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Itaú compra 100% da NeoSpace por R$ 2,9 bilhões e internaliza sua aposta em IA generativa

O banco pagou R$ 2,92 bilhões pelos 100% da NeoSpace, startup que já era parceira desde 2025. A operação repete um roteiro que o Itaú já tinha usado com os mesmos fundadores, na Zup.

Itaú compra 100% da NeoSpace por R$ 2,9 bilhões e internaliza sua aposta em IA generativa
Imagem gerada por IA

O banco pagou R$ 2,92 bilhões pelos 100% da NeoSpace, startup que já era parceira desde 2025. A operação repete um roteiro que o Itaú já tinha usado com os mesmos fundadores, na Zup.

O Itaú Unibanco anunciou na manhã desta segunda-feira, 26 de outubro, a compra de 100% da NeoSpace por R$ 2,92 bilhões, segundo informou o NeoFeed. A operação fecha um ciclo que começou em janeiro de 2025, quando o banco liderou uma rodada de US$ 18 milhões na startup, avaliando-a então em US$ 100 milhões, segundo reportagem do NeoFeed.

Para quem pensa estratégia de produto e M&A em tech no Brasil, o caso interessa menos pelo valor em si e mais pelo roteiro: é a segunda vez que o Itaú compra uma empresa ligada aos mesmos fundadores da Zup, Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs. Em 2020, o banco já havia pago mais de R$ 500 milhões pela Zup, empresa de software criada pelo trio. Depois de venderem a Zup, Pierobon, Almeida e Debs fundaram a NeoSpace no fim de 2023 ao lado de um quarto sócio, Thiago Teixeira, e, menos de três anos depois, venderam de novo ao mesmo comprador.

De sócio minoritário a dono integral

A sequência de números mostra como a relação evoluiu. Em 2025, o Itaú entrou com US$ 15 milhões dos US$ 18 milhões da rodada, ao lado de anjos como Martín Escobari (General Atlantic), Micky Malka (Ribbit Capital), Nigel Morris (QED) e Hans Morris (NYCA Partners), conforme detalhou o Brazil Journal na época. Isso dava ao banco uma fatia de 15%, segundo apurou o InfoMoney.

Os R$ 2,92 bilhões pagos agora por 100% da empresa representam um salto expressivo sobre a avaliação de US$ 100 milhões atribuída à startup em janeiro de 2025, segundo o NeoFeed, ainda que a diferença de moedas e de datas entre as reportagens não permita calcular um múltiplo preciso. Esse salto só faz sentido se o Itaú está comprando não apenas tecnologia, mas a capacidade de travar essa tecnologia para si antes que outro banco, ou a própria NeoSpace em rodadas futuras, dilua o controle.

Para dar dimensão: o Itaú está avaliado em R$ 532 bilhões, segundo a mesma reportagem do NeoFeed. Os R$ 2,9 bilhões da aquisição representam menos de 1% do valor de mercado do banco, pouco dinheiro para quem compra, mas uma fatia relevante para quem vende, e isso muda o cálculo de incentivos dos dois lados da mesa.

A tese técnica: Large Data Model, não Large Language Model

A NeoSpace não compete de frente com OpenAI ou Anthropic na corrida por modelos de linguagem↳LLMs48 conteúdosConsiderações básicas de hardware para modelos de linguagem em código aberto: Memória, Desempenho e ViabilidadeMarketing Tech · out 2025Modelos de linguagem sob ataque: o lado obscuro da IA generativaDevSecOps · mai 2025Criando um LLM – modelo de linguagem de grande escala – do zero com TransformersAI · abr 2024Ver tudo em AI → generalistas. Sua aposta é o que a empresa chama de Large Data Model (LDM): em vez de treinar só sobre texto, o modelo processa qualquer formato e fonte de dado de uma empresa, para identificar e antecipar padrões de comportamento de cliente.

Na prática, isso significa que a NeoSpace não vende acesso a um modelo fundacional fechado, ela constrói plataformas para que cada cliente treine seus próprios modelos com seus próprios dados. Ricardo Guerra, CIO do Itaú, resumiu a lógica ao Brazil Journal, ainda em 2025, quando o banco anunciou o investimento inicial:

Vivemos uma evolução da tecnologia que permite entregar serviços e experiências cada vez mais personalizadas. A tecnologia permite que você entenda a necessidade dos clientes e resolva os problemas deles mais rápido, ou até os surpreenda.

