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OpenAI sustenta 70% da receita de IA da Microsoft e chega no seu deploy

OpenAI apareceu no balanço da Microsoft com um número que interessa a quem escreve código. A gigante de software registrou US$ 24,1 bilhões em vendas.

OpenAI sustenta 70% da receita de IA da Microsoft e chega no seu deploy
Imagem: Redação iMasters

OpenAI apareceu no balanço da Microsoft com um número que interessa a quem escreve código. A gigante de software registrou US$ 24,1 bilhões em vendas vindas da startup no ano fiscal encerrado em junho. O dado saiu em um documento divulgado na semana passada. Portanto, uma fatia enorme do negócio de IA da Microsoft carrega um único nome por trás.

Para o time de engenharia, a leitura vai além da curiosidade financeira. Afinal, a maior parte das APIs de IA que rodam em produção hoje passa por essa mesma dupla. Entender quem paga quem ajuda a prever preço, disponibilidade e roadmap.

OpenAI dentro do balanço: os números que a Microsoft finalmente mostrou

Satya Nadella afirmou que a empresa estava no ritmo de US$ 37 bilhões em receita anual de IA ao final do trimestre de março. Depois disso, a Microsoft deixou de atualizar o total quando divulgou o quarto trimestre fiscal. Assim, a conta ficou por parte dos analistas.

A análise da Bloomberg assume que o ritmo anual seguiu crescendo aos 123% reportados para março. Nessa taxa, o negócio de IA da empresa somaria cerca de US$ 34 bilhões no ano encerrado em junho. Logo, os US$ 24,1 bilhões da OpenAI representariam algo perto de 70% do total.

Vale lembrar que a Microsoft só abriu o número global de IA duas vezes. A primeira foi no trimestre encerrado em dezembro de 2024, com ritmo acima de US$ 13 bilhões. A segunda veio no trimestre de março, já na casa dos US$ 37 bilhões.

OpenAI paga por compute e ainda divide receita com a parceira

O acordo entre as duas empresas tem várias camadas. Primeiro, a OpenAI paga pelo poder computacional que consome. Em seguida, arca com custos associados à construção dos modelos. Por fim, repassa uma parcela da própria receita.

Um porta voz confirmou que o número divulgado inclui todas as vendas e a participação na receita da OpenAI. Ou seja, o valor mistura infraestrutura vendida e comissão sobre faturamento alheio. Essa distinção importa mais do que parece.

Jackson Ader, analista do KeyBanc, resumiu bem a dúvida do mercado. Segundo ele, quanto mais dessa receita vier de serviços prestados, melhor a leitura do negócio. Dessa forma, a qualidade do número depende da origem de cada dólar.

Concentração de receita vira risco de arquitetura no lado de quem constrói

Aqui entra a parte prática para quem constrói software. Quando um fornecedor concentra a maior parte da receita de uma plataforma, o incentivo de preço muda. Além disso, prioridades de capacidade tendem a seguir o cliente maior.

Na prática, isso aparece de formas bem concretas no dia a dia. Filas de rate limit em horário de pico, por exemplo. Também aparece em regiões que recebem um modelo novo meses depois das demais.

A Microsoft vem tentando reduzir essa dependência há algum tempo. A empresa apoia a Anthropic e desenvolve modelos próprios em paralelo. Ainda assim, o balanço mostra que a diversificação segue em curso.

OpenAI, IPO e a régua de transparência que muda para todo mundo

Até a semana passada, a Microsoft nunca havia aberto com clareza sua receita vinda da OpenAI. Olga Usvyatsky, pesquisadora contábil e fundadora da Nonlinear Analytics, ligou a divulgação aos planos de IPO da startup. Consequentemente, mais dados devem vir a público nos próximos trimestres.

Para times técnicos, isso tem um lado bom. Empresas que abrem capital passam a divulgar métricas operacionais com regularidade. Assim, fica mais fácil calibrar decisões de longo prazo sobre qual API adotar.

Vale observar que a participação da OpenAI encolhe muito na comparação com a receita total da Microsoft. Nesse recorte, o peso fica abaixo de 10%. A empresa citou cerca de US$ 51 bilhões adicionados em reservas comerciais no último trimestre.

O checklist de contingência que o seu time deveria escrever esta semana

Concentração de receita costuma anteceder mudanças de política comercial. Por isso, vale transformar a notícia em tarefa de backlog. Seguem os pontos que rendem mais em menos tempo.

Comece por uma camada de abstração sobre as chamadas de modelo. Um adapter simples já resolve boa parte do acoplamento. Depois, mapeie onde o prompt depende de comportamento específico de um provedor.

Em seguida, registre custo por token e latência por rota. Métricas próprias evitam surpresa quando a tabela de preços muda. Além disso, elas sustentam qualquer conversa de renegociação de contrato.

Por fim, teste um segundo provedor com tráfego real, mesmo que pequeno. Um espelhamento de 5% do volume já revela diferenças de formato e de tempo de resposta. Assim, a troca vira rotina de operação.

O que observar nos próximos meses

O próximo balanço da Microsoft deve trazer mais detalhe sobre a composição da receita de IA. Enquanto isso, cada movimento de preço da OpenAI ganha peso de indicador. Acompanhe também os anúncios de capacidade regional.

Em resumo, um número de balanço acabou virando informação de arquitetura. Quem lê essa linha com atenção ganha alguns meses de vantagem no planejamento. E esse tipo de vantagem costuma aparecer justamente na hora do incidente.

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