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Cobertura do Evento SQLConnect

Cobertura jornalística do evento SQLConnect, em 31/03/2007, na UNIMEP (Universidade Metodista Piracicaba) campus taquaral, Piracicaba, São Paulo.

Após receber uma credencial de imprensa para a primeira edição do evento SQLConnect, promovido por Carlos Cantú e Luiz Paulo de Oliveira Santos, peguei minha mochila, uma câmera digital, minha passagem para Piracicaba e fui até a UNIMEP Taquaral fazer uma cobertura exclusiva deste evento para o iMasters.

Após aproximadamente duas horas de viagem de ônibus, na qual conheci alguns dos participantes do evento que vieram de São Paulo, rachei um táxi até o campus da faculdade. Chegando lá pude notar uma grande quantidade de pessoas perto do auditório, onde o evento tomou lugar. A princípio tinha dúvidas se haveria quorum para a realização do evento, uma vez que nem sempre é fácil contar com público para este tipo de evento. Mas não me surpreendi em encontrar uma grande quantidade de pessoas participando.

Após o credenciamento me dirigi até o auditório principal, onde fui assistir à palestra “Falcon – MySQL Transacional” apresentada pelo Luiz Paulo. Na verdade, todo o evento foi dividido em duas salas: o auditório principal, chamado de teatro, e o a Sala Vermelha. A programação completa pode ser conferida no site SQLConnect do evento: http://www.sqlconnect.com.br/.

Palestra \Palestra \”Falcon – MySQL Transacional\” apresentada pelo Luiz Paulo.

Logo no começo da palestra me deparei com um problema: a minha câmera digital parou de funcionar. Foi só bater algumas fotos e pronto: já não conseguia mais ligá-la, apesar de ter comprado pilhas novas. Por isso, algumas das fotos desta matéria são da câmera do meu colega Valdir Marcos, que além de dividir o táxi comigo na ida e na volta (com seis pessoas…) me fez a gentileza de enviar as fotos que ele tirou. Valeu Valdir!

Voltando à palestra, O Luiz começou a falar um pouco sobre o MySQL, inclusive mostrando fotos dos três criadores do projeto. Em seguida ele explicou quais são os principais usos do MySQL, além daqueles que estamos acostumados a ouvir. Lembro-me bem que ele evitou fazer comparações diretas com outros bancos de dados, mas sempre que possível fazia alusão a certas características do “ozinho vermelho”, em alusão ao Oracle.

Luiz explicou a todos os presentes o que aconteceu com o InnoDB e também quais são as alternativas para quem utilizava este engine de banco de dados. Em seguida começou a falar sobre as principais funcionalidades e características do MySQL 5.0. Na última parte da palestra ele focou o engine Falcon, que pretende implementar todo o suporte transacional no MySQL. A partir de um produto chamado Netfrastructure, desenvolvido por Jim Stark, o Falcon apresenta as características de um engine transacional para missão crítica que estende e complementa o MySQL. Luiz também destacou que o Falcon não é um clone do InnoDB e nem do Firebird e que ele não é um Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD) Stand Alone, ou seja, ele necessita do MySQL para funcionar. Por fim, seguiu apenar apresentando as características do Falcon sem fazer demonstrações, pois, de acordo com o palestrante, este engine ainda não está pronto.

Ao término desta primeira palestra me dirigi para a área reservada aos stands do invento. Pude identificar rapidamente a presença do pessoal da revista ActiveDelphi (http://www.activedelphi.com.br), na qual já tive a oportunidade de colaborar com alguns artigos. Contudo, o stand que mais fazia sucesso era o da Microsoft, que além de distribuir brindes (como uma ‘bóia’ para apoiar o celular) também cadastrava todos os interessados em receber boletim de notícias. Havia também um laboratório virtual, na parte de cima do teatro, com alguns PCs que executavam máquinas virtuais para testes do SQL Server 2005.

A próxima palestra que fui assistir foi a palestra “Desenvolvendo soluções integradas com SQL Server 2005 Express e Visual Studio 2005 Express”, apresentada pelo André Hass, que é um profissional MVP (Microsoft Most Valued Professional). Esta palestra também foi no teatro e contava com mais gente que a primeira palestra, provavelmente devido ao horário.

André Hass começou a palestra apresentando o SQL Server 2005 Express Edition com uma alternativa para o desenvolvimento de aplicações voltadas para pequenas e médias empresas. Além de citar as principais características de cada uma das versões, que são as versões “Express”, “Express with advanced Services”, “Express Toolkit”, “Visual Studio Express” e “BIDS – Business Inteligence Development Studio”, o palestrante fez várias comparações com a versão gratuita anterior, o MSDE (Microsoft Desktop Engine).

