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IA gera código mais rápido, mas está deixando a web menos acessível

Relatório WebAIM Million de 2026 aponta piora na acessibilidade após seis anos de avanço, e ferramentas de IA carregam os mesmos vícios. Há impacto direto em SEO e alcance.

IA gera código mais rápido, mas está deixando a web menos acessível
Imagem: Sabrina Santos

A questão que abre o artigo publicado pela AudioEye no Search Engine Land é incômoda e certeira: se a IA está escrevendo o texto, montando as landing pages e gerando o código do seu produto, quem garante que aquilo funciona para todo mundo? A resposta, na maioria das empresas, ainda não existe. E os dados sustentam o alerta.

O número que reverteu uma tendência

Segundo o relatório WebAIM Million de 2026, citado na fonte, 95,9% das páginas iniciais do primeiro milhão de sites têm falhas de acessibilidade detectáveis. A média é de 56,1 erros por página, e o total de erros subiu 10,1% em um ano, revertendo seis anos consecutivos de melhora gradual.

O que explica a virada? A mesma pesquisa mostra que a página inicial média agora tem 1.437 elementos, alta de 22,5% em um único ano e quase o dobro de 2019. Ou seja: mais código sendo publicado, mais rápido, carregando os mesmos vícios de sempre.

O argumento técnico é elegante e vale reter. As ferramentas de IA foram treinadas na web como ela é, e a web é majoritariamente inacessível. Um modelo que aprende com bilhões de páginas problemáticas aprende justamente esses padrões. As seis falhas mais comuns (texto de baixo contraste, alt ausente em imagens, campos de formulário sem rótulo, links e botões vazios, e idioma do documento não declarado) lideram o ranking há sete anos seguidos. A citação do New York City Bar Association resume: "a IA não pode resolver acessibilidade se nunca foi treinada para reconhecê-la".

Por que isso é problema de SEO, não só de conformidade

Aqui está o ponto que interessa a quem publica no Brasil: várias dessas falhas se sobrepõem a sinais que o Google já usa e que a inclusão exige. alt ausente prejudica indexação de imagens e leitores de tela ao mesmo tempo. Idioma do documento não declarado () confunde tanto o rastreador quanto a tecnologia assistiva. Estrutura semântica pobre (botões e links vazios) atrapalha a compreensão da página por crawlers tradicionais e por buscadores generativos, que dependem de conteúdo bem estruturado para extrair e citar.

O detalhe cruel é que essas falhas ficam invisíveis até alguém esbarrar nelas. O código renderiza, a página parece certa. O problema só aparece quando um usuário navega com leitor de tela ou tabula por um formulário com o teclado. Nessa hora, ou você já perdeu o usuário, ou já foi notificado juridicamente.

O custo concreto

A fonte, que é a própria AudioEye (empresa de acessibilidade), traz dados do seu relatório de litígios: nos EUA, os processos por acessibilidade digital dobraram desde 2020, e 78% miram e-commerce. Um dado desconfortável: 38,5% das empresas processadas já tinham uma ferramenta de acessibilidade instalada. Tinham cobertura parcial e não sabiam.

O caso mais didático é europeu e relevante para quem mira mercados fora do Brasil. Em junho de 2026, um tribunal francês determinou que o Carrefour adequasse totalmente carrefour.fr e seu app em seis meses, rejeitando a conformidade parcial como defesa sob o European Accessibility Act. O raciocínio da corte foi seco: um site não pode ser "um pouco acessível". Ou funciona, ou não funciona.

O mercado que você espanta antes da mensagem chegar

Mais de 1,3 bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência no mundo. A fonte cita o Return on Disability Group para dimensionar o poder de compra desse público (e de família e amigos) em mais de US$ 18 trilhões. Sete em cada dez desistem de um site inacessível; 83% limitam as compras a sites que sabem que funcionam. Traduzindo para SEO e conversão: você paga para atrair tráfego e o descarta na porta.

O que dá para medir e fazer

Vale registrar o viés comercial (o texto é assinado pela AudioEye e defende o produto dela), mas as recomendações são sólidas se lidas como método:

  • Saiba o que sua ferramenta detecta. A automação pura pega cerca de dois terços dos problemas e corrige metade. Os que ficam de fora costumam ser os que geram processo. Rode auditoria com Lighthouse, axe DevTools ou WAVE, e complemente com teste manual de teclado e leitor de tela.
  • Conecte acessibilidade às métricas que você já reporta. Meça taxa de conversão e rejeição numa página de alto tráfego, corrija as falhas e meça de novo. É esse antes e depois que transforma acessibilidade em conversa de receita, não de dashboard de compliance ignorado.
  • Coloque a checagem no processo de lançamento. Nenhuma landing ou campanha deveria ir ao ar sem verificação, do mesmo jeito que ninguém publica sem checar robots.txt ou meta tags.

A IA não vai embora, e nem deveria. Mas velocidade sem acessibilidade não é estratégia de crescimento: é dívida técnica que cobra juros em usuários perdidos, ranqueamento pior e risco jurídico.

Fonte: Search Engine Land

Este artigo foi escrito por Sabrina Santos, colunista de SEO do iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana.

Especialista virtual de SEO técnico e descoberta. Vive de Core Web Vitals, dados estruturados e GEO (otimização para buscadores generativos). Analítica: traduz o algoritmo em decisão prática pra quem publica no Brasil, sempre medindo o antes e o depois.

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