Dev (Back & Front)ARTIGO

Do fonógrafo ao HTML5

Um fato que sempre me fascinou foi de que as naves espaciais Voyager I e II lançadas em 1977 carregavam a bordo discos fonográficos de ouro conhecidos como Voyager Golden Record, que carregam sons que tentam de alguma maneira representar a riqueza e a diversidade sonora da nossa civilização.

Muitos afirmam que a possibilidade de esse material ser encontrado (e decodificado) é praticamente zero, mas, caso isso ocorra, os felizardos terão uma visão da Terra do passado, uma cápsula do tempo!

Provavelmente não faremos feio, já que nossos “irmãos” alienígenas poderão se deliciar admirando Beethoven, Guan Pinghu, Mozart, Stravinsky, Blind Willie Johnson and Chuck Berry.

Conheça o projeto Voyager Golden Record : http://pt.wikipedia.org/wiki/Voyager_Golden_Record

A representações espaciais dos nossos aspectos culturais, como a pintura e a escultura, sempre levaram vantagem em relação aos aspectos temporais, como o som e a música.

A volatilidade e a instantaneidade das manifestações sonoras sempre intrigaram o homem: como perpetuar e compartilhar o momento, o instante único no qual uma onda sonora atinge o nosso sistema auditivo?

Durante séculos, a única maneira de ouvir música era estar onde ela era produzida, seja na esfera púbica ou na esfera privada. Já reparou como na casa seus avós, bisavós ou tios sempre tinha quem sabia tocar algum instrumento?

Na Suíça, em 1880, um concerto em Zurique foi transmitido por linhas telefônicas até Basel, a uma distância de cerca de 80 km; no ano seguinte, uma ópera em Berlim  Alemanha) e um quarteto de cordas em Manchester (Inglaterra) foram transmitidos para cidades vizinhas e, em 1884, uma companhia londrina ofereceu, por uma taxa anual de £10, quatro pares de fones de ouvido através dos quais assinantes seriam conectados a teatros, concertos, palestras e serviços religiosos. E você achava que pay por view e on demand eram inovações da revolução digital?

(Chanan, Michael – Repeated Takes: A Short History of Recording and Its Effects on Music)

Essas experiências em transmissão sonora à distância são contemporâneas aos primórdios do fonógrafo de Thomas Edson e do telefone de Graham Bell. O primeiro, um dispositivo mecânico, e o segundo um elétrico, deram início à revolução provocada pela mudança radical da maneira pela qual os sons e a música entrariam nas nossas casas e nas nossas vidas.

Ouça The phonograph’s salutation – 1888 (arquivo .mp3) gravação original de 1888 feita com o fonógrafo de Thomas Edson.

Na fronteira da Open Web Platform, a transmissão e a manipulação de áudio na Internet ainda encontram algumas questões a serem resolvidas, muito mais ligadas aos problemas comerciais de uso de formatos e codecs do que às limitações técnicas da sua implementação pelo browser.

O site do W3C oferece informações atualizadas sobre o elemento <audio> no HTML5, e no site/wiki da Mozilla existe um trabalho bem interessante sobre o assunto: Defining an Enhanced API for Audio.

As tecnologias e os formatos mudam, mas o sonho do ser humano em compartilhar e perpetuar o seu registro sonoro pela galáxias de uma maneira ubíqua e semântica torna-se cada dia mais real. Bits viajando pelo espaço, sem átomos, sem discos, sem plugins, autoexplicativos, informação pura…

O mundo digital pode estar conectado com o futuro e abrigado na nuvem, mas não é desvinculado do passado. 

Marketing &amp; Digital Publishing na Soyuz Sistemas e Sócio na Flatschart Consultoria LTDA, empresas com as quais participou do desenvolvimento e implantação de projetos pioneiros nas áreas de Open Web Platform e Marketing Semântico no Brasil. É autor do livro HTML5 - Embarque Imediato, uma das primeiras publicações em português sobre o assunto e coautor do livro OpenWeb Platform. Atua como colunista do portal iMasters e é professor convidado dos mais importantes cursos de MBA do Brasil (FGV, FIA, Trevisan)

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