2011 começou
corrido. Logo na primeira semana, participei de uma conversa com um CIO de uma grande
empresa, e o assunto principal foi sobre Cloud Computing e SaaS.
O assunto foi um dos temas mais debatidos no ano
passado e agora já começamos a ver as primeiras ações concretas.
A conversa é bem emblemática das principais dúvidas que ainda persistem
sobre o tema, e acho que vale a pena compartilhá-la com vocês.
A primeira
questão que apareceu na reunião, e que volta e meia surge nas discussões
sobre SaaS, é se realmente esse modelo reduz os gastos da empresa com
software. Na minha opinião, o modelo SaaS tende a reduzir os custos
iniciais, porque não demanda investimentos prévios em licenças e infraestrutura
de suporte como eventuais aquisições ou expansões de hardware para
acomodar o novo sistema.
Além disso, o SaaS tende a se manter mais
econômico ao longo do tempo, uma vez que observamos que o modelo tradicional
constantemente demanda um upgrade significativo (da versão x para uma
versão y), e esses upgrades muitas vezes representam de 30% a 40% do
custo inicial da aquisição do software. Não existem esses custos
de upgrade no SaaS.
Outro ponto que favorece o modelo SaaS são os custos
de suporte, uma vez que no modelo on-premise devem ser adicionados, aos
custos totais, os custos dos profissionais que suportam o hardware e
o banco de dados.
Outra pergunta
que apareceu na reunião é se realmente um sistema SaaS é mais fácil
e rápido de implementar do que um sistema on-premise equivalente.
O SaaS
tem a vantagem de não haver necessidade de se dispender tempo em instalação, configuração do sistema e dos componentes agregados como um novo
servidor.
Porém uma parte substancial do tempo de implementação de
um sistema aplicativo depende do seu nível de intervenção nos processos
de negócio da empresa. Nessa etapa, não existem maiores diferenças
entre um SaaS e um on-premise.
Uma terceira
dúvida foi como integrar sistemas SaaS com os legados, que operam na
modalidade on-premise. Essa é uma variável importantíssima. Dificilmente
uma corporação de médio a grande porte fará uma migração total
para SaaS de um dia para o outro – eu mesmo tenho dúvidas se conseguirá
fazer essa transformação em um futuro previsível.
Portanto, integrar
SaaS e on-premise é um aspecto fundamental da estratégia de SaaS e
deve ser visto com bastante cuidado. A integração pode ser simples,
com uploads e downloads de e para a nuvem via processos batch, ou em
tempo-real, via Web services. Esta última opção pode gerar alguns
problemas de performance, uma vez que as transações viajarão pela internet.
Se os SLA permitirem eventuais variações de performance
causados pelo elemento externo e incontrolável (Internet), tudo bem…
Na prática,
à medida que mais e mais experiências concretas com SaaS se disseminam,
os receios tendem a diminuir, e o modelo vai se disseminar mais rapidamente. Por outro lado, os gestores de TI não devem ficar alheios à entrada
dos sistemas SaaS nas empresas.
Pela facilidade com que se contrata
e se opera um sistema nesse modelo, os executivos de negócio podem
ficar tentados a bypassar a área de TI e a começar a usar os sistemas
SaaS diretamente. Mas, em algum momento será necessário integrar
o sistema SaaS com os sistemas legados.
Além disso, alguns SaaS, como
o salesforce, permitem a criação de aplicativos add-on através de
uma plataforma própria (como o Force.com, que é um exemplo típico
de PaaS). Escrever esses novos aplicativos vai demandar desenvolvedores
profissionais, e a área de TI deve estar preparada para essa demanda.
2011 vai esquentar
bastante em termos de SaaS. Os profissionais e gestores de TI devem
estar antenados com esse movimento. Minha recomendação àqueles para
os quais ainda “a ficha não caiu” é que deixem de ser observadores
e passem a liderar sua adoção nas empresas.







