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As Compras Coletivas e a Corrida do Ouro

Em 1997, fiz meu primeiro site e, em 1998, criei uma produtora de sites
chamada ArteWeb, acreditando que ficaria rico criando sites com FrontPage
(!!). A verdade é que houve uma grande
“corrida do ouro”, que culminou no estouro da bolha da internet em
2000/2001, gerando uma grande crise no mercado de internet.

O fenômeno das compras coletivas parece seguir um caminho semelhante. A cada semana, surgem novos sites de compras coletivas, mas os usuários
não têm condições de assinar dezenas de sites. Além disso, as empresas
anunciantes possuem um limite para fazer ofertas e necessitam de um
tempo para poder entregar os serviços vendidos através dos cupons.

Assim como na Corrida do Ouro, em que a maioria dos garimpeiros voltou
para casa com pouco mais – ou até menos – do que tinha quando começou a
viagem, parece que ocorrem alguns fatos similares em torno das compras coletivas.

Corrida do Ouro : aprendendo com o passado

Certo dia, conversava com um cliente sobre o mercado de internet e
ele me perguntou se eu sabia quem havia ganho dinheiro com a Corrida do Ouro.
Compreendi na hora onde ele queira chegar. Com certeza não foram os
garimpeiros que ganharam dinheiro, mas quem vendeu pás e picaretas. Vale
a pena ler este trecho que tirei da Wikipedia.

“Uma crença popular é que os comerciantes ficaram com mais lucros da febre do ouro que os próprios pesquisadores de ouro. A realidade é, no entanto, mais complexa. Efetivamente, os lucros de alguns comerciantes foram notáveis. O homem mais rico da Califórnia durante os primeiros anos da febre do ouro foi Samuel Brannan, que anunciou a descoberta de Sutter’s Mill [44]. Brannan abriu as primeiras lojas em Sacramento, Coloma e outros lugares próximos dos campos de ouro. No começo da febre do ouro, Brannan comprou todos os artefatos de mineração (pás, bateias, etc.) disponíveis em San Francisco, e revendeu-os com consideráveis lucros [44]. Mas os pesquisadores de ouro também obtiveram importantes benefícios. Por exemplo, um pequeno grupo que trabalhava em Feather
River em 1848, nuns quantos meses conseguiu mais de milhão e meio de
dólares em ouro [45].

Em média, os pesquisadores de ouro tiveram lucros modestos, uma vez
deduzidos os gastos. Os que chegaram mais tarde ganharam muito pouco, ou
mesmo perderam dinheiro [46][47]. De modo similar, muitos comerciantes
desafortunados estabeleceram-se em povoações que desapareceram, ou foram
vítimas de algum dos muitos incêndios que arrasavam as localidades
[48].

Outros homens de negócios conseguiram grandes lucros em revendas, embarques, entretenimento, hospedagem [49] e transporte [50].

Em 1855, as circunstâncias econômicas tinham mudado radicalmente. O
ouro já não era tão fácil de obter, e a única forma rentável de o
conseguir era com grandes equipes de trabalhadores, que já seriam
empregados ou sócios [51]. Em meados dessa década, os donos das
companhias mineiras eram os que enriqueciam. Além disso, a população da
Califórnia tinha crescido tanto, e tão depressa, que a base econômica tinha se diversificado muito, e era já possível obter ganhos nos negócios
convencionais [52].”
– fonte: Wikipedia

Quem ganha dinheiro com compras coletivas?

Para uma oferta se concretizar, é necessário atingir um número mínimo
de compradores. Vamos exemplificar da seguinte forma: um hotel fazenda oferece 300 cupons com 50%
de desconto (De R$ 1000 por R$ 500), sendo a comissão de 30%. Ou seja,
para cada cupom, o site ganha R$ 150,00. O site de compra coletiva
realiza a oferta e consegue vender 200 cupons totalizando R$ 100 mil e
fica com R$ 30 mil de comissão!

