As redes de relacionamento virtuais são um sucesso em todas as áreas. Por meio delas, podem ser compartilhadas informações educacionais, pesquisas, profissionais e, ao contrário do que muitos falavam, é possível aumentar a rede de relacionamento real entre as pessoas. Porém, um grupo de relacionamento tem se destacado: a rede de informações médicas.
A princípio pode parecer um problema bastante simples. Fazemos um exame e o laboratório sugere disponibilizá-lo em um site (leia-se: uma potencial rede de relacionamento). Por questões de acessibilidade e simplificação para acesso histórico dos resultados, nós aceitamos. Afinal, é sempre bom mantermos o acompanhamento de alguns exames, como um simples hemograma. O mesmo acontece com informações médicas, como diagnósticos, prescrições, etc. Manter esses dados em um repositório único é extremamente interessante para os usuários, pelas facilidades que a grande rede de computadores proporciona. Grandes fornecedores de tecnologia de Internet, como Google e Microsoft, permitem que cada um de nós armazene informações médicas em bancos de dados criados especificamente para este fim.
Porém, mesmo exames simples podem guardar informações extremamente importantes sobre a nossa saúde. Diagnósticos médicos podem indicar uma série de informações que nem sempre convém deixar com acesso compartilhado.
Enquanto no Brasil há pouca discussão sobre este assunto (e já há laboratórios e médicos utilizando repositórios armazenados na Internet), no exterior já se trabalha com a disponibilização (ou não) de informações genéticas. As pessoas podem fazer um mapeamento genético e armazená-lo na WEB, o que traz implicações graves, visto que algumas situações genéticas podem favorecer o aparecimento de doenças.
Deixar isso livre ou com regras não muito claras, quanto ao formato de divulgação deste tipo de informação, pode abrir o precedente para, por exemplo, determinar a aceitação ou o preço de um seguro saúde. Outra possibilidade é utilizar estas informações no caso de uma contratação. Por mais que se negue, todos nós temos acompanhado a evolução das técnicas de análise de risco e sabemos que as empresas, acertadamente, estabelecem perfis que determinam o maior ou menor interesse por grupos da população. Basta ver o exemplo dos seguros de automóveis. Cada perfil, um preço diferenciado.
Sem dúvida alguma, a utilização de repositórios informatizados e disponibilizados em qualquer tempo e lugar traz uma série de vantagens às pessoas, mas isso não pode ser realizado sem uma ampla discussão da comunidade para que os excessos possam ser evitados. A informação e disponibilização de informações médicas é algo muito sério e exige cautela, como tem sido feito no exterior.







