O limite é a imaginação
Com uma idéia na cabeça e os dedos
no teclado, mais de 10 mil programadores de todo o mundo participaram
da Imagine Cup 2004, que teve a final mundial em São Paulo,
na semana passada. O grande campeão foi uma equipe francesa,
que apresentou um sistema de automatização residencial
em que PDA, computador e celular permitem que o morador e maestro
controle sua casa à distância.
A Imagine Cup, criada pela Microsoft para estimular
o desenvolvimento de soluções por universitários,
teve a primeira edição no ano passado, em Barcelona.
Países de todo o mundo realizam eliminatórias locais,
e os vencedores competem entre si em quatro categorias: Desenvolvimento
de Software, Curta-metragens, Computação Gráfica
e Algoritmos. Sob o tema ”melhorar a qualidade de vida”, os
participantes da edição 2004 usaram softwares Microsoft
em suas obras.
A empresa ganha com publicidade e com a formação
de uma nova geração de desenvolvedores. Os universitários
conhecem novas plataformas de programação e têm
uma porta de entrada para o mercado de trabalho.
O SmartCenter.NET, criado pelos estudantes franceses
Francois Beaussier, Guillaume Belmas, Vincent Vergonjeanne e Aymeric
Gaurat, levou o grande prêmio de Desenvolvimento de Software.
Sua aplicação envolve o uso de celular GPRS, computador,
micro de bolso e controle remoto para monitorar e controlar dispositivos
dentro da casa.
– Essa é a função básica.
O principal é que o sistema aprende com os hábitos
do usuário e sugere ações – explica Beaussier.
O PocketPC, com conexão à internet,
apresenta uma planta da residência, para acesso rápido
a todos os componentes programáveis.
Se o usuário desejar um domínio ainda
mais futurista, pode optar pelo reconhecimento de voz. Ao entrar
em casa, por exemplo, é possível acender as luzes
no caminho do quarto com apenas uma palavra ou frase.
Os russos, com uma solução educacional
e a Grécia, com um projeto para auxiliar deficientes visuais
a serem mais autônomos, também foram premiados. A
propriedade intelectual da obra é dos participantes, que
usam os softwares da Microsoft doados pela empresa num programa
acadêmico.
O quinto colocado foi a equipe belga New World,
com uma aplicação que usa jogos eletrônicos
para entendimento e tratamento de jovens esquizofrênicos
entre 15 e 25 anos – período em que os sintomas se apresentam
em maior intensidade.
– O projeto já está em teste num
hospital de Liége, com dezenas de pacientes – conta Pierre
Ioannatos, que com Steve Lanuit e Laurent Mazzapichi desenvolveram
o mundo virtual.
Ele apresenta a possibilidade de construção
de The sims com a imersão em primeira pessoa de Quake.
Ao contrário dos shooters atuais, que envolvem morte e
destruição, New World permite a interação
entre pacientes e médicos, de uma forma que já se
provou bem-sucedida.
Segundo os desenvolvedores, os jovens esquizofrênicos
são, normalmente, fãs de jogos 3D. Com New World,
o tratamento convencional com modelos em plástico, papel
e madeira, é transportado ao computador.
– Nosso sistema serve como uma interface para que
eles conversem e expressem seus sentimentos. É possível
construir uma casa e ter um bicho de estimação virtual
– explica Ioannatos.
Além da interação pela interface
no PC, os médicos podem monitorar o ”jogo” 24 horas em
PocketPCs, numa interface 2D. No micro de bolso é possível
ler os recados deixados e acompanhar as ações dos
pacientes vendo o histórico das últimas horas ou
dias.
A equipe WDC, que representou o Brasil na final,
não conseguiu ficar entre os cinco primeiros. O resultado
parece desfavorável, mas para os cariocas Adolfo Guilherme
Correia, 22 anos, e Rafael de Oliveira Osório, 23 anos,
a experiência rendeu frutos pessoais e profissionais.
– A repercussão foi tão boa que recebemos
várias propostas de emprego – conta Adolfo.
Os dois jovens, recém-formados em Ciência
da Computação pelo IME, Instituto Militar de Engenharia,
desenvolveram a Mobile Smart Blitz, para embutir tecnologia e
inteligência ao controle de irregularidades no trânsito.
Cada automóvel é dotado de um chip RFID, com um
número serial único e capaz de transmiti-lo por
radiofreqüência a um receptor externo.
No caso de uma blitz, o tráfego seria afunilado
duas vezes. Na primeira, o chip seria lido, e o destacamento policial
responsável pela operação saberia, através
de um PDA e antes do veículo se aproximar, se ele está
em condições irregulares. Assim, a abordagem passa
a ser feita de acordo com os dados reais do carro, e não
pelo aspecto do motorista e do veículo, como acontece atualmente.
– O sistema também é à prova
de fraude. Um sensor de presença indica se o carro ”existe”,
mesmo sem o chip. E é parado automaticamente porque está
com problemas – explica Adolfo.
Os estudantes também pensaram na questão
da privacidade. Para garantir que o RFID não será
lido por outras pessoas ou instituições, ele teria
uma chave liga/desliga, de controle do motorista.
As finais da edição 2005 da Imagine
Cup serão realizadas em Yokohama, Japão. Os participantes
se inspirarão ”imaginando um mundo em que a tecnologia
dissolva as fronteiras entre povos e indivíduos” e com
uma novidade: estudantes secundários poderão participar
em uma categoria especial.
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Logitech começou a vender o G305 X Superlight no mercado brasileiro em 16 de setembro. O preço sugerido ficou em R$ 449,90.








Redação iMasters





