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Caos em SP: temos estrutura pra banda larga?

No dia 3/07, o estado de São Paulo viveu um grande caos na internet, provocado pelo apagão ocorrido nos serviços de banda larga pela empresa Telefonica, que, dentre outras coisas, presta serviço para o governo do estado e seu centro de processamento de dados. Sem nenhum tipo de aviso prévio, milhares de usuários e cidadãos paulistas foram privados de serviços básicos e essenciais do Poupa Tempo(estações unificadas do governo estadual que oferecem diversos serviços num mesmo local), de delegacias e diversas empresas que utilizam conexões de alta velocidade.

Essencialidade da Internet

O tempo do fascínio infantil com a praticidade da internet passou. Hoje, mais do que nunca, contamos com serviços on-line. Cada vez mais e mais pessoas utilizam e “confiam” boa parte de todos os dados pessoais e profissionais a servidores espalhados pelo mundo, por meio de diversos serviços do tipo.

É bem provável que sua agenda de contatos, seus textos, orçamentos, cotações, planilhas eletrônicas e apresentações importantíssimas estejam on-line, salvas confortavelmente em algum serviço como o Google Docs, por exemplo.

A pergunta aqui é: o que você faria se fosse privado de conexão com internet por um dia inteiro?

Serviços públicos afetados: dependência questionável

Talvez o aspecto mais intrigante (e revoltante) da questão seja: como pode toda uma base de serviços públicos não possuir uma solução alternativa em casos de pane? Como pode o estado mais poderoso do país ter uma única solução em provimento e transmissão de dados, baseado num modelo privatizado de serviços?

Não há, de maneira alguma, a intenção de desmerecer os serviços privados de tecnologia. Muito pelo contrário. A maior parte da evolução tecnológica das telecomunicações brasileiras foi patrocinada por empresas privatizadas, que trouxeram a modernidade ao nosso país.

Porém, descobrir, da pior maneira possível, a enorme dependência existente entre governo e serviço privatizado, fazem pensar seriamente no grande risco que corremos pela total falta de alternativas. Correto seria o governo possuir conexões e serviços de provimento de dados alternativos, não ficando numa situação tão crítica quanto a ocorrida.

Justificativas questionáveis

Pior do que o apagão ocorrido tem sido a forma como assunto está sendo tratado pela própria empresa. Num momento, atribui a pane a problemas com roteadores, mas não cita o que pode ter ocorrido com a redundância. Redes desse tipo são super seguras e devem estar preparadas, até mesmo para grandes imprevistos e danos na rede física. Os investimentos altos, ao que parece, não “seguraram a peteca” quando foi necessário.

Noutro momento, chegou a cogitar a possibilidade de invasão hacker, para depois mudar, não excluindo a possibilidade de falha humana.

Ouvir do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que o serviço da empresa é “vulnerável” soa como um visto final no atestado de pouca competência do poder público em escolher serviços de qualidade para a população, além de dar uma incômoda impressão de “saída pela tangente”. Jogar a culpa somente na empresa não resolve ou justifica a falha.

A realidade confronta o mundo idealizado

Muitos (eu, inclusive), adoram citar o mundo de benefícios que uma sociedade 100% baseada na internet pode trazer. Imaginar um mundo com grande disponibilidade de serviços online não é exagero e carrega, consigo, uma idéia de modernidade e facilidade sempre celebradas.

Quando um fato como esse ocorre, é, no mínimo, necessário, fazer uma revisão de nossos conceitos ou arroubos visionários (lá no fundo todos temos um lado “Mãe Dinah”). Sim, a tecnologia permite uma série de novas possibilidades, no ritmo em que caminha, não é exagero versar sobre um mundo online e moderno, por excelência. Tudo muito bom, se a conexão não cair e deixar um estado inteiro (ao menos os clientes da empresa) de volta à idade das pedras, sem eira e nem beira. Exagero? Não, pois foi exatamente isso o que ocorreu.

Conclusões finais

Não adianta um carro oferecer recursos moderníssimos como computador de bordo, ar condicionado ecológico, air-bag, vidros elétricos e diversos outros “confortos” se o motor ferver sempre, se o câmbio quebrar, se o volante não responder aos seus comandos. Num paralelo, podemos dizer o mesmo da internet. Oferecer um sem número de oportunidades e facilidades modernas a diversos consumidores e depois privá-los disso traz, sem dúvidas, insegurança e manchas irreparáveis à reputação da internet brasileira.

Mais do que nunca é necessário rever o nosso suporte a banda larga, para solificar a confiança empresarial de continuidade de investimentos e negócios neste promissor campo. Se muitas empresas investem pesado e financiam, direta ou indiretamente, os altos investimentos em infra-estrutura de conexões e transmissões de dados em alta velocidade, é direito adquirido de todos cobrar soluções e explicações sobre o ocorrido e, mais importante, receber informações que comprovem e aumentem a confiança nos serviços prestados.

Consultor de UI Design. Criador e editor do uidesign.blog. Bacharel em Design Gráfico pela Faculdade Belas Artes de São Paulo. 17 anos de experiência em projetos digitais nas áreas de design de interfaces, usabilidade e web standards. Administrador da comunidade brasileira de css3 no Facebook (www.facebook.com/groups/cssbrazil/).

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