A revolução do ePub
A ideia de criar um padrão para publicações digitais (ebooks) não é nova. Lá mesmo nos anos 2000, já existia um padrão chamado “Open eBook Publication Structure”, que já trazia em grande parte da sua estrutura elementos conhecidos do HTML (na verdade, do XHTML).
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No início dos anos 2000 a indústria da música foi impactada pelo formato digital e pela sua distribuição online. Essa indústria reinventou seu modelo de negócios e de distribuição de conteúdo utilizando a Internet. O mesmo aconteceu (aliás, vem acontecendo) com a indústria cinematográfica. O modo como consumimos conteúdo – sejam livros ou revistas – não é mais o mesmo de 17 anos atrás e vem mudando de forma gradativa. Tudo isso está relacionado a padrões abertos.
A ideia de criar um padrão para publicações digitais (ebooks) não é nova. Lá mesmo nos anos 2000, já existia um padrão chamado “Open eBook Publication Structure”, que já trazia em grande parte da sua estrutura elementos conhecidos do HTML↳HTML45 conteúdosA importância do HTML e CSS para quem trabalha com UI Design e Design SystemProduto & UX · dez 2024Como hostear seu site HTML gratuitamente com GitHub PagesDev (Back & Front) · jun 2025SQL Server – Como criar um versionamento de código das suas Stored Procedures em HTML e com comentários da alteraçãoData · nov 2020Ver tudo em Dev (Back & Front) → (na verdade, do XHTML). Esse padrão foi construído pelo IDPF (International Digital Publishing Forum), instituição que tem como objetivo promover padrões para publicações digitais.
A documentação foi evoluindo e surgiram novas especificações até chegar a algo familiar nos dias de hoje: o formato ePub, que foi criado com o objetivo de ser um formato livre e aberto para a publicação de ebooks. Ele evoluiu junto com as tecnologias Web, e atualmente o ePub 3.0 tem suporte para diversos recursos importantes do HTML, como a marcação semântica e a possibilidade de formatação via CSS.
Era de se esperar que as publicações digitais trouxessem novas possibilidades para o usuário. Diferente do livro de papel, a versão digital possibilita a interação com conteúdos externos de forma muito mais fácil. A maioria dos e-readers atuais disponibiliza ferramentas de tradução e até de marcação de conteúdo, permitindo que o leitor compartilhe as marcas com outras pessoas.
A interatividade é algo que também ampliou as possibilidades de consumo de livros. Com um hiperlink em um determinado termo na publicação, podemos acessar instantaneamente aquela referência e retornar para o local em que o usuário havia parado a leitura. No livro de papel, o usuário depende de um computador, tablet ou smartphone para fazer isso.
Outro fator importante a favor dos livros digitais é a questão da acessibilidade↳Acessibilidade11 conteúdosO que é Acessibilidade Web e como tornar seu site mais acessívelDev (Back & Front) · mar 2019Design para veteranos digitais: acessibilidade para nós mesmosProduto & UX · jan 2020Dicas de Front-End para usabilidade, acessibilidade, performance e responsividadeProduto & UX · fev 2025Ver tudo em Produto & UX →. Como a base dos ePubs é constituída em HTML, existem diretrizes que garantem que o conteúdo seja acessível para pessoas com deficiência. Pense em como era antigamente para uma pessoa cega ter acesso ao conteúdo de um livro: o material deveria ser transcrito em braile, gravado em áudio ou lido por outra pessoa. Com o formato de livros digitais, tecnologias assistivas possibilitam que qualquer pessoa possa ler o conteúdo de um ebook, desde que este siga as diretrizes de acessibilidade corretamente.
Construir um ePub é mais simples do que você imagina. Caso você tenha curiosidade de entender como é a estrutura de um ePub, altere a extensão do arquivo de “nome-do-livro.epub” para “nome-do-livro.zip” e abra essa pasta compactada. Você vai se surpreender ao perceber que a estrutura de um ePub se parece muito com a estrutura de uma página HTML: marcação semântica, imagens, arquivos para estilização etc.
O que podemos esperar da evolução do ePub? Muita coisa. Especialmente porque, no início de 2017, o IDPF se juntou ao W3C para a padronização das publicações digitais que eram conduzidas pelo IDPF. Com isso, a padronização do ePub vai usufruir da expertise do W3C em padronizar tecnologias abertas que são desenvolvidas pelo consórcio.
Talvez no futuro tenhamos livros dinâmicos, que se conectem a outras publicações utilizando a Web Semântica, consumindo e trocando informações entre ebooks, ou até mesmo conteúdos multimídia dentro das páginas. Os livros poderão se comportar de muitas formas, dependendo da plataforma de leitura, seja no computador, no e-reader ou imprimindo o arquivo. O usuário é quem escolhe a melhor maneira de consumir o conteúdo da publicação. Isso sem falar que a distribuição digital é muito mais simples e mais barata do que a do livro impresso.
Estamos passando pela mesma mudança na maneira de distribuir conteúdo que aconteceu com a música e com os filmes. Da mesma forma que essas indústrias reinventaram seus modelos de negócios, a indústria literária também terá que se adaptar a novos formatos e criar seus próprios modelos (e já está fazendo isso). Pensando em todos esses aspectos, o W3C Brasil e o Ceweb.br estão trabalhando com diversas iniciativas para fomentar a adoção de padrões abertos para as publicações digitais no Brasil. Informações sobre essas iniciativas estão disponíveis em www.w3c.br e www.ceweb.br.
De agora em diante, podemos acompanhar de perto essa (r)evolução do ePub e usufruir de tudo o que essas mudanças trarão de bom para nós, usuários e consumidores de conteúdo digital.
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Co-autora: Selma Morais é analista de projetos no W3C Brasil e Ceweb.br, um departamento do NIC.br. Formada em Marketing com especialização em Marketing Digital↳Marketing digital4 conteúdosSEO por Elas 2025: Impulsionando e promovendo mulheres no Marketing DigitalMarketing Tech · fev 2025Por que ter um site ainda é relevante em 2025?Marketing Tech · fev 2025SoulCode Academy abre inscrições para cursos gratuitos de Martech e Java Full StackDev (Back & Front) · abr 2022Ver tudo em Marketing Tech → pela Fundação Getúlio Vargas, trabalha desde 2012 com padrões abertos e tecnologias que impactam a sociedade e promovem o avanço da Web aberta. selma@nic.br








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