Sempre bem humorado, o palestrante seguiu falando sobre características técnicas, detalhes da instalação e as ferramentas de administração. Citou também que no site da Microsoft há muito material para estudo, inclusive com acesso a máquinas virtuais para testes do produto. Neste ponto o André deu a palavra a outro MVP, o Roberval Sanches, que falou um pouco da iniciativa da Microsoft para a área de Business Inteligence. Além de interagir com a platéia com seu humor peculiar, Roberval convidou a todos para sua palestra sobre B.I. na parte da tarde. O André voltou para a sua apresentação fazendo várias demonstrações de tarefas administrativas com criação de banco de dados, tabelas, execução de scripts, uso do Reporting Services e templates. Houve um pequeno problema com o microfone, que foi rapidamente solucionado. Como é de praxe, apenas uma demonstração não saiu como o esperado. “Justo a demo que não testei!”, argumentou André. No caso, tratava-se da execução da instrução de linha de comando chamada SQLcmd.exe. Ele continuou a palestra sem entrar em maiores detalhes. Como a minha especialidade é o SQL Server, fiz questão de abordar o palestrante no final e, após me apresentar, disse-lhe que o erro esta em um parâmetro que ele esqueceu de declarar na linha de comando.

Após o almoço, me dirigi à sala vermelha para a palestra “Introdução ao Firebird”, ministrada pelo Carlos Cantu, que é reconhecido como uma das maiores autoridades em Firebird do Brasil, chegando a escrever livros sobre o assunto e palestra em conferências internacionais.

Palestra \Palestra \”Introdução ao Firebird\” ministrada pelo Carlos Cantu.

Carlos Cantu começou a palestra explicando as diferenças entre um banco de dados Desktop e um Banco de dados Cliente servidor, deixando bem claro as vantagens e desvantagens de cada um deles. Realmente fiquei interessando quando ele comentou a história de que o exército americano estava fazendo um teste dentro de um tanque com um notebook e, por causa do disparo do canhão do tanque, toda vez o notebook re-iniciava causando um problema com o banco de dados que estava sendo executado dentro do notebook.

Em seguida o palestrante falou sobre a origem do Firebird, deste a sua herança do Interbase 6.0 até a versão 2.0. Foi muito interessante conhecer um pouco dos bastidores desta história, principalmente no que diz respeito à pressão da comunidade de software livre fez para a liberação do código fonte. O palestrante segui apresentado as principais características do Firebird, como o controle de concorrência otimista conhecido como MVCC (MultiVersion Concurrency Control) e alguns detalhes sobre o processo de Garbage Collection. Fico imaginando o nível de detalhamento que pode ser descoberto em um banco de dados de código livre, em comparação aos bancos de dados como o SQL Server ou o Oracle, onde não sabemos ao certo como funcionam detalhes internos, como o forma de limpeza da memória.

Nesta palestra, Carlos Cantu exemplificou várias situações onde o mecanismo de controle de concorrência deve ser utilizado. Apesar de ser bem técnico, a platéia conseguiu assimilar o que foi passado, aprendendo como funcionam os níveis de isolamento nas situações de concorrência apresentadas. Por fim, o palestrante deixou claro que a cada dia o Firebird está se tornando uma solução de código livre viável para a implementação de bancos de dados.

Ao mesmo tempo em que a palestra do Carlos Cantu estava acontecendo na sala vermelha, o teatro abrigava a palestra “Dicas e truques com o consultas SQL” ministrada pelo Luiz Paulo. Por apresentar apenas os conceitos básicos da linguagem SQL, preferi não assistir a esta palestra. Contudo, cheguei a presenciar uma parte do final e do começo. Destaco a grande presença e participação do público, composto na sua maioria por estudantes da própria UNIMEP.

Palestra \Palestra \”Dicas e truques com consultas SQL\” ministrada pelo Luiz Paulo.

Após o término da palestra, resolvi fazer uma pequena entrevista com o Luiz Paulo enquanto ele ainda recuperava o fôlego. Iniciei a entrevista perguntando sobre o motivo pela qual ele tinha escolhido Piracicaba como sede deste evento. Ele me disse que tanto ele como o Carlos Cantu, que organizaram o evento, são de Piracicaba e, além disso, tiveram a oportunidade de contar com a infra-estrutura da UNIMEP. Quando perguntei sobre a situação de bancos de dados “Open Source” x Comerciais ele me disse que há espaço para todos e que convidou todas as empresas que possuíam representantes no Brasil para participar do evento. “A Oracle foi a única que não marcou presença. Mas isso se justifica pelo fato de que eles fizeram um evento alguns dias atrás”, disse-me Luiz.

Além disso, Luiz me disse que procurou focar o evento tanto para o desenvolvedor como para o profissional que trabalha mais na parte administrativa do banco de dados, o DBA. Para ouvir alguns trechos da entrevista, basta clicar aqui e fazer o download do arquivo em formato wav compactado em zip.