Dessa forma, o hotel ganha 200 hóspedes que irão usar seus cupons ao longo de
vários meses, sendo uma excelente forma de conquistar novos clientes,
pois todo hotel tem uma taxa de ociosidade em períodos fora dos
feriados.

Vamos supor que o site de
compras coletivas não informe na oferta que o cupom não poderá ser
utilizado no Reveillon ou nas férias de julho, ou em um período de feriado prolongado. O que pode acontecer? O hotel lotará de pessoas
com cupons nos períodos de maior lucro.

No entanto, se o site colocar no regulamento da oferta a informação de que o cupom não é válido em determinados períodos (por exemplo, “exceto feriado de Corpus Christi  de junho de 2011 e finais de semana do mês de julho de 2011”), o site ainda assim vai ter a sua comissão de 30 mil, mesmo que o hotel nunca mais faça
promoções em sites do tipo, e ainda fale muito mal desse tipo
de estratégia de marketing.

Vale a pena criar um site de compra coletiva?

Assim como na Corrida do Ouro, são números de encher os olhos de
qualquer pessoa empreendedora, não? Esse é um comportamento natural dos
empreendedores, quando vemos alguém ganhando muito dinheiro, temos a
tendência de olhar apenas os lados positivos e deixamos de prestar
atenção nas dificuldades.

Na palestra do InterCon 2010, Júlio Vasconcellos, fundador do Peixe
Urbano, comentou que eles contabilizaram 120 sites de compras coletivas
no Brasil. Poucos dias depois, o portal Bolsa de Ofertas, que faz um acompanhamento desse mercado, anunciou que já eram mais de 240 sites desse tipo. E eu acredito que até a data de hoje esse número já tenha crescido em mais algumas dezenas.

A resposta a essa pergunta irá depender de quem irá respondê-la. Se
for uma produtora web, que ganha dinheiro vendendo pás e
picaretas… ops, desenvolvimento de sites, a resposta será SIM, pois há
o interesse comercial em ganhar dinheiro com o desenvolvimento do
sistema.

Porém, quando vejo scripts de compras coletivas sendo comercializados
no Mercado Livre… é para pensar muito se vale mesmo a pena entrar no
mercado agora.

Pensando fora da caixa com foco no usuário

Sempre que identificarmos uma tendência ou uma febre em
torno de um tema, o desafio é pensar em como podemos tirar proveito disso sem tentar
seguir a multidão.

Como um excelente exemplo, posso citar o ZipMe, que é um agregador de sites de compras
coletivas, e que foi comprado pelo BuscaPé com menos de 2 meses de vida.
Eles souberam identificar que as pessoas teriam dificuldades em escolher
tantas ofertas e que receber dezenas de e-mails seria inviável.

“O ZipMe conseguiu conquistar em curtíssimo tempo uma audiência líder no
segmento de compras coletivas e clubes de compras. O modelo de negócio
nos atraiu por ter total sinergia com a filosofia do BuscaPé”, afirma
Romero Rodrigues, presidente do BuscaPé. “Vamos agora começar a
investir todo nosso know how tecnológico para transformar o ZipMe em
SaveMe e consolidá-lo como a porta de entrada para quem procura
descontos em produtos e serviços na web, trazendo também para os
lojistas uma visibilidade muito maior”. Fonte: ReadWriteWeb

Para refletir

Sempre que vemos surgir fenômenos como o Twitter, as compras
coletivas, e outros modelos de negócios que mudam a forma de fazer
negócios, temos a incômoda sensação: por que não tive essa ideia antes?

Fica a frase de Steve Jobs para reflexão:

As pessoas não sabem o que querem até você mostrar a elas.

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é engenheiro eletrônico pela Unicamp e pós-graduado em Administração pela FGV. Possui certificado GAP (Google Advertising Professional) e é especialista em SEO (search engine optimization). Entusiasta do conceito open source, é membro da comunidade Joomla! e WordPress. Sócio da Konfide (www.konfide.com.br), ministra cursos e palestras.

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