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Sociedade Biônica: redes sociais web enquanto extensões da democracia

Você se lembra do “Homem de Seis Milhões de Dólares”? Seriado enlatado dos anos 70, em que um ex-astronauta, após se recuperar de um acidente, ganhava poderes sobre-humanos ao receber implantes de alta tecnologia, transformando-se em um “homem biônico”?

Ao observar a evolução de redes e ferramentas sociais, veio a minha mente essa imagem – não a do homem biônico – mas a da “sociedade biônica”, aquela em que, em simbiose com as novas tecnologias, passa a ter novos poderes, novas visões, novas maneiras de se manifestar e de agir.

Esta simbiose da sociedade com a tecnologia, este implante das redes em nossas vidas, já deixou a ficção para trás. Hoje usamos a internet como memória coletiva e instantânea e nem percebemos isso. As novas gerações, assim como nós dependemos da calculadora para subtrair 27 de 111, não conseguirão estudar, se divertir ou trabalhar sem estar online. Serão cidadãos intimamente conectados a sistemas de informação.

Ao nos relacionarmos tão naturalmente com esse novo meio de mão dupla, cada um de nós acaba por contribuir com a construção dessa nuvem de informações. Com uma simples busca no Google, quando você coloca seu desejo em forma de palavra-chave e, logo em seguida, “vota” com um clique ao escolher o site que mais o satisfaz, já está contribuindo cotidianamente. Ao escrevermos um post em um blog, darmos uma nota para um filme em um site de cinema, entrarmos numa comunidade do Orkut ou indicarmos um amigo no LinkedIn também estamos colaborando.

Os computadores fazem a parte deles neste organismo híbrido: armazenam, processam e transmitem informações na velocidade da luz, completando nossa biologia que não nos permite lembrar qual roupa vestimos anteontem. Dessa forma, conseguimos consultar na Wikipedia, em questão de segundos, um artigo escrito há 20 anos por um especialista do Nepal. Um humano o colocou lá e a tecnologia se encarrega de encontrar e entregar para você em seu colo, em um trabalho em equipe homem-máquina.

Este poder, ao alcance dos dedos de cada vez mais gente, é extremamente novo. Assim como os olhos do homem biônico, que enxergavam a quilômetros, hoje podemos criar ferramentas que nos ofereçam uma nova visão da realidade, impossível de se obter pelos métodos que até então conhecíamos. Em um movimento pendular, os humanos alimentam os sistemas cibernéticos, que devolvem, como em um reflexo, uma imagem processada para a sociedade, que perpetua o movimento, realimentando o sistema.

Esse potencial pode transformar a forma como o poder popular se manifesta e se relaciona com o poder público, em uma verdadeira extensão da democracia. Esse fluxo transforma o próprio conceito de poder público. Transparência, participação, métricas (índices), localização de problemas, tudo isso roda muito bem nestas novas plataformas sociais web colaborativas. Imagine muitos indivíduos apontando problemas, mapeando buracos nas ruas, propondo soluções para a escola do bairro ou fiscalizando queimadas na Amazônia. Tudo em associação com outros cidadãos e entidades e em contato direto com os agentes de mudança, sejam eles pessoas comuns ou revestidas de cargos públicos.

O hardware da sociedade cyborg parece que já foi configurado. Resta o desafio de desenvolver ferramentas para o bem comum e, naturalmente, observar a mudança acontecer. É esta a mensagem que esse meio está gritando para nós e todos a ouvirão.

é um dos fundadores do site Emotioncard e fundador do guia de entretenimento e gastronomia, VCVAI.com.

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