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Por que TI tem dificuldade em melhorar a sua imagem?

As interações de um cliente com TI durante o consumo de serviços formam uma percepção de qualidade que constitui a “imagem TI”. O contato com o serviço atribui significados a respeito do nosso catálogo de serviços. Essa oportunidade de ouro é normalmente desperdiçada por atendimentos reativos e sem empatia. Isso dificulta a melhoria da imagem da área de TI que só interage ou comunica algo se há um problema, sempre na defensiva clássica pois o seu foco é a técnica e não a comunicação.

Uma boa qualidade de serviço é uma condição necessária para que TI possua uma boa imagem. Não é possível construir uma boa reputação atrasando projetos, tendo problemas no fluxo de trabalho ou gerando indisponibilidades. A profissionalização dos serviços de TI é uma questão de sobrevivência, mas não garante uma boa imagem diante os usuários, pois um bom serviço já é esperado, sendo mais um fator de insatisfação, na sua ausência, do que satisfação, no seu cumprimento.

Todavia,
a compreensão da perspectiva do cliente interno é, decididamente, um
fator de satisfação. A empatia desarma ambos os lados, pois o cliente
não precisar mais argumentar para provar ou demonstrar o que deseja, reduz a tensão, facilita o trabalho de quem executa, faz o prestador ter o mesmo senso de urgência e, com frequência,
muda a questão para um problema mais fácil de resolver. Em muitos
casos, o cliente só quer falar, pois sabe que o serviço não será
executado. Como diz um colega meu de trabalho: “alguns clientes só
precisam de um abraço”.

Às vezes, a “técnica do
abraço” não funciona porque o cliente está mal-intencionado, utilizando
argumentos falsos falácias – para culpar TI por um problema que é
seu. Neste caso, só resta à TI se defender com argumentos bem
estruturados e com uma comunicação à prova de bala, fato que nem sempre acontece, porque provavelmente estaremos apagando algum incêndio em outro lugar.

As falácias dos usuários dificultam o entendimento por parte de TI, já que nunca se sabe exatamente se um contrato está em risco ou se o cliente interno está apelando para a força, ou se o problema é uma questão operacional de TI ou o preço do contrato está inadequado etc. O excesso de empatia, nesse caso, pode nos fazer cair em armadilhas e gerar distorções na prestação do serviço sem ganhos de imagem.

Uma opção óbvia de melhorar a imagem é sempre entregar mais, surpreendendo o cliente. Todavia, essa estratégia não é sustentável a longo prazo – o cliente tende a se acostumar com o nível de serviço e acaba querendo o seu braço após você ter dado a mão. E qualquer falha na qualidade do que foi entregue causará mais danos à sua imagem.

Apesar de não haver
uma vantagem em ter-se, por assim dizer, um desempenho maior que o SLA,
em muitos casos é uma questão de sobrevivência entregar mais. Grandes
clientes insatisfeitos ou executivos com uma percepção negativa de TI necessitam de uma abordagem tática: níveis mais elevados de SLA durante um período, acompanhamentos tempestivos do cliente para minimizar o risco comercial, ações-relâmpago, forças-tarefa e implementações rápidas etc. Essas ações de “recuperação do serviços” são decisões lógicas, haja visto o poder de destruição de determinados executivos ou clientes. Mas existe o risco de a gestão de serviços passar a ser unicamente baseada na contingência.

Como tudo depende de TI, é de se esperar que sempre haverá um grande volume de demandas não atendidas, gerando frustração. Isso é resultante do desvio entre o volume de demandas e a capacidade de TI. Se não houver um meio de comunicação para o cliente reclamar, só restará a ele falar mal de TI, mesmo que o serviço básico seja prestado. Portanto, a criação de um canal interno de reclamação melhora a imagem de TI e permite o cálculo de métricas que são difíceis de engolir. Escutar as reclamações de clientes não é nada agradável, mas faz parte da prestação do serviço.

Escrever é fácil. Sabemos que não é simples melhorar a imagem de TI num ambiente que parece a previsão do tempo: problemas antigos são eliminados e substituídos por novos; clientes internos saem da companhia, sendo necessário criar novos relacionamentos; problemas externos que são impossíveis de prever; usuários que usam TI como desculpa pelas suas falhas; fornecedores saindo do mercado; chefes que não reconhecem o trabalho do funcionário; requisitos voláteis etc. Essa dinâmica não implica que não valha a pena investir tempo para melhorar a imagem de TI. Um plano ou processo de melhoria da imagem, por mais rudimentar que seja, no mínimo, preserva a credibilidade conquistada, permite a conquistas de novos aliados e mantém você no jogo.

Paulo Farias Castro Filho é engenheiro formado pela UFPE, MSc. em Processos pela UFRJ-COPPE e Especialização em Gestão de Produtos pela FGV. Especialista em gestão de serviços de TI(ITIL, COBIT). Trabalha atualmente na Serasa como gerente da Central de Serviços de TI. Atuou ao longo da sua carreira em diversas áreas tais como desenvolvimento de sistemas, callcenter, canais comerciais, infraestrutura, serviços, gestão de outsourcing, segurança da informação e arquitetura corporativa..

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