Aos poucos vai se perdendo o interesse pela notícia comum nestes tempos pós nova economia e oito anos depois do estouro da bolha da internet.
O fato é que a transição de quem faz a notícia para quem a lê já está sendo feita. Tamanha é a enxurrada de blogs, fotologs e tudo o mais que possibilita a instantânea divulgação e relato do que acaba de ocorrer.
O inconsciente coletivo passou a ser permeado pela velocidade frenética que a dinâmica e ansiedade geral buscam em dar conta e digerir tudo o que é publicado agora a tempo de dar tempo de se conseguir consumir mais informações a cada clique de mouse daqui a pouco mesmo. Não é viagem não. São os sinais da transição dos tempos.
Segundo o empresário e escritor Dee Hock, “estamos em um ponto do tempo em que uma era de quatrocentos anos está morrendo e outra está lutando para nascer – uma mudança de cultura, ciência, sociedade e instituições muito maiores do que qualquer outra que o mundo jamais tenha experimentado”. São palavras do fundador e diretor executivo emérito do maior empreendimento comercial da Terra – a VISA Internacional. Organização não-acionária, com fins lucrativos, de um trilhão e duzentos e cinqüenta bilhões de dólares.
Paralelo a isto surge o grande desafio que é a filtragem dos conteúdos que atravessam as fronteiras deixando para trás a antiga tecnologia frame relay dando espaço aos novos protocolos wifi e wimax. Nem vou falar em modem discado por linha fixa.
A notícia nua e crua cede espaço ao MP3, MP4, imagens e streaming vídeos transmitidos em tempo real pela banda larga cada vez mais barata formando conteúdos de fonte amadora e profissional não mais em cadeia nacional apenas, e sim em cadeia global atingindo as massas de todas as classes sociais universalizando uma linguagem.
Isto é a notícia na era do caos. Caótica. Caórdica.
Então tomemos como base de análise a enchente de Santa Catarina. Tal qual as últimas olimpíadas realizadas na China, onde a mídia ON superou pela primeira vez a mídia OFF em audiência, a tragédia no Sul do Brasil também foi transmitida pela internet. Ao contrário do que se podia imaginar pouco tempo atrás, conteúdo amador foi gerado em meio à adversidade da calamidade. Cidadãos se preocuparam em registrar através de seus celulares e câmeras imagens de desmoronamentos e alagados. Imagens que chegaram primeiro à web para depois chegarem às TVs nos noticiários noturnos. Digite no YouTube a frase “enchente Santa Catarina”. O Twitter, que já migrou para ambientes corporativos fazendo a integração entre os funcionários noticiando sob o formato SMS tudo o que acontece na empresa, também informou em tempo real tudo o que acontecia durante os difíceis momentos da cheia em SC.
As fotos e os vídeos explodiram em sites de relacionamento como o Orkut. Da janela da casa diretamente para o mundo em questão de minutos. Logo logo os celulares estarão transmitindo ao vivo.
O usuário doméstico que ao mesmo tempo é usuário corporativo nas empresas dita as regras do que publicar ou não. Seja a hora que for e aonde for. Não que isto seja um modelo ideal, mas faz parte da transição nesta nova era.
Neste mesmo movimento veículos tradicionais de jornalismo tiveram que seguir na mesma intensidade o modelo do usuário e se adaptar às novas ferramentas e mecanismos já tão difundidos domesticamente. Afinal, na cabeça deles quem tem que dar o furo em primeira mão ainda são eles próprios. Foram habituados e treinados para tal. Mesmo que para isso disponibilizem aos internautas áreas exclusivas em seus sites para upload de material amador.
A rede RBS rapidamente desenvolveu o blog “Emergências em Santa Catarina” possibilitando ao seu público postar e montar o seu próprio conteúdo. O Notícias de Blumenau também montou um blog permitindo postarem-se fotos e narrativas. Acabou prestando um grande serviço de utilidade pública pois neste blog encontram-se informações de localizações de abrigos e áreas interditadas.
Todos temos um pouco, além de médico, de jornalista, de informata, de produtor e não somos loucos. Ainda.
A interatividade será maior ainda com a conversão das mídias para as telas da TV digital e do celular. A notícia, seja ela velha ou nova, estará literalmente ao alcance das pontas dos nossos dedos e cliques.
Gostou da roupa que o personagem da novela está vestindo? Aponte o controle remoto para ela e compre-a diretamente do seu sofá.
E se o tamanho ficar apertado?
Aí, meu amigo, já é outra história. Ou você já cadastrou as suas medidas na loja virtual da hora junto com seus dados pessoais? Passe o cartão e espere a entrega chegar.







