Gestão Dev & TIARTIGO

Agora até Nescau é 2.0

Comprei o novo Nescau 2.0. Além de dar mais uma bombada no termo 2.0, ele representa a maneira como a web 2.0 é tratada no mercado de internet do Brasil: um leve “twist” no design e no sabor e pouca mudança no principal. É mais um caso de uso indiscriminado do termo, que o desgasta antes mesmo de gerar cases efetivos.

O conceito da web 2.0 tenta gravar um marco na evolução da internet, a partir de uma série de novas idéias: desde conteúdo gerado e classificado pelo usuário até questões puramente técnicas. Um mapa que ilustra muito bem essa nuvem de conceitos pode ser visto em http://tinyurl.com/2e4rk7.

Sites como Youtube, Myspace, Orkut e Digg e têm proporcionado aos usuários diversos níveis de experiências no conceito web 2.0, que se popularizaram e chamaram a atenção de grandes investidores.

No Brasil, a coisa é um pouco diferente. Como o Nescau, muitos sites se dão o rótulo de “2.0”, simplesmente por usar uma interação “ajax” ou incluir um espaço de comentário, na expectativa de receber um aporte de capital ou cair nas graças do Google.

Vou fazer uma pequena reflexão sobre os modelos de negócio mais comuns para a internet:

IPO ou venda para grandes players

Ainda não entendo o modelo de negócios como Youtube. No início da internet ficava-se milionário fazendo IPO na Nasdaq, hoje em dia a salvação pode estar na compra de sites pelo Google e outros super players do mercado. Não creio que seja possível montar um plano de negócios realista para “ser comprado pelo Google”.

Publicidade online

Geralmente, coloca-se a publicidade como a principal responsável pela geração de receitas de um site. Uma das opções é veicular os anúncios do Google ou de outras redes. Sabe-se que esse tipo de publicidade só gera algum volume significativo de receitas se o site tiver um número estúpido de visitas, o que gera um custo alto e a conta não fecha.

Publicidade cauda longa

Sites com um foco bem definido, como o VCVAI.com, que é um guia 2.0 de lugares para sair, geram valor por intermédio das relações construídas entre o público que acessa o site e seus interesses comuns. Esta relação entre pessoas e lugares pode ser explorada comercialmente oferecendo-se uma comunicação dirigida a um nicho específico.

Ferramentas online profissionais pagas

Outra maneira de explorar a web 2.0 é aproveitar a conversão dos softwares desktop pelos aplicativos online, também chamados de “computação na nuvem”. Novamente, o alvo deve ser um mercado específico que, ao invés de comprar licenças de programas para instalar em suas máquinas, pode usar um aplicativo pela internet pagando uma pequena taxa mensal.

Alguns exemplos são o Aprex, escritório virtual e os softwares de gerenciamento de projetos, que oferecem recursos online com mensalidades baixas, também explorando o conceito de cauda longa, pois mesmo pequenos negócios podem ser assinantes.

E-commerce e serviços pagos pelo usuário

Sempre que o usuário final tem que pagar por um serviço de internet, é esperada uma “taxa de conversão” baixa, pois, para a maioria deles, a internet é “de graça”. Isso significa que é necessário um fluxo muito grande de usuários acessando o site para gerar um número relativamente pequeno de vendas. Acertando o custo de operação com o valor dos produtos, é uma equação que pode fechar a conta, principalmente se o produto for 100% digital.

No Brasil a camiseteria.com.br é um ótimo exemplo de e-commerce de produtos físicos, totalmente, sintonizado com o conceito web 2.0. A própria comunidade cria as estampas e elege aquelas que devem ser comercializadas e ainda há a remuneração do usuário que criou o modelo escolhido.

Enfim, ainda continua difícil responder para a sua mãe “como você ganha dinheiro, meu filho?”. A web, especialmente nesta nova onda, é um território para exploradores onde todos estão aprendendo, formando preços e modelos e são poucas as fórmulas que podem ser repetidas. O mercado publicitário ainda está no curso de uma transformação e uma nova geração de usuários está sendo formada agora. Estar presente e vivendo essa fase é um privilégio para quem gosta de empreender, mas o caminho da sustentabilidade e da lucratividade cada negócio terá que descobrir. Que a bolha 2.0 passe e revele os modelos de sucesso, boa sorte!

é um dos fundadores do site Emotioncard e fundador do guia de entretenimento e gastronomia, VCVAI.com.

Ver perfil