mundo mais rápido e mais líquido.
(Note bem que não é o alinhamento a um aluno com computador, mas um aluno que vive em um mundo no qual o computador acelerou as coisas e que ele precisa agir e pensar de forma diferente por causa disso para, inclusive, resolver os problemas que o computador traz.)
Uma escola mais líquida e mais criativa nos leva necessariamente à aproximação do professor e dos alunos à uma maior modificação da realidade.
Se o aprendizado torna-se apenas um processo de transmissão de ideias, reduz-se a taxa de criatividade e aumenta-se a do adestramento.
Altas taxas de adestramento nos levam à perda da capacidade de criar.

Podemos dizer que a realidade no ambiente de aprendizado é apresentada, através do material didático, baseado em assuntos geralmente desencadeados e particionados para que se possa ter um controle e um método de ensino padronizado.
Assim, quanto maior for a separação entre o autor das ideias e o aprendizado, mais alienante este será.
A migração para uma escola mais criativa passa necessariamente pela possibilidade de alteração do material didático, a partir do diálogo estabelecido entre os alunos, guiado pelo professor (uma pessoa com mais experiência na discussão do problema em voga e especializada a facilitar a interação e recriar materiais didáticos, a partir da interação presencial e à distância).
O material didático, além de mutante, deve não mais estar focado em assuntos, mas ser direcionado para problemas.
- Assuntos são cumulativos, não são multi-disciplinares e causam barreiras entre professores e alunos.
- Problemas são sempre renovados, multi-disciplinares e aproximam professores e alunos.
O material didático deve passar, assim, do estado mais sólido, baseado em assuntos desconexos, para um mais líquido de problemas com discliplinas encadeadas.

O material produzido por esses encontros, baseados no diálogo, devem ser armazenados de tal forma a permitir sua contínua alteração, através do uso intenso de tecnologias cognitivas colaborativas (em especial documentos wiki).
- Os professores da escola mais sólida fizeram do material didático a sua identidade, potência.
- Os professores da nova escola mais líquida devem fazer da recriação do material didático, da facilitação, da promoção da conversa a sua nova identidade e potência.
A escola mais líquida tem como principal missão o resgate do diálogo para recriação da realidade, produzindo constantemente um material didático também líquido e colaborativo.
Assim, existem dois tipos de tecnologias cognitivas que vão ajudar a escola mais líquida:
- as presenciais, principalmente a fala e a escuta (tendo um espaço para registros rápidos do diálogo, tal como um quadro branco, que pode ter recursos digitais);
- e as distantes, através do computador em rede sempre voltadas para a melhoria do diálogo, por meio de plataformas com boa interface colaborativa, promovendo a conversa aluno-aluno (de todos que estão focados em dado problema) e professores (de todos que estão focados em dado problema), sem distinção de idade, local, série, escola.
O uso do computador em encontros presenciais para a promoção do diálogo e a recriação de material didático é um veneno.
A falta do computador para encontros não presenciais para a promoção do diálogo e recriação de material didático é um veneno.
O computador em encontros presenciais pelos alunos deve ser criteriosamente utilizado, apenas como instrumento para o ensinamento do seu próprio uso, pois, do contrário, o diálogo presencial terá muito mais dificuldade de ocorrer, devido à dispersão que ele traz para a atenção – principalmente dos mais jovens. Não acredite em geração multi-tarefa!
Sem diálogo, atenção, empenho em aprender de forma coletiva – não há escola líquida!

As tecnologias cognitivas devem, portanto, sempre estar voltadas para ajudar – e não para atrapalhar o diálogo.
A nova escola mais líquida deve, assim, ajudar a formar alunos mais preparados do que os atuais a recriar a realidade mais mutante. Alunos que possam adquirir mais capacidade para se comunicar, de aprender com seus pares, recriando a realidade, em grupo, em rede, seja presencial ou a distância.
A melhor forma de fazer essa migração é através da criação de ilhas (zonas franca) de inovação, nas quais a nova cultura do diálogo deve ser criada sem a intoxicação da escola tradicional.
Ou seja, qualquer tentativa de migrar a escolha sólida para a líquida no ambiente atual será invalidada, pois a cultura anterior (atual) é muito mais dominante do que a nova, eliminando a sua eficácia e capacidade de demonstração de seus méritos. Deve-se fazer essa experiência, de tal forma, a isolar o novo do velho – pois são duas CULTURAS DE ENSINO incompatíveis entre si.
Não, não há, a médio prazo, a opção de se manter a escola sólida.
É apenas uma questão de tempo e principalmente custo (quanto mais se adiar, mais caro e menos planejada e eficaz será a migração!!!).
O mundo mudou com a chegada de um novo ambiente cognitivo (sem volta), que nos traz, cada vez mais, à tona a realidade do que, de fato, é viver com 7 bilhões de pessoas – as alegrias da diversidade e as agruras de termos que nos apertar cada vez mais.
A escola – que é uma ferramenta para ajudar a melhorar o mundo – deve mudar da atual borboleta para um beija-flor para continuar a exercer seu importante papel.
E não, não é batendo mais a asa, ou fingindo que está beijando flores, que vamos fazer essa mudança!
É isso, que dizes?