Após a conversa com o Luiz, consegui pegar o final da palestra sobre replicação, cujo título foi “Replicação – Benefícios de uma arquitetura de banco de dados replicada para aplicações corporativas (múltiplos sites)”, apresentada pelo Wagner Corrêa Ramos. Pelo que vi desta palestra, a maior parte dela se focou nos tipos de replicação, características, topologias, vantagens e desvantagens dos modelos teóricos. Apenas no final o palestrante fez uma rápida pincelada sobre as tecnologias existentes, evidenciando sua experiência prática com algumas delas. O destaque vai para o caso de uso que envia a administração penitenciária, onde a replicação foi aplicada em várias delegacias e presídios, com algumas dificuldades explanadas pelo palestrante.

Dirigi-me então para a última palestra do dia, que se chamava “Business Inteligence com Microsoft SQL Server 2005: Reporting Services e Data Mining”, ministrada pelo Roberval Sanches.

Logo de cara já senti que a palestra teria um tom de ‘show’ ao invés de uma palestra mais técnica. O palestrante, Roberval Sanches, é o típico profissional motivador de campanhas da Microsoft: faz graça com a platéia, canta, dança, faz piada e até vestiu a camisa de futebol do XV de Piracicaba, o time de futebol da cidade de Piracicaba. Além do ‘showman’, todos os participantes ficaram atentos à palestra devido ao conteúdo e também à promessa de distribuição de brindes.

Esta palestra foi toda focada em demonstrações, sem a utilização de slides, como as demais palestras do evento. A princípio Roberval falou um pouco sobre o processo de tomada de decisão, indicando que o modelo relacional tradicional não se enquadra bem para estes casos. Logo após esta pequena explicação, o palestrante já abriu o Visual Studio.NET e começou a fazer a demonstração de como pivotar dados. Ao anunciar a próxima demonstração, a construção de um cubo OLAP com base nos dados de exemplo, o palestrante prometeu fazer uma dança cigana caso algo falhasse. A platéia adorou.

Durante a demonstração, que consistia de um monte de cliques em partes da interface gráfica do Visual Studio.NET, o palestrante foi respondendo à perguntas da platéia enquanto havia algum processamento a ser realizado.Ao final desta primeira demonstração já se podia ouvir alguns ‘ohh!’, vindo da platéia que não conhecia a tecnologia OLAP”. Alias, uma grande parte da platéia era formada por estudantes, assim como na primeira palestra da Microsoft na parte da manhã.

Em seguida o palestrante expôs a situação onde um comerciante quer aumentar as vendas de um determinado produto. Como solução, o palestrante sugeriu a aplicação de um algoritmo de Data Mining para descobrir o perfil de quem compra o determinando produto. Deste modo, pode-se indicar para o departamento de marketing o perfil de quem compra e de quem não compra o produto. Mais uma vez, uma seqüência grande de cliques na ferramenta fez tudo ser acontecer como num passe de mágica. Em minha opinião, este tipo de demonstração serve para indicar a facilidade da ferramenta, mas peca por não demonstrar o esforço necessário para se dominar os conceitos teóricos e o funcionamento interno não apenas da ferramenta, em termos de programação, mas também dos algoritmos utilizados. Quando alguém da platéia perguntou como o palestrante sabia qual algoritmo de data mining utilizar, Roberto respondeu que não tinha jeito: era necessário estudar e conhecer os algoritmos para saber qual utilizar em cada situação.

Por fim a palestra terminou com o famoso sorteio de brindes, característico das palestras da Microsoft. O sorteio atingiu o seu auge quanto o palestrante disse que daria um brinde ao primeiro que subisse até o palco e cantasse uma música da Perla.

Em seguida, e já com um pequeno atraso, toda a platéia se deslocou para o auditório principal, onde um sorteio geral foi realizado. Foi o primeiro evento que participei onde o sorteio foi automatizado por um software! Sim, o Carlos Cantu escreveu um pequeno programa para sortear aleatoriamente alguns brindes, que incluíam camisetas, livros e assinaturas de revistas.

Sorteio realizado no final do evento.Sorteio realizado no final do evento.

A conclusão que cheguei após participar do evento durante todo o dia é que eventos como o SQLConnect só tem a contribuir para a comunidade brasileira de usuários de banco de dados, independente de qual for o fabricante de banco de dados. Mais uma vez, senti falta da cobertura da imprensa especializada, que raramente envia algum representante para este tipo de evento. No geral, posso dizer que valeu a pena e recomendar a todos que se interessam por bancos de dados.

Mauro Pichiliani é bacharel em Ciência da Computação, Mestre e doutorando em computação pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Trabalha há mais de 10 anos utilizando diversos bancos de dados e ferramentas de programação. Pode ser contatato no twitter como @pichiliani e no e-mail pichiliani@gmail.com

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