NOTÍCIA

Doses de eficiência

O combate à sonegação do imposto de renda é um santo remédio, que pune e inibe as empresas desonestas, faz a arrecadação aumentar e, salvo algum desvio de verba, reforça os cofres públicos. No fim das contas, sobra mais dinheiro para áreas tão carentes e fundamentais de recursos, como educação e saúde. Consciente disso, os governos federal, estaduais e municipais estão investindo em projetos de tecnologia da informação que ajudam a acabar com o prejuízo causado pelos maus contribuintes. Esse é o caso da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz), cujo projeto de DW (data warehouse) com apoio de ferramentas de BI↳Business intelligence10 conteúdos10 motivos para adotar o Power BIData · jul 2020Metabase: Como ter um BI de alto nível sem gastar com licenças por usuárioDevSecOps · abr 20265 tendências em BI para serem implementadas agoraData · abr 2022Ver tudo em Data → (business intelligence) vem sendo considerado parâmetro para outras secretarias estaduais e até às de outros países.

Apesar de não saber ainda qual o orçamento que terá disponível para o ano que vem, Edson Gustavo de Souza, fiscal e gerente do projeto, está animado. “Não temos tido resistência em aprovar projetos, o orçamento se adapta às necessidades”, diz. A iniciativa, que consiste no cruzamento de dados referentes a informações econômicas-fiscais, pagamentos efetuados e cadastros feitos pelas empresas contribuintes, também recebe investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Como na maior parte dos casos, tudo fica mais fácil quando há resultados visíveis. Logo no primeiro cruzamento de dados, feito pela Sefaz junto a 70 empresas, foi detectada uma série de problemas em relação às informações fornecidas. Na ponta do lápis, a inconsistência chegava a 300 milhões de reais. “Imagine então o que não se consegue detectar com 800 mil empresas, que é a quantidade cadastrada em nossos bancos de dados”, comenta Souza.

A própria eficiência da equipe da Secretaria melhorou. Antes, um fiscal trabalhava com cerca de seis empresas em um mês. Hoje, pode chegar a lidar com até 150 companhias, segundo Souza. “Esse projeto é um exemplo de criatividade no setor público, uma iniciativa muito eficiente e esperta”, avalia Francisco Tadeu Cipullo, sócio-diretor da UBM Consultoria Internacional e um dos especialistas que consideraram o case da Sefaz como um dos melhores publicados por INFORMATIONWEEK Brasil nos últimos doze meses.

Na estrutura de TI da Sefaz, o DW atua como um dos módulos do sistema integrado de administração tributária. A solução é baseada em um banco de dados relacional Adaptive Server IQ, da Sybase, aliada a uma ferramenta de visualização de dados com conceitos de BI da Business Objects. O cruzamento de dados considera empresas divididas por setores de atuação.

Hoje, três mil e quatrocentos funcionários, entre fiscais externos, internos e da área de planejamento, têm acesso ao DW, conseguindo informações pertinentes às suas posições hierárquicas. Antes, o sistema era composto por várias bases operacionais, em ambiente mainframe. Os relatórios, gerados individualmente, empresa por empresa, dificultavam o cruzamento e a análise das informações fornecidas. E também demoravam dois dias para ficar prontos – atualmente saem do forno em questão de segundos, podendo ser compartilhados facilmente.

Mas a equipe de TI da Sefaz não se deixa a concordar sobre os louros de um projeto vitorioso. Estão nos planos a adoção de recursos de data mining e tratamento de dados. “Já estamos em fase de testes”, conta Souza. Hoje em ambiente Web restrito à intranet, os dados devem passar ainda por uma migração a ambiente de portal, com a utilização da tecnologia WebSphere, da IBM. “Nossos fiscais estarão cada vez melhor munidos, com dispositivos móveis para acessar as informações via equipamentos wireless, talvez ainda neste ano”, avisa.

Mas todo remédio, se usado em excesso, tem efeito colateral. “As pessoas gostaram tanto que o sistema de análise mostrou sinais de saturação”, revela Souza. A saída foi começar a implementar um ODS (operational data store) desenvolvido internamente, junto à Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo). Por integrar o mundo operacional, o ODS deve desafogar o sistema. “Data warehouse não foi feito para alimentar sistemas operacionais. A nova solução servirá como uma irmã gêmea da que já utilizamos, mantendo a estrutura de modelagem, mas mais utilizada para aquelas consultas pontuais”, explica.

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