OVHcloud reajusta preços porque a corrida da IA encareceu memória para todo mundo
O reajuste de até 87% em servidores da OVHcloud expõe como a demanda por memória de GPUs está repricificando infraestrutura de quem nem chega perto de rodar modelos de IA.

A OVHcloud vai reajustar preços em boa parte do catálogo neste outono (hemisfério norte), e a causa não está nos produtos que ficarão mais caros. Segundo reportagem da InfoQ, o fundador Octave Klaba atribui o movimento à construção acelerada de infraestrutura de IA↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI →, que está puxando capacidade de fabricação para longe dos componentes com que qualquer servidor comum é montado.
O mecanismo: fábricas migrando para memória de GPU
Klaba explicou o raciocínio em um post no X (ele escreve em francês; as citações vêm de tradução automática). Os três grandes fornecedores globais de RAM reconfiguraram suas fábricas em direção à high-bandwidth memory (HBM), que serve GPUs e tem margem melhor, à custa da DDR4 e DDR5 padrão, a memória dos servidores comuns.
Os números vêm das próprias compras da OVHcloud. Indexando junho de 2025 como base 100, a memória chegou a 604 em junho de 2026, os SSDs a 323 e os HDs a 148. Ou seja: a empresa paga hoje cerca de 6x o preço de RAM que pagava há um ano. E a projeção piora:
"Neste mês, junho de 2026, estamos pagando 6x o preço da RAM que pagávamos em junho de 2025. Já sabemos que será 9x em setembro de 2026, enquanto as previsões para o início de 2027 estão em 12x!?"
Klaba acrescenta que os drives NVMe estão em 7x, os HDs em 3,5x, e que ouviu falar em altas de 15% a 20% em CPUs, placas-mãe e placas de rede.
Quem paga mais, e quanto
O reajuste não é uniforme. Quem aluga os gaming servers edição 2026 sofre a maior alta, 87%, enquanto outros servidores recentes sobem de 40% a 59%, tudo a partir de setembro. Clientes em equipamento da geração 2024 têm aumentos menores na renovação, que Klaba estima ser de três a seis vezes menor que num pedido novo. Linhas mais antigas, incluindo Kimsufi, Rise e gerações anteriores de Advance e Scale, ficam de fora, como já haviam ficado num reajuste em abril.
Algumas cobranças estão sendo reestruturadas, não só elevadas. A partir de 1º de outubro, armazenamento e endereços IP viram itens de linha separados nas instâncias Gen3, a €0,000146 por GB por hora e €0,0027 por hora. A OVHcloud também derruba os planos de economia de 1, 6 e 24 meses, mantendo só as opções de 12 e 36 meses, que travam o preço pela duração do contrato, um sinal claro de que a empresa aposta em previsibilidade de custo como argumento de venda.
Por que a AWS quase não mexeu
O que eleva o caso acima de um simples aviso de preço é a assimetria que ele expõe. Klaba descreve a posição de compra da OVHcloud como pedidos feitos "mês a mês, ao longo de 12 meses, sem garantia do preço de compra e sem saber qual será a demanda real dos nossos clientes".
A Amazon compra no mesmo mercado e praticamente não mexeu. Reajustou os EC2 Capacity Blocks for ML (produto de GPU reservada) em cerca de 20% em julho, após ~15% em janeiro, e deixou o resto do catálogo intocado, inclusive as instâncias com Trainium, o acelerador que a própria empresa projeta.
A explicação é escala de compra e integração vertical. Hyperscalers contratam memória com anos de antecedência, em volumes que garantem alocação prioritária, e vários desenham seus próprios chips. Um provedor que compra componentes de mercado em pedidos mensais rolantes não tem nenhum desses colchões.
O que muda para quem constrói software no Brasil
Essa assimetria importa mais do que parece à primeira vista. Se a leitura de Klaba estiver correta, a pressão é de mercado, não específica da OVHcloud: o The Register ouviu o fundador de um provedor gerenciado de médio porte que espera anúncios semelhantes de Azure↳Azure76 conteúdosDeploy de Azure Stream Analytics job com CI/CD usando Azure PipelinesDevSecOps · mai 2019Azure – Como criar uma base de dados SQL no Microsoft Azure pronta para ser utilizadaData · abr 2019Azure Static Web Apps com Vue.js e Visual Studio CodeDevSecOps · out 2023Ver tudo em DevSecOps → e AWS em breve. O próprio Klaba condiciona suas projeções a "se nossos concorrentes não aumentarem seus preços".
Na prática, isso significa que dev e time de plataforma que rodam workload comum (banco, cache, filas, aplicação web, nada de IA) podem ver custo de infraestrutura subir por um motivo que não tem relação nenhuma com o que eles executam. Bare metal e VMs com muita RAM tendem a ser os mais afetados, já que memória é justamente o componente que mais disparou.
Alguns pontos concretos para quem planeja capacidade daqui:
- Renovação x pedido novo: manter hardware de geração anterior pode custar de três a seis vezes menos que provisionar equipamento novo. Revisar se dá para esticar a vida do que já está contratado é decisão de custo real.
- Planos longos travam preço: com os planos curtos extintos na OVHcloud, os contratos de 12 e 36 meses passam a ser o instrumento de proteção contra reajustes em cadeia.
- Câmbio empilha em cima: faturas da OVHcloud saem em euro. Para quem paga daqui, a alta de componente se soma à variação cambial, dobrando a incerteza de orçamento.
O que fica em aberto
A própria OVHcloud diz que a situação é excepcional e deve durar até 2028: "a demanda por IA é insana em todos os níveis: data centers, GPUs, token-as-a-service, IA agêntica". Klaba sustenta que a empresa ainda é a opção mais barata para bare metal e nuvem pública, mas coloca número na erosão: "onde antes podíamos ser 3x mais baratos, seremos 2x mais baratos (se nossos concorrentes não aumentarem seus preços)".
Há também o ângulo estrutural. Andrei Nutas, que serializa um livro sobre soberania digital, aponta que as empresas que puxam a demanda por memória são as mesmas que estão protegidas do preço resultante, porque compraram antecipadamente. Ele resume: "as faturas da OVHcloud saem de Roubaix em euros, mas os números nelas são decididos em fábricas e departamentos de compra dos quais a Europa não faz parte".
Um detalhe conforta e assusta ao mesmo tempo: mercados de memória são cíclicos e já despencaram tão rápido quanto dispararam, então o choque deve passar. O problema é que os orçamentos e contratos escritos durante o pico não passam. Quem fecha capacidade agora está travando custo num ponto alto da curva, e essa é a conta que times de infraestrutura no Brasil vão ter que fazer nos próximos meses.
Fonte: InfoQ
Este artigo foi escrito por Redação iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana. Publicado sob revisão editorial de Rafael Chinaglia - iMasters. Saiba como produzimos no expediente.









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