DevSecOpsARTIGO

Downadup

Nesta última semana que passou ficou mais do que comprovada a necessidade em se manter os sistemas operacionais dos computadores sempre atualizados de acordo com as recomendações e novos releases dos próprios fabricantes de software. Seja isto em ambiente corporativo ou doméstico para principalmente as máquinas que possuem o famoso Windows instalado que, no caso, são praticamente 90% dos computadores da Terra.

Desde 2003 não se via uma praga infectar tantas máquinas em uma velocidade tão grande. O worm (verme) downadup conseguiu entrar sem ser notado em 9 milhões de PCs pelo mundo infectando ambientes domésticos e de empresas dos mais variados ramos e portes. O foco primário foi observado na América Latina e na China que juntas responderam por 55,4% das infecções. Incrivelmente os Estados Unidos não foram afetados. Até o dia 26/01 já eram 15 milhões e contando segundo a F-Secure.

Parques de hardwares mal configurados e mal implementados nas empresas são umas das maiores brechas para entrada de pragas virtuais que se consolidam cada vez mais em ameaças latentes e reais. Em conjunto a esta característica está aliada a questão cutural que envolve o elo mais fraco da segurança da informação que ainda é o ser humano.

Foi o que aconteceu neste caso do worm Downdup face a uma falha no Windows. Apesar de a Microsoft ter liberado em outubro de 2008 a correção para esta vulnerabilidade em seu sistema operacional, muitos que o utilizam não procederam à esta atualização tornando o sistema vulnerável e o deixando susceptível à falhas, invasões e incompatibilidades, inclusive, com outros sistemas corporativos. Agora, não a fizeram pelo simples fato de ignorarem tais atualizações denotando assim uma questão cultural. No caso das empresas a coisa pode ser mais grave deixando explicita a falta de uma séria e preventiva política de segurança em tecnologia da informação e comunicação.

Há cinco anos o principal meio de propagação de vírus, worms, malwares e toda a sorte de pragas eletrônicas era a sorrateira entrega via correio eletrônico. Aliás, isto ainda acontece considerando que 84% do trafego mundial de e-mails são caracterizados por spam. Hoje esta entrega também se dá através de simples acessos a websites. Basta que simultaneamente o website visitado esteja comprometido e violado por uma dessas ameaças e a máquina que o estiver acessando também não possua as devidas atualizações em dia para se começar uma infecção em massa ao redor do mundo.

Worms e vírus trabalham sob forma similar explorando as vulnerabilidades reais das máquinas atacadas e as transformam em seus hospedeiros para dali começarem novas infecções e assim por diante. Os vírus visam causar dano imediato paralisando total ou parcialmente máquinas e redes. Os worms possuem um propósito de “aliciar” PCs que estejam a margem da segurança recomendada para transformá-los em redes zumbis que em determinado momento deixam o estado de latência e iniciam ataques e envios de e-mails fraudulentos. Já se noticiou aqui sobre um brasileiro que foi preso na Holanda comandando uma botnet (rede zumbi) com mais de cem mil PCs.

Segundo recentes pesquisas da Websense em apenas um ano (Jan-08/Jan-09) o crescimento de sites infectados foi de 46%. Sendo que 77% destes sites são os que estão catalogados como os 100 mais populares e visitados. Destes 77%, 39% possuíram código inserido que visava o furto de dados pessoais como números e senhas de contas bancárias e cartões de crédito.

Este universo de domínios que atualmente está em pouco mais de 100 milhões de sites pode ser dividido assim:

Web dinâmica ou web 2.0 ? Composta pelos principais 100 sites mundiais onde seu conteúdo é constantemente alterado por clientes e usuários, milhares de páginas por portais, são sites totalmente acreditados, possuem por algumas oportunidades legado obsoleto de sistemas de segurança e demandam análise de conteúdo em tempo real. Estão nesta categoria sites como os de redes sociais, vídeos amadores, fotos e wiki.

Web conhecida ? É a parte mais regional da rede onde os sites, um milhão, possuem boa reputação e seu conteúdo é menor do que a categoria anterior. Podemos dizer que são os sites de serviços públicos e privados como os de companhias de aviação, esportes, locadoras de veículos, governo, conteúdos específicos por nichos, etc.

Web desconhecida ? São os chamados “junk” sites de má reputação como os de pornografia e phishing por exemplo. Surgem aos milhares diariamente com o propósito de prática ilícita e criminosa.

Então se conclui que os usuários de sistemas, sejam os sistemas quais forem, devem mudar a sua forma de pensar onde acham que para tudo funcionar direito basta apenas instalar o produto e pronto. A mudança urge em ser feita de forma que todos tenham como condição de sucesso não só a instalação do programa, mas sim a sua periódica atualização que pode e deve ser automatizada através dele mesmo. Basta fazer uma analogia com os próprios sistemas antivírus que se auto atualizam mais de uma vez por dia.

Não é a toa que ao contrário de outras oportunidades a Microsoft liberou o download do seu futuro sistema operacional de prateleira (em versão beta test) que possivelmente em 2010 já substituirá o decepcionante Vista. Pois assim contará com a pró-atividade wiki de analistas e programadores espalhados pelo mundo afora que certamente identificarão falhas e bugs de forma bem mais rápida do que todos os seus funcionários envolvidos no novo produto denominado Windows 7. Assim não só economizará sob forma direta alguns milhões de dólares em retrabalho interno, bem como indiretamente poupará percalços minimizando de alguma forma o risco de seus clientes serem surpreendidos por ameaças que exploram vulnerabilidades.

Não deixe de pelo menos uma vez ao mês dar uma passada em www.windowsupdate.com para atualizar o seu sistema operacional. Pois com certeza este hábito lhe poupará muita dor de cabeça. Se preferir automatize esta atualização clicando em <iniciar>, clicar com o botão direito em <Meu Computador>, <Propriedades> e depois na aba <Atualizações Automáticas>.

Quanto vale a hora de sua empresa paralisada? O que custará a retomada da operação nestes dias de crise financeira mundial?

é formado em processamento de dados e já atua no mercado de TI há 15 anos. É especializado em segurança da informação e gestão de riscos.

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