Há um vício do mercado que acha que estamos entrando em um mundo novo. E esse mundo é o digital. Porém, o digital é a porta para o mundo novo que cria outra dinâmica de troca humana. Precisamos entender e lidar com o mundo que fica DEPOIS do portão digital.

Recentemente, comecei meu módulo “Conversão 2.0? com o pessoal da Dig10, no IGEC.
A grande batalha inicial que tem ficado cada vez mais clara nessa minha jornada de estudar, apoiar projetos e capacitar novos perfis profissionais tem sido a de tirar o foco da causa e mirar principalmente nas consequências.
Explico.
Há um vício do mercado, que acha que estamos entrando em um mundo novo. E esse mundo é o digital. Porém, o digital é a porta para o mundo novo que cria outra dinâmica de troca humana. Precisamos entender e lidar com o mundo que fica DEPOIS do portão digital.
Na verdade, essa tecnologia nova está mudando a forma de as pessoas estarem no mundo, juntando gente e, por causa disso, podendo criar um mundo novo, nessa ordem.
Então, me veio a frase do título:
Avisa: o digital é o mosquito; a desintermediação, a dengue.
Estamos olhando para a causa e ficando na causa, sem conseguir ver a dor no corpo, a febre e todas as reações que o mosquito digital começa a trazer e ainda muito trará para a sociedade.
Ao pensar em formar alunos para realizar a tarefa do curso do IGEC: “Estratégia em Marketing Digital“, na verdade, estamos dando uma ênfase ao digital, como se ele fosse um lugar ou um campo de estudo.
Não é.
O nome do curso é aquele que o mercado entende, mas meu esforço e de outros professores, assim como da coordenação, é tentar passar que estamos falando de:
“Estratégia de Marketing em um mundo mais desintermediado por tecnologias digitais em redes”.
O digital é apenas um mosquito que nos picou.
É desse profissional com essa visão mais ampla que o mercado necessita.

Temos que, como médicos, olhar o que isso causa nas pessoas.
Podemos dizer que estamos hoje:
- falando muito mais do que quando estávamos hipnotizados pela televisão;
- a conversa, mesmo que as mais bobas, criam canais de interação, fundamentais para que o ser humano se sinta menos só;
- e nesses canais, além das fofocas, rolam coisas que vão nos ajudando a resolver problemas;
- nesses espaços sabemos o que anda funcionando no mundo e o que não anda;
- e sem falar do acesso a informações de desconhecidos, de todos os lugares.
Há, assim, um adensamento das trocas humanas, QUE COMEÇA NO DIGITAL, mas vamos saindo juntos da solidão e começamos a nos ver mais como gente social que sempre fomos, criando maior possibilidade de encontros tanto online como presenciais.
Isso dá um poder e uma maturidade maior para as pessoas, como consequência do digital.
Ou seja, depois que a civilização passa pelo portal digital (como foi com a chegada da prensa em 1450), ela sai mais madura do que era antes e pronta para construir um novo mundo e lidar de forma nova com velhos problemas! O que as empresas precisam hoje não são profissionais que entendam DO DIGITAL, mas sim profissionais capacitados para lidar com um consumidor mais maduro e mais sofisticado, por causa do digital.
A descentralização é o grande fator de mudança e é com esse novo tipo de adensamento humano mais maduro, global, integrado, ágil, viral é que as instituições estão tendo que lidar ainda com pouco sucesso, pois estão olhando para o mosquito e não para a febre!
Avisa geral: o cidadão e o consumidor não são mais aqueles bobinhos que já foram no tempo informacional passivo da mídia de massa, da tevê, do jornal e do rádio!

É preciso, assim, entender que a tecnologia é indutora de cultura, e não a própria cultura! E a nova cultura não é a digital é de um mundo mais desintermediado do que era antes. E é isso que está mudando – uma relação mais madura e desintermediada das pessoas com as organizações! E é para lá que as organizações devem migrar, com ajuda de profissionais que entendam essa mudança e estejam capacitados para ajudá-las a lidar com ela.
São essas as reflexões do primeiro encontro com a Dig10.
E você o que diz?
Vai ficar aí passivo?







