
Na quinta passada, 25 de junho de 2009, aprendemos que a nossa percepção de tempo realmente mudou. Vivemos no olho do furacão. Enquanto a mídia tradicional presa aos seus “rigorosos” modelos de verificação da notícia relutava em divulgar a morte de Michael Jackson (só a assinariam depois de confirmada por um grande órgão de notícias, no caso, o LA Times – a CNN e O Globo, são exemplos), toda a Twittosfera, em uma verdadeira avalanche de mensagens, seguia os acontecimentos on-line, replicando as novidades à medida que elas chegavam por tweets, fotos e vídeos de celulares etc na grande rede.
Além dos livros (como escrevi no artigo ‘Cloud Publishing’ publicado aqui no iMasters há poucas semanas), a própria notícia também descentraliza-se, distribui-se e nos chega de todos os lugares, de várias formas, em várias mídias, sob diversos pontos de vista e níveis de análise.
Para alguns, a principal notícia da última quinta, foi antecipada pelos celulares de um grupo de turistas que, por acaso, passavam à frente dos portões da mansão de Michael, no momento em que a ambulância que primeiro socorreu o cantor deixava o local em direção ao UCLA Hospital. Para outros, chegou através de sites como o TMZ, um site de fofocas sobre celebridades, segundo a mídia americana, ainda no calor dos acontecimentos.
O LA Times reconheceu a grande capacidade do TMZ (do grupo Warner Bros) em lidar com notícias referentes ao mundo do entretenimento. Um dia depois da morte de Michael Jackson, o jornal publicou um artigo sobre esse verdadeiro case que mostra como a mídia tradicional, sem perder, claro, o cuidado com a verificação dos fatos, ainda assim, precisa se adaptar aos novos tempos.
A morte de Michael Jackson deu primeiro no Twitter
Postei no twitter do Pontolit, pouco após a vitória do Brasil sobre a África do Sul, a fatídica notícia da morte de Michael Jackson, surgida como uma tsunami no própria twittosfera. Divulgou-se oficialmente que a hora da morte foi às 2h26 de Los Angeles – 18h26 de Brasília. Mas, no Twitter, a notícia circulava (ainda não confirmada) quase meia hora antes.
Pouco após o jogo da Seleção Brasileira, a palavra Brazil liderava o Trending Topics do Twitter. Naquele momento, em toda a twittosfera, o Brasil era o assunto mais comentado – o que mostra que os americanos do norte também gostam de futebol. Até que alguém – que não deve gostar de futebol – postou a seguinte msg: Why isnt Michael Jackson a #TT (Trending Topics)? Who cares about Brazil?
Em poucos minutos surgiu a referência ao site da TMZ, que já estava ao vivo na porta do UCLA Hospital. O site avisava que Michael estava muito mal após uma parada cardiorrespiratória. Poucos minutos depois, o TMZ também seria o primeiro a confirmar a morte do cantor.
Acompanhando a repercussão nos grandes jornais on-line, no Brasil, especificamente, O Globo colocou – e depois tirou – a notícia na home do portal de internet. Michael morria e ressuscitava em diversos sites. O site TMZ não voltou atrás, mas os grande órgãos de imprensa não o confirmavam.
Somente quando o LA Times confirmou a morte, aí sim, O GLOBO, NYT, CNN etc estamparam a fatídica manchete. Alguém comentou no Twitter, poucos minutos após o Jornal Nacional, que William Bonner acabava de dar a notícia de ´última hora´ (assim ele a chamou) que no Twitter já se discutia, mundialmente, há pelo menos 3 horas.
O Twitter é um sistema homeostático
Aprendemos neste 25 de junho de 2009, dia em que também morreu Farah Fawcett, outro ícone do século passado (talvez tenha sido, efetivamente, o último dia do século XX, que naturalmente estendeu suas sombras pelos primeiros anos do século XXI), que mesmo que a notícia fosse um boato (e todos que vivemos os anos 80 torcíamos para que realmente o fosse) a própria multidão on-line trataria de desmenti-lo. Algo que de fato aconteceu, quando poucos minutos depois de confirmada a morte de Jackson, surgiu o boato da morte do ator Jeff Goldblum, logo desmentida na própria Twittosfera por seu amigo Kevin Spacey.
O Twitter é um sistema homeostático. Essa característica inerente ao meio (e às redes sociais em geral) precisa ser compreendida e absorvida também pela mídia tradicional, pois é – não temos como negar – um reflexo de nossa era.
Como normalmente acontece quando lembramos da morte de Elvis, Senna, entre outros grandes ícones, daqui a alguns anos, quando nos perguntarem onde estávamos quando soubemos da morte de Jackson, muitos responderão: estávamos no Twitter. Isso é emblemático. Compreendido ou não, o Twitter já fez história.







