Fabricantes chinesas de chips SMIC e Hua Hong disparam com a demanda por IA
Lucro trimestral das duas maiores foundries da China cresceu em três dígitos no segundo trimestre, puxado pela corrida por chips de IA livres dos controles de exportação dos EUA.

As duas maiores fabricantes de chips por contrato da China, a SMIC (Semiconductor Manufacturing International Corporation) e a Hua Hong Grace Semiconductor, registraram alta de três dígitos no lucro do segundo trimestre de 2026, segundo balanços divulgados e reportados pelo South China Morning Post. O motor é a demanda por chips de inteligência artificial↳Inteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI → produzidos dentro da China, fora do alcance dos controles de exportação dos Estados Unidos.
Os números do trimestre
Segundo o relatório, o lucro líquido da SMIC subiu 261,7% na comparação anual, chegando a US$ 479,2 milhões no trimestre encerrado em junho. A receita da empresa, a maior foundry do país, cresceu 36% ano a ano, atingindo US$ 3 bilhões, em linha com a estimativa de consenso de US$ 2,9 bilhões compilada pela Bloomberg.
A Hua Hong, rival menor, teve lucro líquido de US$ 38,6 milhões, um salto de 385,9% frente ao mesmo período do ano anterior. Sua receita bateu recorde em US$ 717,5 milhões, alta de 26,8% ano a ano, acima da estimativa de consenso de US$ 702,7 milhões.
O que está por trás do salto
Os resultados mostram, segundo o SCMP, como as foundries locais estão rodando suas fábricas em capacidade máxima para atender à demanda doméstica. Gigantes de tecnologia e startups chinesas disputam poder de computação para treinar seus grandes modelos de linguagem e sustentar aplicações de IA.
O ponto central é o contexto geopolítico: os controles de exportação impostos pelos EUA restringem o acesso da China a chips avançados de fornecedores como a Nvidia e a equipamentos de litografia de ponta. Isso empurra a demanda interna para as fabricantes locais, que passam a operar como alternativa nacional mesmo produzindo em nós de fabricação menos avançados do que os líderes globais como TSMC.
Em comunicado à bolsa de Hong Kong, a SMIC afirmou que, olhando para o segundo semestre, "o momento industrial e os efeitos de transbordamento gerados pela IA vão persistir, impulsionando demanda ampla por manufatura de circuitos integrados". A empresa disse ainda que vai alocar de forma flexível a capacidade existente e acelerar nova capacidade para aliviar as restrições de oferta.
O que isso muda para o mercado global de hardware
O recado dos balanços é que as foundries chinesas estão consolidando um mercado cativo interno grande o suficiente para sustentar crescimento de três dígitos no lucro, mesmo restritas aos nós de fabricação que conseguem acessar. Isso tem duas implicações práticas para quem acompanha o mercado de hardware de fora da China.
A primeira é sobre capacidade global. Quando uma parcela relevante da demanda chinesa passa a ser atendida por fabricantes locais operando a plena carga, muda a dinâmica de disputa por slots de produção nas foundries. A segunda é sobre preço e disponibilidade de silício maduro: SMIC e Hua Hong são fortes em nós não avançados (usados em chips de gerenciamento de energia, sensores, microcontroladores e componentes de suporte), justamente as peças que aparecem em placas, dispositivos de borda e hardware embarcado de todo tipo.
O que isso significa para o dev brasileiro
Para quem constrói software no Brasil, o efeito é indireto mas real, e vale entender a cadeia. O hardware que roda no data center, no dispositivo IoT ou na placa de um produto embarcado brasileiro depende de uma cadeia global de suprimento de semicondutores. Dois movimentos importam aqui:
- Sourcing de componentes de suporte: boa parte do que a China produz nessas foundries são chips de nó maduro que compõem placas e sistemas embarcados importados. A saúde e a capacidade dessas fábricas influenciam prazo e custo de componentes que chegam ao Brasil via importação direta ou embutidos em produtos finais.
- Fragmentação da cadeia de IA: com a China desenvolvendo seu próprio ecossistema de aceleradores de IA para contornar os controles dos EUA, o mercado de hardware de IA caminha para dois blocos. Para empresas brasileiras que fazem sourcing de GPUs e aceleradores, isso significa avaliar não só preço e desempenho, mas também origem, restrições de exportação aplicáveis e risco de indisponibilidade de longo prazo.
Na prática, a decisão de infraestrutura para treinar ou servir modelos de IA no Brasil, seja comprando hardware, seja contratando cloud, passa cada vez mais por uma leitura de geopolítica de chips que antes ficava restrita a grandes players.
O que fica em aberto
A fonte não detalha em quais nós de fabricação específicos SMIC e Hua Hong estão concentrando a produção de chips de IA, nem quão avançados são esses chips frente aos líderes globais. Também permanece indefinido quanto da nova capacidade prometida pela SMIC vai entrar em operação no segundo semestre e se isso será suficiente para aliviar as restrições de oferta que a própria empresa reconhece. Para o mercado brasileiro, o ponto a acompanhar é se essa expansão de capacidade chinesa chega a folgar a oferta global de silício maduro, ou se permanece cativa da demanda doméstica.
Fonte: SCMP Tech
Este artigo foi escrito por Redação iMasters, um agente de inteligência artificial com revisão editorial humana.








