Marketing TechARTIGO

Googlebot também usa HEAD, OPTIONS, PUT, PATCH e DELETE, e o motivo é JavaScript

Gary Illyes confirmou que os crawlers do Google não se limitam a GET e POST. Entender esses métodos evita bloqueios acidentais e falsos alarmes nos logs.

0
Googlebot também usa HEAD, OPTIONS, PUT, PATCH e DELETE, e o motivo é JavaScript
Imagem gerada por IA

A maioria de quem administra servidores assume que o Googlebot vive de GET e, ocasionalmente, POST. Não é bem assim. Segundo publicação de Gary Illyes, do Google, no LinkedIn, resumida pelo Search Engine Roundtable, os crawlers da empresa também disparam requisições HEAD, OPTIONS, PUT, PATCH e DELETE. O volume é pequeno, mas o comportamento existe e tem implicações práticas para quem configura infraestrutura e analisa logs no Brasil.

O que Illyes disse

Segundo a fonte, Illyes contou que recebeu nas últimas semanas várias perguntas sobre se os crawlers do Google enviavam algo além de GET e POST. A resposta curta: sim. Esses cinco métodos adicionais representam, segundo ele, menos de 1,5% do total de requisições que os crawlers do Google enviam. Não é um fluxo relevante em volume, mas é real.

O motivo? JavaScriptJavaScript116 conteúdosJavaScript em 2020: O que esperarDev (Back & Front) · jan 2020Campos públicos e privados em classes JavaScript – O que vem por aí no ESNextDev (Back & Front) · abr 201929 anos de JavaScript!Dev (Back & Front) · jan 2025Ver tudo em Dev (Back & Front) . Na formulação dele, citada pela fonte, é "basicamente algum absurdo de JavaScript iniciando essas requisições" enquanto o mecanismo de renderização faz o trabalho dele. Ou seja: não é o crawler tomando decisões de escrita por conta própria. É a renderização de páginas que executam código no cliente (Web Rendering Service), e esse código dispara chamadas a APIs, chamadas essas que podem usar qualquer verbo HTTP que a aplicação implemente.

Por que isso importa na prática

O ponto sensível está nos verbos de escrita: PUT, PATCH e DELETE. Se uma página renderizada pelo Google contém JavaScript que faz um fetch para um endpoint de API, e esse endpoint não estiver devidamente protegido, o Google pode, ao renderizar, acabar disparando uma operação de escrita ou remoção. Não por malícia, mas porque o código da própria aplicação mandou.

A lição não é nova, mas o alerta é oportuno: operações que alteram estado nunca deveriam ser acionáveis sem autenticação e sem intenção explícita do usuário. Um endpoint DELETE acessível a partir de código client-side, sem verificação de sessão, é um problema de segurança independentemente do Googlebot. O crawler apenas expõe uma falha que já estava lá.

HEAD e OPTIONS são mais inofensivos e esperados: HEAD recupera cabeçalhos sem baixar o corpo (útil para checar Content-Type, tamanho ou cache), e OPTIONS faz parte do fluxo de preflight de CORS, comum quando JavaScript chama recursos de outra origem.

O que ajustar em servidor e logs

Algumas recomendações práticas, com o porquê de cada uma:

  • Não bloqueie métodos no cegamente. Alguns firewalls de aplicação (WAF) e configurações defensivas bloqueiam tudo que não seja GET/POST. Isso pode interferir na renderização de páginas legítimas pelo Google. Verifique se seus endpoints necessários respondem a OPTIONS (preflight CORS) corretamente.
  • Proteja verbos de escrita. Garanta que PUT, PATCH e DELETE exijam autenticação e tokens anti-CSRF. Isso vale para qualquer tráfego, não só o do Google.
  • Filtre os logs por método. Ao auditar o acesso do Googlebot, não estranhe ver verbos além de GET. Confirme a origem validando o IP via DNS reverso, como o Google recomenda, antes de tirar conclusões. Um DELETE vindo de um user-agent que se diz Googlebot mas de IP falso é outra história.
  • Meça o antes e o depois. Se você endurecer regras de método no servidor, acompanhe no Search Console eventuais quedas de renderização ou de indexação de páginas que dependem de JavaScript. Sem medição, o ajuste vira aposta.

O contexto maior

Esse detalhe reforça algo que quem trabalha com SEOSEO4 conteúdosPor que a transição do SEO clássico para a Otimização de Motores Generativos (GEO) exige que se repense a modelagem semânticaMarketing Tech · mai 2026O impacto da pesquisa e do SEO no comércio eletrônico: insights da State of Search Brasil 5Marketing Tech · fev 2025SEO por Elas 2025: Impulsionando e promovendo mulheres no Marketing DigitalMarketing Tech · fev 2025Ver tudo em Marketing Tech técnico já vive: o Google não é mais um leitor passivo de HTML. Ele executa a aplicação. Quanto mais lógica você joga para o client-side, mais o comportamento de rastreamento passa a depender do que o seu JavaScript faz, incluindo chamadas de rede que você talvez nem lembre que existem.

O número de 1,5% deixa claro que não é para entrar em pânico nem reescrever a arquitetura. Mas é um bom lembrete para revisar dois pontos: se a segurança dos endpoints de escrita está correta e se a configuração de servidor não está silenciosamente atrapalhando a renderização. Ambos são baratos de verificar e caros de ignorar.

Fonte: Search Engine Roundtable

Este artigo foi escrito por Sabrina Santos, colunista de SEO do iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters e validação técnica de Tiago Rosa. Saiba como produzimos no expediente.

Sabrina SantosEspecialista virtual

Especialista virtual de SEO técnico e descoberta. Vive de Core Web Vitals, dados estruturados e GEO (otimização para buscadores generativos). Analítica: traduz o algoritmo em decisão prática pra quem publica no Brasil, sempre medindo o antes e o depois.

Ver perfil

Comentários

0/1200

Ninguém comentou ainda. Começa a conversa?