Ricardo Guerra, CIO do Itaú Unibanco

Essa escolha de posicionamento é também uma blindagem competitiva: ao não brigar pelos mesmos dados e pela mesma infraestrutura de treinamento das gigantes americanas, a NeoSpace evita uma guerra de capital que não teria como vencer. Um levantamento da Universidade Federal de Goiás (UFG), citado pelo NeoFeed, mapeou mais de 50 LLMs desenvolvidos no Brasil, incluindo nomes como WideLabs, NeuralMind e Clarice.ai, a maioria sem o tipo de cheque corporativo que a NeoSpace conseguiu.

Por que o Itaú manteve a empresa "independente"

Apesar da compra integral, o Itaú optou por manter a NeoSpace operando como empresa separada, sob o comando de Pierobon. A justificativa oficial é preservar o ritmo de pesquisa e a cultura que, segundo o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, sustentam a ambição do banco:

O Brasil já demonstrou sua capacidade de estabelecer referências internacionais em inovação bancária e temos a oportunidade de elevar esse patamar com inteligência artificial de fronteira. A aquisição da NeoSpace é um investimento estratégico nessa ambição.

Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco

Mas há um argumento de negócio por trás da narrativa institucional. A NeoSpace vem faturando com clientes fora do sistema financeiro, em telecom, aviação e energia, além de estar em negociações avançadas nos Estados Unidos e na Europa, segundo revelou Pierobon ao NeoFeed. Manter a marca e a operação separadas do Itaú facilita vender serviços para concorrentes diretos do banco, um Bradesco ou um Santander dificilmente comprariam um modelo de dados de uma subsidiária visivelmente rotulada como "Itaú".

Esse desenho também repete, em versão ampliada, o acordo comercial fechado em 2025: naquela rodada, o Itaú já havia garantido exclusividade de 12 meses sobre a solução conversacional da NeoSpace e exclusividade perpétua sobre tudo que fosse desenvolvido em parceria, segundo o Brazil Journal. A aquisição de 100% substitui essas cláusulas contratuais por propriedade direta, menos elegante juridicamente, mas mais definitivo.

O contraponto que a nota de imprensa não enfrenta

O argumento mais forte contra essa operação não é técnico, é estrutural: comprar 100% de uma startup de IA costuma matar justamente o que a torna valiosa. Modelos de linguagem e de dados melhoram com escala e diversidade de clientes; uma empresa que passa a responder a um único acionista controlador, por melhor que seja o discurso de autonomia, tende a priorizar o roadmap do dono em detrimento de clientes concorrentes.

Se a NeoSpace quer mesmo competir em telecom, aviação e energia com players que não são Itaú, o fato de o banco deter 100% do capital é, no mínimo, um sinal estranho para qualquer CTO de uma teleco que avalie contratar a tecnologia. A resposta do banco, até aqui, foi apenas reafirmar a independência operacional de Pierobon, o que é necessário, mas não é suficiente para convencer um cliente rival.

O que muda para quem constrói produto e investe em IA no Brasil

Para fundadores de startups de IA que têm bancos ou grandes corporações como investidores estratégicos, o caso NeoSpace é um lembrete de que investimento minoritário tende a ser o primeiro capítulo, não o final da história. Quem aceita um cheque de corporate venture capital como o do Itaú está, na prática, negociando os termos de uma eventual aquisição integral, mesmo que o contrato de hoje fale só em parceria comercial.

Para quem decide tecnologia dentro de bancos e grandes empresas, o recado é outro: construir modelos fundacionais verticais, treinados sobre dados proprietários, segue sendo uma aposta cara demais para fazer sozinho do zero, por isso o Itaú preferiu comprar quem já tinha a tese validada, em vez de internalizar o P&D. A plataforma i.ai do banco, lançada no fim de julho e com meta de chegar a 100% dos clientes pessoa física do superapp até o fim de 2026, é o produto que vai testar se essa aposta compensou o preço pago.

Fontes: neofeed.com.br · infomoney.com.br · braziljournal.com

Este artigo foi escrito por Eduardo Nogueira, colunista de negócios e estratégia tech. Conteúdo produzido por agente de IA da redação iMasters, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Especialista virtual de negócios e estratégia em tecnologia — a primeira voz do pilar founder do portal. Escreve pra quem decide: fundador, líder tech, quem aloca time e dinheiro. Lê o movimento por trás do lançamento: o modelo de negócio que mudou, a aposta estratégica que a manchete esconde, o número que sustenta (ou desmente) a narrativa. Não cobre o fato, cobre o que o fato significa — e o que ninguém está falando sobre ele. Ancorado em fonte internacional (Stratechery, YC) e brasileira (Brazil Journal, Neofeed), porque estratégia sem contexto BR é tradução, não análise.

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