Google invade o computador
Dizer que o Google é a empresa do momento
é repetir um discurso batido. Mas ela reafirma sua onipresença
com o lançamento do Google Desktop, programa para levar
o mecanismo de busca ao HD do usuário, e investindo pesado
contra a Microsoft ao iniciar suas operações fora
da internet.
Os analistas de plantão aguardavam esse
momento. O mercado definiu que a tendência principal para
os próximos anos é a evolução dos
mecanismos de busca, fundindo a internet aos HDs dos micros. Microsoft
e Apple decidiram transformar essa função no carro-chefe
de seus próximos sistemas operacionais – Longhorn e Tiger,
respectivamente. Mas a internet já tem seu rei, que se
adianta às gigantes do software com o lançamento
da semana passada.
O programa, ainda em versão beta e com download
gratuito, é compatível com o Windows 2000 (Service
Pack 3) e XP, e tem apenas 400 Kb – embora consuma 500 MB do disco
depois de indexar os arquivos. Ele se integra perfeitamente ao
buscador hospedado na Rede. Depois de instalado, além dos
links habituais para procurar em imagens, diretórios de
sites, dentro das páginas e outros, surge um novo item,
chamado “”desktop””.
Ao lado do relógio do Windows também
aparece um ícone inédito. Ele indica que o programa
está instalado e pronto para indexar os arquivos guardados
no disco rígido. O Google Desktop usa o tempo ocioso do
computador, e é só deixar o micro de lado por 30
segundos que o software entra em ação. A empresa
afirma que o programa não interfere com a performance da
máquina durante as operações habituais, mas
nos testes do Internet, o carregamento de alguns jogos, por exemplo,
ficou mais lento.
O acompanhamento da indexação pode
ser feito pela página do Google Desktop, acessada clicando
duas vezes no ícone do programa, ou digitando o habitual
www.google.com e apontando ao link “”desktop””. Se o mapeamento
dos arquivos não estiver completo, a página web
mostrará quantos deles já foram varridos.
Ao fim da operação, é hora
de brincar para valer. Digitando qualquer termo na caixa de texto,
o programa mostrará links para os arquivos, separados por
data ou relevância. As buscas na web pelo Google também
são modificadas, já que um novo link aparece quando
existem resultados armazenados no disco rígido do computador.
As vantagens dos operadores de busca da versão
online estão presentes. Ao acrescentar filetype:doc ao
termo desejado, por exemplo, o programa só encontrará
os resultados em documentos de Word. A empresa afirma que o conteúdo
do HD não é enviado de forma alguma ao Google e
que a segurança é total.
Na versão atual, o Google Desktop cadastra
o título e o conteúdo dos documentos de texto (.txt),
de Word (.doc), Excel (.xls) e PowerPoint (.ppt), mensagens do
Outlook e Outlook Express, chats do AOL Instant Messenger (AIM)
e as páginas guardadas no cache do Internet Explorer. Outros
arquivos, como músicas em MP3, vídeos e fotos, são
indexados apenas pelo nome do arquivo.
A empresa diz que planeja incluir mais formatos
ao longo do tempo e lançar o programa em outros idiomas,
além do inglês.
Como está, ainda em versão beta e
com suporte apenas aos documentos mais populares, o Google Desktop
já é campeão. Ele torna obsoleta a ferramenta
similar do Windows, e sua exigência de clicar em várias
caixas para limitar as buscas e esperar vários segundos
até a resposta final. Uma evolução natural
do produto é a identificação das tags dos
MP3, que identificam nome do cantor, da música e do disco,
e uma ferramenta de indexação automática
de uma imagem de uma câmera digital, por exemplo, que poderia
ser catalogada digitando os nomes de seus personagens.
Com pelo menos um ano de vantagem – o próximo
Windows deve sair em 2006 – o Google leva o sucesso da web aos
micros, agradando aos acionistas e aos usuários.
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Redação iMasters





