Ciberterrorismo: ex-procurador geral dos EUA vai depor em juízo
John Ashcroft, ex-procurador geral da justiça dos Estados Unidos, que trabalhou entre os anos de 2001 e 2005 no governo do presidente George W. Bush, pode ser chamado a prestar esclarecimentos em um processo aberto que afirma que o estudante Abdullah al-Kidd foi preso injustamente quando julgado culpado em um caso de ciberterrorismo.
Abdullah, que jogava futebol americano na Universidade de Idaho, alega ter sido injustamente preso no caso de um colega estudante, Sami Omar Al-Hussayen, em 2003. Ambos trabalhavam para a Islamic Assembly of North America, uma organização beneficente que os investigadores federais acusaram de enviar dinheiro para atividades terroristas em território americano.
Na época, depois de oito semanas em julgamento, o júri absolveu Al-Hussayen da acusação de ter utilizado sua habilidade com o computador para promover o terrorismo além de outras três violações de imigração, mas mesmo assim o jovem foi deportado para a Arábia Saudita. Já Abdullah, que nunca foi chamado para testemunhar, passou duas semanas na cadeia como testemunha essencial no caso, tendo sido depois solto sob custódia de sua esposa e com limitações para viagens.
No processo, Ashcroft é citado como responsável pela violação dos direitos de Abdullah: o rapaz perdeu não apenas a oportunidade de aceitar uma bolsa de estudos na Arábia Saudita, mas também diversas oportunidades de emprego. Alberto Gonzalez, atual procurador geral, e outros membros do departamento de segurança podem ser chamados para testemunhar no caso, além de Ashcroft.
Segundo o site Seattle Pi, o juiz Edward Lodge rejeitou o pedido de imunidade de Ashcroft por conta de seu cargo no Departamento de Justiça. Sendo assim o ex-procurador deve ser obrigado a testemunhar no caso. “O desenvolvimento e a prática de uso do estatuto de testemunha essencial enquanto possíveis atividades criminais são investigadas qualifica uma investigação policial, não advocacia de acusação”, afirmou.
“Estamos literalmente revendo isto neste minuto e por ora não temos nenhuma decisão”, declarou Charles Miller, porta-voz do Departamento de Justiça, a respeito da decisão. Para o advogado de Abdullah, Lee Gelernt, a decisão foi uma defesa para seu cliente. “Ela deve ajudar a dissuadir o governo de usar o estatuto de testemunhas essenciais no futuro da maneira que foi feita após o dia 11 de setembro de 2001”, explicou.
Com o processo, Abdullah e seu advogado esperam que o juiz declare as ações do governo federal inconstuticionais, que ordene ao FBI e outras agências a destruição de quaisquer registros relacionados à detenção do rapaz e de outros, além de danos não especificados, conforme noticiou o site Sydney Morning Herald.
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Redação iMasters





