NOTÍCIA

Inteligência Artificial no PIB: os R$ 986,7 bilhões que passam pelo backlog

Inteligência artificial vai somar R$ 986,7 bilhões ao PIB brasileiro até 2030, segundo o centro de pesquisa, valor equivale a 7,6% do PIB estimado para 2026

Inteligência Artificial no PIB: os R$ 986,7 bilhões que passam pelo backlog
Imagem: Redação iMasters

Inteligência artificialInteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI vai somar R$ 986,7 bilhões ao PIB brasileiro até 2030, segundo o centro de pesquisa Reglab. O valor equivale a 7,6% do PIB estimado para 2026. Além disso, este é um dos primeiros estudos a colocar número nesse efeito dentro do Brasil. A pesquisa foi financiada pela OpenAI. Para quem escreve código, portanto, esse quase trilhão tem endereço. Ele passa por sistemas que alguém ainda precisa construir, integrar e manter em produção.

Inteligência Artificial: três setores levam mais da metade do bolo

O estudo avaliou 12 setores da economia. A indústria de transformação lidera, com R$ 264,2 bilhões em ganho estimado de produtividade. Em seguida aparecem serviços, com R$ 165,4 bilhões, e comércio, com R$ 131,2 bilhões. Juntos, portanto, esses três blocos respondem por cerca de 57% de todo o impacto projetado.

Essa concentração importa para quem trabalha com tecnologia. Afinal, é nesses setores que a demanda por integração, automação e dados confiáveis deve crescer primeiro.

65% do ganho vem de gente e 35% vem de máquina: Inteligência Artificial

O Reglab separou o impacto em duas frentes complementares. A primeira é a produtividade da força de trabalho, com profissionais apoiados por ferramentas de IA. A segunda é a produtividade do capital, com máquinas e processos otimizados pela tecnologia. Em média, a frente humana responde por 65% da estimativa de crescimento. A frente de capital responde pelos outros 35%.

Essa divisão sugere dois tipos bem diferentes de projeto. De um lado, ficam copilotos, busca semântica, extração de documentos e interfaces conversacionais acopladas a sistemas legados. Do outro, aparecem visão computacional, telemetria, manutenção preditiva e otimização de rotas. Ambos, no entanto, dependem da mesma base pouco glamourosa: dados organizados e pipelines confiáveis.

Agropecuária e finanças pedem arquiteturas opostas

O estudo mostra que cada setor ganha por um caminho diferente. Na agropecuária, a IA deve adicionar R$ 48,2 bilhões até 2030. Esse ganho vem principalmente da modernização de máquinas e processos. Drones, colheitadeiras inteligentes e monitoramento de solo aparecem como exemplos diretos. Na prática, isso significa processamento na borda, conectividade instável e sincronização eventual.

Já nas atividades financeiras, o impacto vem sobretudo do apoio ao profissional. Ferramentas novas aceleram análise de crédito, revisão de documentos e classificação de riscos. Aqui, por outro lado, o desafio muda de natureza. Rastreabilidade, auditoria de decisão e controle de alucinação viram requisitos de arquitetura.

Inteligência Artificial subaproveitada: o Brasil adota devagar demais

O próprio Reglab afirma que o impacto poderia ser maior. O ritmo de adoção no país ainda fica atrás das economias mais avançadas. Por isso, as projeções foram tratadas como conservadoras.

“É um erro esperar que a IA transforme a economia de uma hora para outra”, afirma Pedro Henrique Ramos, diretor executivo do Reglab. Segundo ele, o efeito aparece de forma gradual e cumulativa. Empresas, trabalhadores e governos incorporam a tecnologia aos poucos.

Essa lentidão tem causas conhecidas por qualquer time de engenharia. Sistemas legados, dados dispersos, integrações frágeis e processos sem documentação travam qualquer piloto. Ou seja, o gargalo costuma morar entre o modelo e o negócio. Essa camada de integração define o resultado final.

O que muda na fila de tarefas de quem desenvolve

“A ideia é que essas ferramentas possam ajudar a produzir mais com os recursos já existentes”, explica João Ricardo Costa Filho, líder do núcleo de economia aplicada do Reglab. Produzir mais com o mesmo estoque de recursos é, no fundo, um problema de engenharia. Traduzido para o backlog, isso cria frentes bem específicas:

  1. Instrumentação primeiro, com métricas de tempo, erro e retrabalho antes de qualquer piloto.
  2. Avaliação contínua dos modelos, com conjuntos de teste próprios e revisão humana amostral.
  3. Controle de custo por requisição, já que ganho de produtividade some quando a fatura explode.
  4. Versionamento de prompts, de contexto e de dados, no mesmo padrão aplicado ao código.
  5. Barreiras contra vazamento de dado sensível e contra decisão automática sem revisão.

Além disso, vale acompanhar de perto os setores citados no estudo. Indústria, serviços, comércio e agro concentram o orçamento que deve chegar primeiro.

Requalificação, infraestrutura e regras claras destravam o resto

Os pesquisadores também apontam o que falta para aproveitar o potencial completo. A lista inclui requalificação profissional para grupos com alta chance de substituição. Inclui ainda infraestrutura digital no campo e incentivos em setores de baixa produtividade. Os serviços públicos entram no mesmo grupo. Por fim, os autores pedem previsibilidade e clareza nas questões regulatórias.

Esse último ponto afeta diretamente quem desenvolve. Regras claras definem prazo de retenção, exigência de auditoria e limite de decisão automatizada. Sem elas, cada projeto vira uma negociação jurídica isolada.

O número é projeção, o trabalho é real

Os R$ 986,7 bilhões formam uma projeção, e projeções mudam. Ainda assim, a direção parece sólida. A produtividade prometida depende de integrações bem feitas, dados limpos e sistemas observáveis. Ou seja, ela depende de trabalho de engenharia. Quem estiver preparado para essa camada vai capturar a maior parte desse valor.

Acompanhe nosso perfil no Instagram!

Matérias especiais e reportagens conduzidas internamente pela Redação iMasters. Acompanhe no Twitter @imasters e no Instagram/Threads @portalimasters

Ver perfil